"Quando a mulher deseja fazer mais sexo, ela deve ter cuidado ao comunicar seus desejos para não parecer muito infeliz ou exigente. Uma boa abordagem é deixar que ele saiba que ela está se masturbando, enquanto ele dorme, e que se ele quiser juntar-se a ela a qualquer momento será bem-vindo, mesmo que seja no fim, para fazer as honras da casa."
"Fazer as honras da casa" foi a frase mais nojenta que já ouvi nos últimos tempos, e olha que eu li no Jerusalém os detalhes cruéis e violentos da Paixão de Cristo. Não tem como ser mais esdrúxulo ou machista.
"O que faz a mulher ser especial - a mulher primeiro sente que é especial para o homem quando ele se sente fisicamente atraído por ela. A mulher deve lembrar que não é tão especial, porque são muitas as mulheres pelas quais o homem pode se sentir fisicamente atraído. É um bom começo, mas necessariamente não significa nada mais do que isso. Para o homem, naquele momento, ela pode ser a mulher dos seus sonhos. Nesse caso, ele pode acreditar esse comportar como se estivesse apaixonado por quem ela é. Mas só o tempo vai dizer, dando a ele oportunidade de conhecê-la. A mulher se torna mais especial para o homem, quando ele descobre que não só está atraído fisicamente por ela, mas que também gosta dela. Há muitas mulheres por quem ele pode sentir atração física, mas só de um grupo pequeno ele pode ser amigo também. Uma mulher se torna mesmo muito especial para ele, quando descobre que está mentalmente atraído por ela. Há apenas poucas mulheres por quem ele pode sentir todos os três tipos de química. A mulher se torna mais especial ainda quando o homem a vê como uma pessoa imperfeita, digna de ser amada. Mesmo nos momentos difíceis com ela, o homem pode ver o que há de bom na mulher e sentir seu amor. Esse tipo de amor incondicional a faz muito especial. Nesse grupo muito pequeno e muito especial, a alma do homem escolhe uma para compartilhar sua vida. É então quando a mulher é mais especial para ele."
Aí sim o cara acertou a bola sete na caçapa do canto. Tem mulher que pensa que quando o homem sempre quer um relacionamento. Isso é furado. A primeira coisa que atrai um homem é a beleza, e mesmo que o conteúdo seja uma bosta, o cara vai chegar junto se ela der mole. O que faz a mulher ser especial é o que vem depois, quando o cara vê que por trás do rosto bonito (ou da bunda grande) existe um ser pensante. Aí a coisa pode começar a mudar de figura. Mas quando ela se torna especial, no sentido mais forte, aí sim o cara está de quatro por ela. Mas é raro isso acontecer. Como toda mulher sabe muito bem, tem homem que só quer saber mesmo é de farrear.
"O momento certo para pedir: cuidado para não pedir alguma coisa que obviamente ele está planejando fazer. Por exemplo, se ele vai esvaziar a lata de lixo, não diga: 'Quer esvaziar a lata de lixo?' Ele vai sentir que você está dizendo o que ele deve fazer. O momento certo é crucial. Também, se ele está concentrado em alguma coisa, não espere que atenda imediatamente o seu pedido.'
Outra bola dentro. Pelo menos comigo, a coisa funciona quase sempre assim. Acho um pé no saco ter alguém mandando eu fazer uma coisa que eu estou indo fazer.
Muita gente, ao ver que eu estava lendo esse livro, me sugeriu um outro, Porque Homens Fazem Sexo e Mulheres Fazem Amor. Este deve seguir a linha e não tenho interesse em ler. Desta linha de literatura já esgotei minha cota da década.
Um dos grandes conselhos do livro, que pode ser encontrado logo no início, é o de que para se ter um novo hábito, é preciso praticar muito uma ação, de modo a fazê-la tornar-se parte de nós, fazer com que a ação seja feita mecanicamente, inconscientemente. Mais um óbvio daqueles que a gente vive esquecendo, e que precisamos ser lembrados sempre, até que vire um hábito lembrar.
Fica então mais uma dica de leitura para vocês. Pra quem não se vira muito bem nos relacionamentos, é uma boa pedida; e pra quem se vira bem, mas quer dar umas risadas, também.
A seguir: Comentários sobre Budapeste, de Chico Buarque
Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus - Livro dos Dias - John Gray - Parte II
Muitas - a maioria - das dicas que ele dá eu já aplico no meu dia a dia, pra evitar que o relacionamento se desgaste, e por isso não aprendi muita coisa nova com ele, mas deu pra rir um bocado, principalmente quando ele fala de sexo. Essa é a parte mais deliciosa do livro, geradora de gargalhadas. Anotei algumas para a sua apreciação:
"Para cultivar uma boa vida sexual, é importante ocasionalmente satisfazer nossas necessidades sem depender do parceiro ou parceira."
O que ele quis dizer com isso? Ou ele diz que devemos trair a pessoa com quem estamos, o que é uma heresia, ou está sugerindo que masturbe-mo-nos, o que é hilário.
"Mesmo assim, ainda é importante fazer todo tipo de sexo - sexo depois de uma noite romântica ou simplesmente uma rapidinha entre dois compromissos. Quando o homem sente que sua parceira é tão entusiasmada com sexo quanto ele, está livre para abrir mais completamente o seu coração."
Lindo, romântico, é um orgasmo poético, e quase que uma negociação sexual: "amor, abra-me tua vagina e abrir-te-ei meu coração..."
