Rejeição a Maria

Durante o pouco tempo em que freqüento igrejas evangélicas, reparei uma coisa que me deixa intrigado: porque evangélicos não dão a mínima atenção à importância de Maria, mãe de Jesus, mas não param de falar em outros personagens bíblicos muito mais inexpressivos?

É um tal de unção de Sara pra cá, bênção de Isaque pra lá (coisa que eu vejo mais como crendice do que outra coisa, mas isso é papo pra outra hora), e também muitas pregações sobre, por exemplo, os homens que carregaram um paralítico para que Jesus o curasse (Marcos 2,3), a visita da rainha de Shebá a Salomão (2 Crônicas 9) ou o medo dos marinheiros que estavam no mesmo navio que Jonas (Jonas 1,5).

Não quero dizer que estas pregações não sejam importantes. Elas são sim, principalmente na oratória de alguém que saiba o que está falando e que saiba falar com clareza e mostrar coisas que nós às vezes não vemos.

O que me intriga é a quase negação da existência de Maria. Tudo bem que eu não tenho um "currículo" muito grande de pregações vistas, mas mesmo assim acho muito difícil eu encontrar alguém falando dela.

Eu tampouco concordo com os católicos que atribuem a ela poderes de intercessão ou o poder de realizar milagres, isso sem contar os mais de setenta nomes diferentes que ela tem, mas daí a ignorar o seu valor e nem sequer tocar em seu nome é muito esquisito.

Maria, afinal de contas, foi quem cuidou do nosso senhor e salvador. Se ela foi a pessoa escolhida por Deus para cuidar de Jesus, educá-lo e salvaguardá-lo até sua maturidade para que ele, então, pudesse assumir o seu papel, então alguma coisa de especial ela tinha, oras. Com certeza ela foi escolhida por ser uma mulher preparada para ser mãe. E que mãe! Afinal de contas, mesmo sabendo que tudo terminaria bem, ter um filho sabendo que ele está destinado ao sofrimento, à dor e ao suplício, e agüentar esta barra com força e firmeza não é pra qualquer uma. Maria é, com certeza, um belo exemplo de mãe, que deveria ser comentado e falado.

O que me parece é que evangélicos evitam falar em Maria, dar-lhe o devido valor e reconhecer sua importância porque, ao fazê-lo, correm o risco de serem confundidos com "católicos idólatras", justamente aqueles contra os quais costumam levantar suas bandeiras de guerra.

Será que um bom nome para isso seria preconceito?

O Pecado de Todos Nós - Capítulo Três - Parte Dois

(capítulo três, parte um)

Estávamos em fins de fevereiro e na nossa região o tempo permanecia bom e ameno como estivera em maio. Acordávamos todos os dias sob um Sol calmo e implacável. As árvores se iluminavam diariamente de um verde mais espesso e até mesmo as árvores frutíferas, embora sem uma única flor, estavam cheias de folhas. Mas o milho não medrava; as campinas jaziam sob um calor acastanhado debaixo de um céu polido, só permitindo que nascessem ervas espinhosas, impróprias como alimentação de homens e de animais. Algumas pragas desaparecidas havia anos com o cultivo constante tinham voltado, inexplicavelmente, e eram, com efeito, venenosas, de modo que mantínhamos os nossos grandes rebanhos fora dos campos. Nem os deixávamos ir aos olhos-d'água, que tinham secado havia muito. Haviam sido tragados pela terra, como se engolidos subitamente por algum gigante subterrâneo.

Tínhamos bastante feno guardado em nossos celeiros, e ração nos silos; alimentamos o gado como o alimentávamos no inverno. Mas, por qualquer motivo, o gado não engordava. Ficava agitado ao Sol, e reclamava, e sua carne mirrava. Os poucos bezerros nascidos no inverno adoeceram e morreram. O leite das vacas diminuiu, até termos apenas o suficiente para nós, um líquido ralo e azulado que quase não dava manteiga alguma.

- Bom - disse meu pai, com aquele humor sarcástico que era agora quase que um traço permanente nele - o Governo vai ter de desencavar aqueles milhões de quilos de manteiga que andou comprando dos fazendeiros e pô-los no mercado. Já notei que os armazéns a estão vendendo a preços de liquidação. Para manter as cidades tranqüilas, imagino.

O Governo não só tinha liberado a manteiga, como também os depósitos repletos do trigo que comprara aos fazendeiros. Mas durante muito tempo não soubemos disso. Tampouco sabíamos que tinham sido suspensas todas as exportações de trigo. Nos jornais não vimos nada sobre os milhões que morriam de fome na Índia e no resto da Ásia.

