Bebum na Estrada

Espero que nenhuma de vocês tenha ficado como o bebum que aparece neste vídeo. Ah, abaixem o som porque a música é insuportável.
(Dica do CAT)

50 Semanas de Rock - Alice Cooper

Pode ser um pouco cedo para falar uma coisa destas após a terceira das cinqüenta semanas de rock, mas posso arriscar dizer que Alice Cooper estará entre os dez mais. Rapaz, eu fiquei chapado com os discos do cara. Quer dizer, com dois dos três que copiei.

Demorei muito para encontrar uma palavra que descrevesse o rock feito por Alice Cooper, e acho que a definição que mais se aproxima é dizer que ele faz um rock cru. Não há muita produção por trás das músicas. Tudo o que você ouve é a guitarra, o baixo e a bateria. Fora isso, apenas um instrumento diferente aqui e outro ali, mas tudo de forma muito simples, parecendo que estão todos aqui em volta de você, ao vivo.

O primeiro disco é Trash, o menos empolgante de todos. Não é ruim, mas também não é nada espetacular. É simplesmente bom, puro rock'n'roll. Destaques para Hell is Living Without You e Only My Heart Talkin', esta última que me lembrou Bon Jovi.

O segundo disco, que entra pra categoria "bom pra cacete" é Billion Dollar Babies, com ótimas músicas. Billion Dollar Baby, com trechos com duas vozes cantando duas coisas diferentes ao mesmo tempo te faz ouvir duas vezes para prestar atenção em tudo. Unfinished Sweet tem uma seção de baixo fuderosa, que lembra o tema antigo de 007. Generation Landslide é semi-acústica, com um violão maneiríssimo, solo de gaita, e ainda faz menção ao nome do disco. Muito boa de se ouvir. Sick Things começa simples, mas a música vai crescendo lentamente, ficando mais pesada, e no final ela se desmancha, deslizando, unindo-se à próxima, Mary Ann, sem interrupção. Bem feito pra cacete. E Mary Ann, para não quebrar a seqüência de músicas boas, tem apenas uma pequena parte cantada, e então engata em um solo de quase dois minutos de puro piano. Fodão. I Love the Dead, com sua letra necrófaga, é muito bem feita também, alterando seções instrumentais raivosas com o refrão quase romântico. Tem momentos que lembra Madman Across the Water, de Elton John.

E temos então o disco que é um dos melhores que eu já ouvi, em que todas as músicas chamam a atenção, e que com certeza um dia comprarei com todo o prazer: School's Out. A primeira música, a faixa título School's Out, começa rasgando um rockão bom demais, já solando e ditando um ritmo intenso. Luney Tune segue bombando e tem até riff de violino. O baixo de Gutter Cats vs the Jets é de babar. Além da música ser diferente: tem marcação de ritmo com estalar de dedos, sintetizadores e corais. E ainda por cima engata com Street Fight, que nem cara de música tem. Esta é como se fosse um epílogo da música anterior, já que a primeira fala do confronto entre os gatos e os Jets, com a briga no final. Blue Turk não tem o direito de ser chamada de rock: ela é uma jam session das boas! Simplesmente incrível. Coisa que só mesmo nos meus cds de jazz eu vi coisa igual. É pra botar no fone de ouvido, apagar a luz e viajar pra bem longe naquele sonzão todo, prestando atenção em todos os detalhes. Pena que dure tão pouco: só cinco minutos e meio.

My Stars é foda. O fraseado do piano no início da música, seguido pelo solo da guitarra, seguido pela metralhadora que é a bateria, depois tudo junto freneticamente, só para abrir a cena para que Alice entre cantando assustadoramente bem, brincando até de fazer efeitos com a voz, é coisa rara de se ouvir de tão bom que é. O início de Public Animal #9 tem ar de rock moderno, quase pop, mas descamba para o rock pesado das antigas, com direito a um solo de guitarra maneiríssimo.

E se o disco se chama School's Out e a faixa-título fala do término das aulas, Alma Mater é uma despedida aos amigos da escola. Muito interessante a ligação entre as músicas. Não apenas entre estas duas, mas também entre Alma Mater, que engata com a última, chamada merecidamente de Grande Finale, uma instrumental genial que tem até citação da música Gutter Cats vs the Jets no final.

Façam um favor às suas vidas: não morram antes de ouvir este disco. Eu com certeza vou ouvir muito mais de Alice Cooper depois que estas cinqüenta semanas terminarem.

***


Você gosta do que eu escrevo? Que tal então comprar produtos do Alice Cooper no Submarino entrando aqui pelo Sarcófago? Você compra alguma coisa e eu ganho uma comissão.

***


Veja a lista das bandas que fazem parte das 50 Semanas de Rock

Livro: O Pecado de Todos Nós, de Taylor Caldwell

Um dos meus livros favoritos, que li ainda no ensino fundamental, é O Pecado de Todos Nós (Your Sins and Mine), de Taylor Caldwell, escrito na década de 50. Passei anos procurando um exemplar para comprá-lo, mas só depois de muito custo descobri que era um dos poucos livros dela que estava fora de catálogo no Brasil. Após meses de buscas, consegui um exemplar usado no Mercado Livre.

Já que ele não está mais disponível para o público, e como forma de compartilhar esta obra deliciosa com as minhas leitoras, vou aos poucos digitar o livro, que não é tão grande assim, e ir publicando aqui no Sarcófago. Espero que vocês gostem e contem pras amigas. Segue a primeira parte.

***

O Pecado de Todos Nós
por Taylor Caldwell

Tradução de Luzia Caminha Machado da Costa

***


Em todos os lugares do mundo, a terra recusava-se a frutificar...

O sol brilhava num céu sem nuvens e os rios baixavam e os mares se encolhiam e os riachos e regatos secavam e as montanhas se crestavam e os vales se amarelavam na terra inteira.

A terra nos odiava, a terra violada, a terra fiel, a terra explorada, a terra gentil. A terra decidira que tínhamos de morrer, e todas as coisas vivas e inocentes conosco.

A terra nos amaldiçoara.

Nossas guerras e nossos ódios - tudo isso havia, finalmente, repugnado à terra sábia.

Não sabíamos, então, que éramos acusados como inimigos irreconciliáveis de toda a criação.

***