"Em última análise, o que liberta o homem do estresse do trabalho é sexo. A satisfação sexual, mesmo numa rapidinha ou sozinho no chuveiro, o ajuda a se livrar temporariamente das suas preocupações e estabelece a ligação com sua parceira."
Na verdade, o que libera mesmo do estresse é o uso da força física, seja lá correndo, pedalando, puxando ferro ou fazendo sexo. Mas é uma boa dica. Só estou tentando entender até agora a questão do restabelecimento da ligação com a parceira.
Amanhã: mais trechos comentados.
"Para cultivar uma boa vida sexual, é importante ocasionalmente satisfazer nossas necessidades sem depender do parceiro ou parceira."
O que ele quis dizer com isso? Ou ele diz que devemos trair a pessoa com quem estamos, o que é uma heresia, ou está sugerindo que masturbe-mo-nos, o que é hilário.
"Mesmo assim, ainda é importante fazer todo tipo de sexo - sexo depois de uma noite romântica ou simplesmente uma rapidinha entre dois compromissos. Quando o homem sente que sua parceira é tão entusiasmada com sexo quanto ele, está livre para abrir mais completamente o seu coração."
Lindo, romântico, é um orgasmo poético, e quase que uma negociação sexual: "amor, abra-me tua vagina e abrir-te-ei meu coração..."
"Em última análise, o que liberta o homem do estresse do trabalho é sexo. A satisfação sexual, mesmo numa rapidinha ou sozinho no chuveiro, o ajuda a se livrar temporariamente das suas preocupações e estabelece a ligação com sua parceira."
Na verdade, o que libera mesmo do estresse é o uso da força física, seja lá correndo, pedalando, puxando ferro ou fazendo sexo. Mas é uma boa dica. Só estou tentando entender até agora a questão do restabelecimento da ligação com a parceira.
Amanhã: mais trechos comentados.
Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus - Livro dos Dias - John Gray
Depois de dois clássicos seguidos, parti para uma literatura mais moderna. Peguei para ler este livro cujo nome é uma obra prima da concisão. Antes de começar a ler, eu achava que se tratava de um romance, através do qual o autor iria explicar o motivo da diferenciação. Ledo engano.
Na verdade, é um livro de auto-ajuda, que não precisa ser lido linearmente. Ele traz 365 pequenos textos que se propõem a ajudar as pessoas a terem um relacionamento melhor. Ele foca principalmente em pessoas que já estejam casadas ou em um relacionamento estável, e raras vezes fala de encontros esporádicos ou de separação.
De cara, por não ser o que eu estava esperando que ele fosse, achei que ele iria acabar fondo, mas segui em frente e continuei a ler o livro até o final. E foi bom.
Ele traz muitas dicas interessantes para evitar que relacionamentos terminem ou se tornem desinteressantes, como a óbvia "não caia na rotina". Aliás, muita coisa que ele fala é óbvio, mas a gente sempre tem problema de enxergar o óbvio, não é? Então, alguém escreve um livro juntando uma frase de efeito aqui e outra ali, põe um título chamativo e vira best-seller.
A pior característica que encontrei no livro foi o fato de ele ser cíclico. Depois de ler metade do livro, você pode ter certeza de que já leu tudo o que tinha que saber. John Gray sempre volta a um ponto que já falou, e repete suas idéias uma vez atrás da outra.
Primeiro aprende-se o básico: a mulher, para se sentir amada, tem que ser ouvida e o homem, para se sentir amado, tem que se sentir respeitado. A mulher, pra relaxar, tem que falar, o homem tem que trepar. Coisas assim. A partir deste ponto, anda-se um pouco para cada lado, mas sempre volta-se ao marco de partida, para então falar de uma coisa que já foi dita e voltar ao começo e fazer tudo de novo. Fica até maçante no final. Há frases exatamente iguais.
Amanhã: trechos do livro comentados.
Na verdade, é um livro de auto-ajuda, que não precisa ser lido linearmente. Ele traz 365 pequenos textos que se propõem a ajudar as pessoas a terem um relacionamento melhor. Ele foca principalmente em pessoas que já estejam casadas ou em um relacionamento estável, e raras vezes fala de encontros esporádicos ou de separação.
De cara, por não ser o que eu estava esperando que ele fosse, achei que ele iria acabar fondo, mas segui em frente e continuei a ler o livro até o final. E foi bom.
Ele traz muitas dicas interessantes para evitar que relacionamentos terminem ou se tornem desinteressantes, como a óbvia "não caia na rotina". Aliás, muita coisa que ele fala é óbvio, mas a gente sempre tem problema de enxergar o óbvio, não é? Então, alguém escreve um livro juntando uma frase de efeito aqui e outra ali, põe um título chamativo e vira best-seller.
A pior característica que encontrei no livro foi o fato de ele ser cíclico. Depois de ler metade do livro, você pode ter certeza de que já leu tudo o que tinha que saber. John Gray sempre volta a um ponto que já falou, e repete suas idéias uma vez atrás da outra.
Primeiro aprende-se o básico: a mulher, para se sentir amada, tem que ser ouvida e o homem, para se sentir amado, tem que se sentir respeitado. A mulher, pra relaxar, tem que falar, o homem tem que trepar. Coisas assim. A partir deste ponto, anda-se um pouco para cada lado, mas sempre volta-se ao marco de partida, para então falar de uma coisa que já foi dita e voltar ao começo e fazer tudo de novo. Fica até maçante no final. Há frases exatamente iguais.
Amanhã: trechos do livro comentados.
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