Meu irmão Edward não dizia nada. Trabalhava nas máquinas da fazenda, embora soubesse que o seu trabalho era inútil. Suas mãos moviam-se mais devagar e em sua fisionomia havia uma estranha quietude. Talvez porque os nossos filhos, alimentados com aquele leite ralo, azulado, engordavam pouco e choravam quase constantemente. De noite eu me deitava ao lado de minha mulher, Jean, e os ouvia, desanimado. E Jean, que sempre fora animada e cheia de alegria, chorava baixinho, penando que eu estivesse dormindo. O luar fazia um poço negro de seus cabelos sobre o travesseiro, e eu tinha vontade de tocá-los. Mas se o fizesse ela saberia que eu estava assustado e seria pior para ela.

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Continua...
O início

50 Semanas de Rock - Metallica

Eu tenho andado completamente sem tempo para escrever seja lá o que for, mas que fique registrado que Metallica é fodão e pauleirão, e que eu adorei conhecer a banda e seus discos, principalmente o gravado com a orquestra.

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Veja a lista de bandas que fazem parte das 50 semanas.

Um dos sites mais feios do mundo

Sim, eu sei que existem muitos sites feios por aí, mas o site Accept Jesus, Forever Forgiven merece uma menção honrosa. Até uma porra dum gato preto fazendo o moonwalk tem!

Dêem uma olhada lá no omedi.net que o Rodolfo tem um post sobre o assunto com alguns comentários incríveis.

50 Semanas de Rock - Marillion

A facilidade com que eu me engano com as bandas da lista das 50 é uma coisa impressionante. Assim como eu achava que Kiss era pesadão e descobri ser mais leve e quase pop, lá fui eu ouvir Marillion pensando que o som deles era metalzão porrada. E tome-lhe Marinho quebrando a cara, porque Marillion é ainda mais leve que Kiss.

Não consegui pegar muita coisa deles, apenas um disco de carreira (Misplaced Childhood) e um greatest hits, mas foi o suficiente para gostar do som dos caras.

Misplaced Childhood não é um disco espetacular mas tem seus bons momentos, carregando em todas as suas faixas uma sonoridade típica dos anos 80. (Engraçado é que eu achei que eles eram dos anos 80 antes mesmo de saber que estava certo). Childhood's End, Lords of the Backstage e Heart of Lothian são bons exemplos de música boa e agradável de ouvir. E, claro, não posso deixar de citar o grande sucesso Kayleigh, uma de suas músicas que eu já conhecia. Um detalhe interessante do disco é que todas as músicas são interligadas. No vinil isso deveria ficar muito legal de se ouvir. Ah, outra coisa: o vocal me lembrou muito Phil Collins.

E há também o greatest hits, que não sei se é um disco simples ou duplo, mas que chegou pra mim dividido em duas pastas separadas. Parece que é duplo, o que fez bastante sentido, porque as duas pastas têm sonoridades bem diferentes. A primeira delas traz algumas músicas do Misplaced Childhood, como Kayleigh, e não tem muita coisa que chame a atenção além disso.

O bom mesmo está na segunda pasta, que parece ser uma fase posterior da banda, e aí é que eu gostei de ouvir. Não há praticamente nada de rock ali, mas apenas um excelente pop. Simplesmente todas as oito músicas são boas pra caramba: Cover My Eyes abre muito bem o disco. Tenho a impressão de que já a ouvi antes, mas talvez seja porque eu ouvi este disco até cansar. No One Can mantém um bom ritmo, abrindo espaço para Dry Land, com um vocal fodão e um solo de guitarra pra lá de gostoso de ouvir. É uma das minhas favoritas. Em seguida vêm Sympathy e Alone Again in the Lap of Luxury, que são o tipo de música que eu ouço o dia inteiro sem cansar.

Continuando vem Beautiful, outra que eu já conhecia e que, não entendi porque, não está entre as mais ouvidas da banda na last.fm. Pra mim, esta música tinha feito bastante sucesso e era uma das mais famosas deles. Vou apelar para o clichê do trocadilho infame e dizer que Beautiful é simplesmente beautiful. Logo após ela vem a primeira música destas 50 semanas na qual eu me viciei: Man of a Thousand Faces. Puta merda, que solo espetacular de piano que ela tem. Há cerca de dez dias eu escuto essa música umas seis vezes por dia. Fodona pra demais da conta. O disco fecha, então, com Between You and Me, que também é muito bem acabada, dançante até.

Taí outra semana que entra para a lista das mais proveitosas. É uma pena eu só ter conhecido Marillion agora, mas antes tarde do que nunca. Não perca!

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Veja a lista das bandas que fazem parte das 50 Semanas.

