Minueto em Sol maior

Depois alguns meses de estudo, eis uma gravação do minueto em sol maior (BWV Anh. 114), do Pequeno Livro de Anna Magdalena Bach.

Erroneamente atribuído a J.S. Bach até um tempo atrás, hoje sabe-se que é de autoria do compositor alemão Christian Petzold.

Só não sei porque o vídeo ficou esticado na horizontal. O arquivo no PC está sem problemas.

Minimalismo

Recentemente redescobri uma filosofia de vida chamada minimalismo. A ideia central é a de que é melhor reduzir as coisas ao mínimo essencial do que ter uma infinidade de coisas que podem em algum momento vir talvez a ser úteis. O "movimento" minimalista se manifesta nas artes plásticas, na música, nas decorações, e, no ponto que interessa aqui, no dia a dia das pessoas.

Quem vive seguindo as ideias dessa filosofia acredita que menos é mais. Acredita que ter não é sinônimo de ser feliz. Acredita que é possível fazer e ser mais com menos. Acredita que é melhor ter experiências do que ter posses.

Uma ideia irmã do minimalismo na vida das pessoas é o desentulhamento, ou seja, a redução de posses. Não é uma questão de adotar uma vida monástica, dar tudo aos pobres e viver de esmola, mas sim de reduzir o fardo do excesso.

Tem gente que é mais radical e decide ter apenas 100 itens. Tem gente que só quer diminuir a bagunça e decide dar as coisas que praticamente não usa. E há um mundo entre estes dois extremos. O que não faltam por aí são blogs que falam do assunto, de gente contando de suas experiências sobre o assunto.

O primeiro alvo nas minhas experiências de minimalismo foi a minha mesa no trabalho. A caneca passou a ser guardada dentro da gaveta. O porta canetas foi para quem queria um, assim como as canetas, clips e toda a tranqueira que havia ali. A única caneta agora fica na gaveta. O calendário, que sobreviveu porque arranjei um bom onde dá pra escrever bastante e uso como agenda, fica escondido debaixo do teclado. Só sobrou a foto da esposa, mas que só está ali porque a empresa não permite mudar o papel de parede de computador.

Depois resolvi diminuir os livros e discos. Já vendi um monte de livros pelo Mercado Livre, alguns que comprei e nunca li e outros que já tinha lido e que estavam ali apenas por segurança. "Vai que precisa, né?" Já os discos vão ser eliminados aos poucos. Como não consigo ficar sem comprar um disco de vez em quando, decidi que vou descartar dois para cada um que comprar, seja vendendo para um sebo seja doando para quem curta. Não quero juntar poeira!

A última vítima foi o blog. Reduzi o número coisas visíveis, o número de posts na página inicial, deixei o visual mais limpo e leve. E ainda vou eliminar mais, se deixar.

Se quiser saber mais sobre o assunto, dê uma lida neste ótimo artigo e depois passeie pelos artigos dos seguintes sites: Vida Minimalista, Becoming Minimalist e The Minimalists.

Conto: Segredos

Ao chegar em casa naquele dia, eu devia pra ter desconfiado quando ela me avisou.

Olha, dois caras entraram pela janela dos fundos e ainda não saíram.

Mas, poxa, todo mundo sabe que tartarugas não falam. Como é que eu iria dar ouvidos pra Clarice? Muito menos acreditar nela. Entrei.

Mal tranquei a porta da sala ouvi os passos atrás de mim e, antes de poder me virar já estava recebendo ordens.

Nem pense em gritar e fala pra gente onde está.

Onde está o que?, eu pensei. Mas eu sabia o que eles queriam.

Com duas armas apontadas pro meu rosto, não havia como negar ou enrolar.

No quarto de empregada, dentro do guarda roupas, no fundo falso, dentro de um baú trancado. A chave ficava na cozinha, colada com durex na parte de fora da gaveta de talheres, por trás. Dentro do baú, tinha um fundo falso.

Iam publicar na internet e todo mundo iria conhecer.

O livro de receitas da minha avó, de onde eu tirava as receitas secretas do meu restaurante, que tanto faziam sucesso.

Não faziam mais tanto sucesso e a clientela caiu. Só não fechei o restaurante porque consegui inventar uma inédita e deliciosa sopa de tartaruga.