Dos Links no Zap

A não ser que faça parte de uma conversa, qualquer link que chega pra você pelo zap é roubada, é enganação, é trambique. Sempre, sempre, sempre.

SEMPRE


Uma coisa é "amiga, li esse artigo aqui sobre o tema tal, e acho que você vai gostar de ler isso aqui, porque tem tudo a ver com aquilo que a gente tava conversando esses dias: www blá blá blá."

Outra coisa é um link avulso, sem qualquer comentário pessoal, dizendo que "as Lojas Americanas estão fazendo uma promoção e dando máscara de graça, é só clicar pra responder a pesquisa. www blá blá blá"

Faça um favor pra você e pra todos:

NÃO
COMPARTILHE

Sobre uma Bandeira no Piano

Quando rolou a copa do mundo de futebol em 2002, o dono da loja onde eu trabalhava resolveu enfeitar a loja de verde e amarelo.  Ele comprou umas bandeiras brasileiras tão bem feitas e tão bonitas que eu pedi para ele comprar mais uma pra mim. Essa bandeira já me acompanhou em vários shows e em casa sempre cobriu o meu teclado.  Hoje cobre o piano. 

Daí que depois de umas arrumações aqui em casa, o piano passou a ficar atrás de mim, enquanto estou no computador, ficando visível pras pessoas quando estou em reuniões online. 

Resultado:  pessoas desconfiadas da minha boa educação, achando que eu seja apoiador do presidente. Os amigos de longa data interrompiam as conversas pra perguntar.  Já escolado, nas novas turmas que começaram recentemente eu já cheguei avisando, o que em todas as vezes causou um alvoroço, com a galera aliviada, admitindo que estavam desconfiadas. 

Taí o poder dos símbolos.

Da Causa LGBT

Assim como não preciso ser árvore pra ser contra o desmatamento, assim como não preciso ser criança pra ser contra a pedofilia, assim como não preciso ser negro pra ser contra o racismo, não preciso ser gay pra ser contra a homofobia.

Mas mesmo sem esse raciocínio, tenho motivos para que a luta contra a homofobia também seja minha:  as muitas pessoas artistas e profissionais que admiro e que são gays.  Lulu Santos, Miguel Falabella, Liniker, Marco Nanini, Brandi Carlile, Beatrice Martin, Elton John. A lista é grande.  E impulsionado por essa admiração, acredito que todas essas pessoas tem o direito de serem respeitadas.  Negar seu direito e sua liberdade de serem quem são seria incoerente com a admiração que tenho por elas.  Portanto, essa luta também é minha, porque se fere a existência delas, serei resistência.

Mas mesmo sem esse raciocínio, tenho motivos para que a luta contra a homofobia também seja minha:  as muitas pessoas amigas que são gays.  No meu círculo de amizades, há uma outra grande lista de pessoas que amo que são gays.  Negar seu direito e sua liberdade de serem quem são seria incoerente com o amor que tenho por elas.  Que eu viva em uma sociedade que me permite casar legalmente e demonstrar carinho pela minha esposa em público, que nosso amor seja reconhecido e respeitado ao invés de demonizado, que eu e minha esposa tenhamos diversos resguardos legais... mas na qual meus amigos não tenham, pra mim é inaceitável.  Portanto, essa luta também é minha, porque se fere a existência daqueles quem eu amo, serei resistência.

Mas mesmo sem esse raciocínio, tenho motivos pra que a luta contra a homofobia também seja minha:  porque sofro com ela.  Meus gostos musicais, minha postura, minhas opiniões, as palavras que escolho usar, as coisas que escolho estudar, tudo já foi ou é motivo para que eu sofra búlin, sendo chamado de gay.  Isso em vários ambientes sociais (uma exceção, devo destacar, é a minha turma na UFF, esse é um dos motivos para amá-los tanto).  Incontáveis foram as vezes que ouvi besteira vindo de pessoas, inclusive muito próximas, questionando minha masculinidade.  Claro, muitas dessas besteiras foram ditas com o carinho de quem quer o meu bem, sem terem a mínima sensibilidade do quanto feriam.  Portanto, esta luta também é minha, porque se fere minha existência, serei resistência.