A Corregedoria é Linda: Pedindo Ajuda

Sim, eu já saí do cartório há mais de três meses, mas eu ainda tenho boas histórias sobre a Corregedoria pra contar. Vocês não acharam que em cinco anos de trabalhos elas seriam poucas, não acharam?

Pois bem, fora todo o trabalho que têm que fazer para atender o público, os cartórios são obrigados a fazer um livro chamado Livro Adicional, onde é feito um tipo de resumo de todos os serviços feitos no cartório, diariamente. A história deste livro em si eu vou contar em outro artigo, mas a história de hoje tem a ver com ele.

Quando, certo dia, o modelo do livro foi modificado, eu fiquei com uma série de dúvidas em como preencher todos os campos que o modelo trazia. Eu, então, mui pacientemente, fiz uma lista com todas estas dúvidas e liguei para a Corregedoria. Depois de falar com umas sete pessoas diferentes e ser transferido entre quatro ou cinco departamentos, consegui falar com uma mocinha, cujo nome nem me lembro mais. O diálogo que se seguiu foi esse:

- Pois bem, sobre este novo modelo do Livro Adicional, eu estou com algumas dúvidas.
- Pode falar.
- Não tem onde colocar revogação de mandato.
- Tem sim.
- Não, não tem.
- Tem sim, senhor.
- Não, não tem.
- Peraí que eu vou ver.
[ barulho de papéis sendo remexidos ]
- Ih, realmente não tem...
- Pois é.
- A gente sempre esquece alguma coisa, né?
- Pois é.

Depois de se enrolar por alguns minutos e pedir ajuda de algum superior, ela disse que era para eu lançar as revogações em um outro item qualquer lá e já ia se despedindo:

- Então tá resolvido, a Corregedoria agradece a sua ligaç..
- Mas tem mais coisa!
- Ah, tem?
- Tem.
- Então, faz favor, pergunta coisa mais fácil, tá?

É mole? Os caras criam um modelo que devíamos seguir e quando nós temos dúvidas sobre o dito cujo, eles simplesmente não sabem como ajudar e ainda acham nossas perguntas difíceis. Esta menina que me atendeu deve ter ido pra casa com dor de cabeça, porque eu tinha mais de dez dúvidas para tirar e ficamos no telefone por cerca de uma hora.

A Corregedoria não é linda?

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Leia outros artigos da série A Corregedoria é Linda.

Índice de Artigos da Série A Corregedoria é Linda

14/02/2008 - A Palestra
22/02/2008 - A Qualidade do Site
04/03/2008 - A Troca de Endereço do Site
18/03/2008 - O Suporte Técnico
06/05/2008 - R$ 14,00 a Mais é Pouco
17/07/2008 - Pedindo Ajuda

Links Diversos, Variados e Sortidos

Como Abandonar a Profissão do Design, desabafo fabuloso do meu xará Mário AV, um dos caras mais fodas que já vi por aí. Não que eu esteja pensando em trocar de profissão, mas troquem design gráfico por análise de sistemas e vocês terão um pouco do que eu penso sobre a minha área.

Com medo que roubem o seu pen drive? Que tal fingir que ele está quebrado?

Estas dicas aqui buscam ajudar a tirar boas fotos de fogos de artifício, mas minhas leitoras inteligentes saberão usá-las para outras paisagens.

Um Pequeno Anjo, ótimo e lindo conto da minha professora de bancos de dados orientados a objetos. Mais uma prova que o pessoal da informática, mal-conhecidos como de exatas, podem ser poetas. Foi uma das melhores coisas da pós até hoje.

Redes Peer-to-Peer, um texto meu que está concorrendo em uma promoção e que eu peço a vocês o favor de ir lá e avaliar o bichinho com nota cinco.

Celine Dion mostrando porque é uma das melhores cantoras do mundo, na música Le Ballet. Puta merda, eu era fã da mulher e não sabia que ela era capaz dessas coisas.

Para comemorar a primeira apresentação no estado de Vermont, nos Estados Unidos, uma sorveteria de lá criou o sorvete sabor Elton John.

Tem um link interessante? Contribua! Mande mim que ele entra em uma compilação destas.

Assuntos importantes que não foram abordados na minha faculdade

Por mais que na faculdade de análise de sistemas se aprenda muita coisa e se tenha muitas indicações sobre quais caminhos a seguir e quais coisas são importantes, alguns assuntos não foram bem abordados e outros nem foram tocados. Só depois de ter me formado e começado a trabalhar profissionalmente na área é que vi estas deficiências. Se você está cursando uma faculdade que ainda não te ensinou isso e nem há previsão destes assuntos na grade curricular, é bom você começar a buscar informações por conta própria:

Controle de versão
Uma das piores coisas que pode acontecer é você pegar um sistema, modificá-lo, seja para criar uma nova versão, corrigir um bug ou prosseguir com o seu desenvolvimento, fazendo alguma mudança grande que não dê certo para em seguida descobrir que não lembra como estava antes. Ter um backup do código e da documentação anterior para salvar sua pele é uma das finalidades do controle de versão. Não é apenas isso, mas só este exemplo já mostra a grande importância do tema.

Mesmo com tanta importância, o assunto não foi nem mesmo citado durante as minhas aulas. Sei que existem programas que fazem este controle automaticamente, o que é uma mão na roda, mas ainda não aprendi a usá-los, o que é tema de uma série de estudos que quero começar em poucas semanas.

Atualmente, o meu Personal Versioning Controlator funciona da seguinte maneira: cada programa que eu desenvolvo tem, em sua árvore de diretórios, uma pasta chamada Versões. Sempre que eu dou uma versão do sistema como terminada, mesmo que seja uma sub-versão para correção de um bug ou para adequação às minhas convenções de desenvolvimento, eu faço uma cópia compactada de todo o código e de toda a documentação e guardo nesta pasta. O nome do arquivo compactado é o número da versão sendo guardada. Como extra, neste mesmo arquivo eu incluo observações sobre o que foi implementado a mais na versão.

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Testes
Nós tivemos uma cadeira de testes de software na faculdade, mas foi muito superficial. Eu acho que teria sido muito mais interessante se nós tivéssemos à mão um programa já pronto e cheio de bugs e problemas para que pudéssemos testar de acordo com os métodos que estavam sendo ensinados.

Não é uma questão apenas de rodar o programa e ver se está tudo funcionando direito, mas sim de fazer testes profundos e organizados, seguindo uma metodologia específica e bem explicada.

Hoje eu já descobri que existem programas que testam programas. Ainda não aprendi a usá-los e tampouco vi a cara de algum deles, mas pretendo preencher esta lacuna assim que possível.

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Criando instaladores
Pois bem, você cria sua bela e bem feita aplicação, faz os testes (mesmo que não de forma profissional) e vê que está tudo pronto para instalar na máquina do seu cliente ou para ser colocada à disposição para download em seu site, mas como fazer com que seu programa tenha, automaticamente, um ícone no menu Iniciar do Windows, uma sub pasta em Arquivos de Programas e apareça na lista de programas que podem ser desinstalados?

Eu também não tinha idéia de como fazer isso quando terminei a faculdade, e até mesmo um professor me deu uma dica que não é das mais bonitas. Assim como nos outros casos citados acima, descobri que existem programas que fazem isso. Um bom exemplo é a dupla gratuita Inno Setup e ISTool.

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Padrões de acesso a dados
A maioria dos programas que fazemos tem alguma forma de acesso a bancos de dados ou arquivos, mas em momento nenhum da faculdade eu tive alguma orientação sobre qual a melhor maneira de recuperar ou gravar estes dados. Drivers ODBC? Um ou outro padrão de projeto? Nah, nem sombra de alguém comentar sobre este assunto crucial.

Com o passar do tempo fui adquirindo experiência e desenvolvendo uma solução pessoal que, mesmo sendo razoavelmente aceitável, sei não ser a melhor. Recentemente eu comprei um livro sobre o assunto que promete me ajudar bastante. Espero que a pós também dê alguma informação útil também.

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Ajuda
Todos os programas têm um arquivo de ajuda! Desde colossos gigantescos como o Windows até programas simples como o Bloco de Notas. Mas e o seu? O que acontece quando o usuário aperta o botão F1? Se os seus programas são iguais aos primeiros que eu fiz, com certeza, nada.

Não consigo conceber uma explicação decente para o fato de um assunto tão importante não ter sido sequer mencionado durante as aulas que tive. Há poucas semanas eu descobri um ótimo programa gratuito que gera arquivos de ajuda do Windows, seja em formato CHM, HLP e até mesmo em PDF, que atende pelo singelo nome de Help Maker. Aos poucos estou aprendendo como fazer a ligação entre os arquivos de ajuda que gero e os programas que faço, de forma a exibir alguma de suas páginas quando os usuários apertam F1. Está dando trabalho, mas já é melhor que nada.

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Diferenciação de UML e projeto orientado a objetos
Por fim, aí está uma das maiores falhas que vi na faculdade: não ensinar aos alunos a diferença entre UML e projeto orientado a objetos, fazendo com que todos os meus colegas digam que programam em UML. O pior é que este é um equívoco que não acontece apenas com eles: até mesmo uma professora da minha pós graduação tem um livro chamado Desenvolvendo Aplicações com UML!

Esta discussão é assunto extenso demais para ficar aqui neste artigo, mas vale comentar que acho triste ver tanta gente confundindo conceitos tão importantes. Craig Larman, autor do excelente livro Utilizando UML e Padrões, escreveu o artigo What UML is and isn't, que é uma ótima explicação desta diferença e merece uma lida. Como não consegui encontrar uma cópia dele na internet, vou preparar uma tradução para colocar aqui no Sarcófago.

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Pois bem, eis aí os vacilos do meu curso de sistemas de informação. Apesar de ter sido muito bom e eu ter tido excelentes professores, ele, como tudo no mundo, não foi perfeito. Sorte que eu sei quais são as lacunas em branco e posso correr atrás para preenchê-las.

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Leia outros artigos meus sobre análise de sistemas

50 Semanas de Rock - Little Richard

Little Richard rendeu uma das semanas mais divertidas até aqui e ao mesmo tempo foi um pouco frustrante. Primeiro explico o motivo da frustração: eu baixei quatro discos dele, totalizando 60 músicas. Mas qual foi a minha surpresa quando vi que na verdade haviam apenas 29 faixas diferentes, menos da metade!

Fui fazer a conta e descobri que sete músicas apareciam em dois discos, seis apareciam em três deles, e quatro músicas estavam nos quatro discos! Aí você junta com isso o fato que as músicas dele têm em média dois minutos, e o resultado é que em uma hora eu já tinha ouvido tudo o que tinha conseguido dele. Como eu ouço as bandas das 50 semanas durante a viagem para o serviço, bastou um dia para que eu ouvisse tudo duas vezes, e aí começou a ficar chato.

Mas de frustrante foi só isso, porque eu esperava ouvir mais coisas. Só que isso não impediu de a audição ser divertida, porque Little Richard é o responsável por uma batelada de clássicos que animam qualquer festa e que com certeza vou guardar aqui no meu computador para ouvir de vez em quando. Várias destas músicas eu já tinha ouvido no cd chamado Jive Bunny and the Mastermixes, com mixagens de músicas antigas - anos 50 e 60 - fazendo um pot pourri genial. E outras várias são aquelas que todo mundo conhece, até os surdos.

Praticamente todas essas são músicas meteóricas, curtas, que começam já pauleira e seguem frenéticas até seu final, volta e meia apoteótico. Das famosíssimas posso citar Tutti Frutti, Good Golly Miss Golly, Keep A-Knocking e Lucille (esta gravada até mesmo por Raul Seixas). Talvez você não conheça estas aí pelo nome, mas com certeza se ouvir o início delas já saberá quais são. Claro que ele não se resume a estas. Há muitas outras muito legais, como Rip it Up, Ready Teddy, Heeby Jeebies, Jennie Jennie e She's Got It.

Uma coisa interessante sobre ele é que ele fazia rock sem guitarra. A maioria das músicas tem a base de piano, bateria e metais. O som rasgado da guitarra era muito bem substituído pela voz de Richard. Algumas poucas que têm a participação de uma guitarra são Goodnight Irene e Whole Lotta Shaking Going On, e também sua versão de Hound Dog, clássica do Elvis.

Enfim, é muito bom, muito divertido. Não é o rock que temos hoje em dia, e é um tipo de música que não se faz mais, mas ainda agita bastante. Todo mundo deveria conhecer.

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Veja as outras bandas que fazem parte das 50 semanas.

O Pecado de Todos Nós - Capítulo Três - Parte Um

(capítulo dois, parte quatro)

Os jornais, até mesmo os semanários do interior, pareciam ignorar os fazendeiros. As revistas agrícolas, também, mantinham-se estranhamente silenciosas. Sabemos hoje que Washington as havia aconselhado a não publicarem nada sobre as coisas que estavam acontecendo. Receava-se o pânico, não tanto no campo quanto nas cidades. Talvez Washington estivesse com a razão. Nas cidades o pânico espalha-se com facilidade.

Washington calava-se. O Congresso se reunia e discutia a quantidade provável de bombas atômicas e de hidrogênio que a Rússia estaria produzindo. Falavam sobre os aliados e sobre os direitos humanos e investigavam o tráfico de entorpecentes e o futuro da Organização das Nações Unidas. Falavam sobre tudo menos sobre o que predominava em seus pensamentos.

E durante todo esse tempo a terra continuava estéril, exceto pelas árvores sem frutos, e o solo secava e voava em tempestades marrons sobre a terra. Não chegava uma só palavra das outras capitais do mundo, nem uma palavra viera, ainda, da Rússia. Havia apenas um indício significativo que milhões de leitores não percebiam, em seus jornais: a beligerância estava começando a desaparecer entre os delegados da Organização das Nações Unidas e as conversas tornavam-se abstratas e discretas. Nem mesmo a menção de novas bases terrestres e navais para os aliados do ocidentes provocou os habituais comentários irritados de parte dos russos. Aliás, ele não fizeram comentário algum.

Muito tempo depois viemos a saber que o "celeiro" da Rússia - a Ucrânia - não estava produzindo trigo algum, e que as intermináveis fazendas coletivas estavam tão ressecadas e estéreis quanto a nossa. Em todas as regiões do globo a terra recusava-se a frutificar. Mas por enquanto uma conspiração de silêncio pairava sobre o mundo.

E o Sol brilhava num céu sem nuvens e os rios baixavam e os mares se encolhiam e os riachos e regatos secavam e as montanhas se crestavam e os vales se amarelavam... em todo o mundo.

A terra nos odiava, a terra violada, a terra fiel, a terra explorada e gentil. A terra resolvera que tínhamos de morrer, e todas as coisas vivas e inocentes conosco. A terra nos amaldiçoara. Nossas guerras e nosso ódio haviam finalmente revoltado a terra sábia.

Não sabíamos, então, que éramos acusados como inimigos irreconciliáveis da vida...

***


Continua...
O início

Meu Colega de Trabalho Genial: Explicando Onde Mora

Quando ainda trabalhava cartório eu sempre tinha boas histórias para contar do meu colega genial, responsável pelas ótimas pérolas que publico aqui de vez em quando. Aqui vai mais uma delas.

Certo dia, ao telefone, ele foi explicar para alguém onde ele morava. Antes de contar a vocês o que ele falou, dêem uma olhada neste mapa:



Palavras dele: eu moro atrás do Colégio Zulmira.

Legal, não? Pois é, quando a ligação terminou, fui falar com ele e aí então ele me explicou:

- Cara, atrás do Colégio Zulmira é a marmoraria.
- Ah, mas se você vier pela estrada da marmoraria, você vai passar primeiro pelo colégio, então é atrás.

Ah, tá.

***


Leia outras histórias do meu colega de trabalho genial

Índice de Histórias do Meu Colega de Trabalho Genial

Se você gosta de ler as histórias sobre meus colegas de trabalho geniais e perdeu algum post ou simplesmente quer reler para rir novamente, este post é um índice para todas as histórias que já publiquei no blog.

No início da série eram apenas histórias do colega do cartório, mas depois que passei pela Prefeitura de Nova Friburgo resolvi estender a série a qualquer um que fale besteiras perto de mim.

Vou ter assunto ad-eternum.

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19/02/2008 - O Nome Sem Acento
07/03/2008 - O Endereço da Caixa Postal
19/03/2008 - Seis ou Meia
08/07/2008 - Explicando Onde Mora
27/08/2008 - Bola de Cristal
16/10/2008 - A Impressora

50 Semanas de Rock - Led Zeppelin

Para marcar a metade das 50 semanas de rock - sim, esta é a vigésima quinta - nada melhor do que a banda que é considerada por muitos como a melhor de todos os tempos. Eu queria baixar mais cds deles, mas só consegui três: o primeiro, chamado Led Zeppelin I, o quarto, chamado Led Zeppelin IV, e Physical Grafitti, duplo.

O primeiro deles já traz logo na segunda faixa uma das poucas músicas que eu já conhecia do Led: a fodáxima Babe I'm Gonna Leave You, simplesmente a segunda melhor que ouvi deles. A maior parte das faixas tem uma puxada blues bem forte, como Dazed and Confused e I Can't Quit You Baby. Isso sem contar os deliciosos solos de guitarra, como os de Communication Breakdown e Good Times Bad Times. Sem dúvida, um ótimo disco.

Já o disco IV é bem mais rock. Começando com a faixa de abertura, que é puro rock até no nome: Rock and Roll. Mas ele não é só pauleira, tem a balada Going to California, e também The Battle of Evermore, que me lembrou muito os Beatles. When the Levee Breaks começa bem pra cacete, com um riff na bateria maneiríssimo, acompanhado logo em seguida com um solo de gaita matador, só é pena que não mude muito durante seus longos sete minutos. Por sua vez, Black Dog e Four Stick são bons rockões. Por fim, enfim, está a fabulosa e eterna Stairway to Heaven, da qual simplesmente não há muito o que falar: simplesmente perfeita. Ainda vou tirar o início desta música no teclado.

E o disco Physical Graffiti é meio esquisito e não achei ele tão fodão assim. Claro, tem Kashmir, que conheço de algum filme que não lembro qual é, e que tem um riff muito legal, mas as músicas me soaram muito parecidas e muito repetitivas.

Terminei a semana um pouco frustrado, pois esperava muito mais do Led Zeppelin. Dada toda a fama dos caras, achei que iria terminar esta etapa empolgadíssimo com a banda, mas fiquei com a sensação de que peguei os discos errados para ouvir. Led é bom sim, mas, sei lá, um disco errado no início pode afastar algum possível novo fã. Vou ouvir mais coisas deles mais tarde, mas sem pressa, com certeza.

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Veja a lista de bandas que fazem parte das 50 semanas.

Crônica: Exílio

Nós já fomos importantes. Representávamos o ideal de muitas pessoas, e trazíamos em nós a marca de momentos grandes e importantes da vida, de alegria e de conquista. As pessoas buscavam em nós a lembrança destes bons momentos, não apenas por saudade ou nostalgia, mas para manter viva a memória.

Hoje, depois das brigas e dos maus momentos, fomos expulsas do convívio social. Fomos proibidas de dar as caras para evitar que estas mesmas memórias sejam responsáveis por lágrimas escorrendo e que feridas recém-cicatrizadas sejam reabertas.

Hoje vivemos exiladas em caixas bolorentas no fundo de um guarda-roupas.

Tipos de Música

Para mim, existem dois tipos de música. Vejam bem, não estou falando de gênero musical, e sim de tipo. Quando falamos de gênero estamos falando de rock, samba, valsa, choro, reggae. Mas este artigo é sobre algo diferente: os tipos de música.

O primeiro deles é o que chamo de música de consumo. É aquela música que você bota para tocar enquanto está trabalhando ou estudando, aquela que toca no rádio do carro durante uma viagem, aquela que rola nas pistas de dança de sábado à noite. Música de consumo não exige muita atenção, basta apenas colocar para rolar e curtir quando você não está prestando atenção em mais nada.

Não que músicas de consumo sejam ruins. Algumas são, mas nem todas. Elton John tem música de consumo, Maria Rita tem música de consumo, a maioria das músicas de Djavan é de consumo. Todos os sucessos que tocam nas rádios são músicas de consumo.

O segundo tipo de música eu chamo música de degustação. Uma música deste tipo pode até servir para ser ouvida durante o trabalho, mas acho que nunca numa balada. Música de degustação exige atenção, para que você possa perceber todos os nuances e detalhes escondidos por trás dos instrumentos.

A maioria das músicas clássicas e instrumentais é música de degustação. Não dá pra ouvir o Bolero de Ravel sem parar - realmente parar - para escutar. Mas o rótulo não é exclusivo das músicas clássicas. O que é Ben Barden senão música de degustação? Há muitos rocks que são músicas para degustação, como por exemplo The Warning, do Black Sabbath; Blue Turk do Alice Cooper; Brothers in Arms do Dire Straits.

E, claro, música de degustação exige educação, ou maturidade musical, como queiram chamar. Não adianta tentar colocar um pagodeiro fuleiro pra ouvir os discos de Olivia Byington, ou Puro Prazer, de Zizi Possi, que o resultado é zero.

Eu criei esta tipificação das músicas baseado nos vinhos: li certa vez que há os vinhos de consumo e os vinhos de degustação. Vinhos de consumo são aqueles fabricados aos baldes e que você ganha no final do ano na empresa. Vinhos de degustação são aqueles bem trabalhados e encorpados, que ficam anos e anos envelhecendo em barris de carvalho, e que você toma em momentos especiais e realmente se concentra nele buscando sentir de verdade o seu gosto.

Não que um tipo seja melhor que o outro. Eu gosto tanto de ouvir os sucessos na rádio quanto viajar ao som de Beethoven. Os dois tipos não se excluem. Só que cada um tem o seu momento.

Que Caminho Tomar na Faculdade de Análise de Sistemas?

Há um tempo atrás uma leitora deixou um comentário aqui no Sarcófago, no artigo Dica para escolha de projeto final em faculdade de Análise de Sistemas:

"Oi Mário! Tudo bem? Meu nome é Tatiane e preciso fazer um projeto. Mas o que está ocorrendo é que eu ainda estou no terceiro período e não sei programar muito bem. O que c me aconselharia a fazer?"

Pois bem, Tatiane, se você ainda está no terceiro período isso é bom porque você ainda tem tempo suficiente para decidir no que focar seus estudos. É claro que você, enquanto faz a faculdade, tem que dar atenção a todas as matérias e não deixar nada passar em brancas nuvens, mas é bom, desde cedo, começar a se analisar e descobrir em qual área gosta mais de trabalhar.

Hoje em dia a informática está muito parecida com a medicina: existe um conhecimento básico que é comum a todos os profissionais, mas cada um se especializa em uma área específica. Tem gente que é focado em programação, outras em design, outras em bancos de dados, ou em web, ou em segurança, ou em qualquer uma das outras muitas possibilidades que esta área nos proporciona.

Eu, por exemplo, estou me direcionando para bancos de dados, tanto que minha pós é na área, mas ainda tenho uma forte queda por programação e análise. Vamos ver como isso fica no futuro. Mas não vou me distanciar da resposta à sua pergunta.

Você disse que não sabe programar muito bem. Se o seu interesse é programar Bem, assim mesmo, com letra maiúscula, o melhor que você pode fazer é cair de cabeça em uma linguagem específica. Fica tentando aprender um monte de coisa em cada uma delas só faz você perder o foco.

É importante, sim, conhecer por alto as linguagens mais usadas, para poder ler programas escritos por outras pessoas. Isso acontece muito comigo: eu programo em C++ com orientação a objetos, mas no meu atual emprego tenho que lidar com muito código fonte em Delphi estruturado. São duas linguagens e dois paradigmas diferentes, mas eu tenho um conhecimento mínimo necessário para pelo menos entender o que os velhos programas fazem. Só não me peça para programar um Alô Mundo em Delphi que eu não consigo.

Voltando, se você quer programar bem, existem várias linguagens nas quais você pode focar. PHP está ganhando espaço cada vez mais, substituindo em muitos lugares o ASP, e, aliado ao MySql, está se tornando a menina dos olhos de muitos programadores. Outras opções fortes são o Action Script 3.0, para flash, que está muito bom nesta terceira versão, e também Java ou Ruby, todas voltadas para programação web. Para ambientes desktop, C++, Delphi e VB são boas opções.

Mas e se você não quiser ser uma programadora excepcional? A execução de um projeto final passa longe de ser apenas programação, embora muitos só fiquem nela. Há muito de análise e design para fazer, muitos bancos de dados para se planejar, interfaces de usuários para desenvolver, documentação a criar, e todo o projeto a ser gerenciado. Isso sem entrar em muitos detalhes. Basta você escolher, pois opção é o que não falta.

Na época de fazer o projeto, é muito importante também escolher com quem fazer. Não vá nessa de fazer com os melhores amigos só porque são os melhores amigos. Aquilo ali é um trabalho sério e é muito mais importante você se juntar com gente competente e que tenha competências que você não tem, e que não tenha as competências que você tem, de forma que possam se completar e formar um time coeso.

Quando eu estava terminando a faculdade, uma dupla de amigos estava fazendo o seu projeto também, e cada um fazia uma parte diferente: o Douglas cuidava de toda a programação e o Tiago lidava com o design e toda a parte burocrática da coisa. Se deram bem e foram aprovados com uma nota espetacular.

Uma coisa importante, em qualquer caso é: para se preparar, não fique apenas com o que os professores ensinam na sala de aula. Sempre que puder, faça alguma coisa por fora. Crie um programinha bem simples, só pra praticar. Crie outro. Leia livros, sites e blogs sobre os assuntos que te interessam. Isso parece papo de aluno nerd que gosta de se mostrar para o professor, mas posso te assegurar que, na nossa área, é o melhor a se fazer, pois quanto mais você aprende, mais vê que ainda pode melhorar muito.

Resumindo, meu conselho pra você é: descubra o que gosta e caia de cabeça. Qualquer coisa mais, estamos aí.

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Veja outros artigos que já escrevi sobre análise de sistemas e afins

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Artigos Sobre a Profissão de Analista de Sistemas

Como volta e meia escrevo artigos sobre a profissão de analista de sistemas, falando sobre métodos de trabalho, sobre a faculdade, livros, etc., e como tenho vários artigos prontos para serem publicados no blog, este post vai servir de índice para reunir em um só lugar os links para todos estes artigos. Espero que lhes seja útil.

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27/09/2007 - Amadores e Profissionais
15/10/2007 - Programar Pode Atrapalhar Sua Vida
16/02/2008 - Dica para escolha de projeto final em faculdade de Análise de Sistemas
27/02/2008 - Mitos da Faculdade de Análise de Sistemas: Matemática
01/07/2008 - Que Caminho Tomar na Faculdade de Análise de Sistemas?
15/07/2008 - Assuntos importantes que não foram abordados na minha faculdade
15/08/2008 - Mitos da Faculdade de Análise de Sistemas: Hardware
21/08/2008 - Respondendo ao Leitor (sobre a profissão)
02/10/2008 - Mitos da Faculdade de Análise de Sistemas: Word, Excel e Corel Draw
16/11/2009 - Profissionais Leem Livros
30/11/2009 - Minha Biblioteca Técnica - Parte I
07/12/2009 - Minha Biblioteca Técnica - Parte II
18/12/2009 - O que é software de qualidade?