Nota sobre racismo

Um conhecido reagiu a um assalto e foi espancado por seis bandidos. Disse ele sobre o episódio:

- Eram quatro brancos e dois pretos. Devia ser o contrário! Mais preto que branco.

Comecei a achar que apanhou pouco.

A Aranha Pavão


A natureza tem mais coisas curiosas do que jamais conseguiremos ver. Você sabia que na Austrália existe uma aranha do tamanho de um grão de arroz cujo macho levanta o abdômen do mesmo jeito que um pavão e então fica fazendo uma dancinha do acasalamento para tentar conquistar uma parceira? Achei fantástico. Vejam o vídeo.



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Encontrei este vídeo no blog Rainha Vermelha (que, aliás, é um excelente blog, que vocês deveriam ler)

Coisas que Ando Ouvindo

Ultimamente tenho descoberto um bando de artistas e bandas que estão cantando por aí mas que eu nunca tinha ouvido falar ou dado a devida atenção. Tô experimentando de tudo e compartilho com minhas leitoras o que tenho achado:

Ana Cañas. Por recomendação do last.fm, baixei os seus dois discos e gostei. Não é genial mas também não é ruim. É MPB agradável de se ouvir, graças à sua voz bacana. Tomara que ela produza mais coisa.

Renascer Praise. Outra recomendação do last.fm. Baixei e não aguentei passar da quarta música. Achei chato demais.

Vanessa da Mata. Nunca tinha parado para ouvir com atenção nada que ela tinha feito. Baixei seu disco mais recente, Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias e gostei bastante. Quero mais.

O disco Fé na Festa, do Gilberto Gil eu achei chato demais. É forrozinho do início ao fim, legal de se ouvir numa festa ou na Feira dos Paraíbas, lá em São Cristóvão, mas não é coisa que eu ponha pra tocar voluntariamente.

O disco Fool’s Paradise, do banda de rockabilly The Head Cat, que é encabeçada pelo vocalista do Motorhead, Lemmy, também não é muito legal. Acho que não sou muito chegado neste estilo mesmo.

O disco Poeta da Cidade, de Martinho da Vila, é um trabalho mediano. Neste disco ele gravou músicas do Noel Rosa e canta, aparentemente, com suas filhas. Não é aquela coisa de “oh, que disco fantástico”, mas também não é de se jogar fora.

Rita Ribeiro. Tinha ouvido apenas uma música cantada por ela e achava legal, então baixei um de seus discos mais recentes, chamado Tecnomacumba. Ele tem momentos excelentes, como Oração ao Tempo, Deusa dos Orixás e É d’Oxum, mas no geral não é legal. Eu não tenho preconceito com o candomblé, e não esquento com músicas que falem de suas entidades, mas o disco é cheio de pontos que parecem saídos direto de uma celebração religiosa, e isso não me agradou.

Randy Travis. Eu tenho no meu computador um MP3 do Randy Travis há mais de uma década, quando baixei a música por engano achando que era uma outra. A música dele que tenho é muito boa, numa versão acústica, e só agora resolvi conhecer um pouco mais do cara. Baixei uma coletânea e é o bom e velho country americano. Muito bacana. Mas ainda sigo achando que country é quase tudo igual.

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Logo logo tem mais uma penca de artistas. E vocês, o que tem ouvido?

Rock in Rio: Eu Fui

Como amante de música e grandes eventos, eu sabia que iria ao Rock in Rio 2011 em algum de seus dias, mas já estava com tudo decidido quando anunciaram que Elton John iria participar. Este post é um resumo de tudo o que vi e vivi naquele 23 de setembro.

Desconfiado com o alto preço do RioCard feito especialmente para o evento, eu decidi ir de ônibus comum mesmo. Saí do serviço às 11 da manhã e peguei um ônibus no Centro do Rio de Janeiro com destino à Cidade do Rock. Cheguei lá bem rápido e por volta de meio dia e meio eu já estava torrando embaixo do sol, na fila.

Coisa rara de acontecer, os portões foram abertos na hora marcada, e às duas e dez eu já estava lá dentro. Aproveitando a fila pequena, dei uma volta na roda gigante e apreciei uma belíssima visão do Palco Mundo e de tudo o que havia em volta. Dei uma volta pela Rock Street, muito bonita de se ver, com mágicos, banda ambulante e palco com músicos de jazz. Se não quisesse ir para a turma do gargarejo tão cedo, teria ficado por ali um bom tempo curtindo o ambiente.

A Cidade do Rock ficou realmente espetacular. É muito maior do que parece na TV e nas fotos. Outro ponto a favor da Cidade do Rock foram os banheiros: enormes e limpos. Nada daqueles tenebrosos banheiros químicos. Depois de algumas voltas, lá fui eu para a turma do gargarejo esperar os shows, ouvindo os bons rocks que saíam dos alto-falantes - teve de Beatles a Dire Straits.

O Show de Abertura

Novamente o horário foi seguido à risca e a abertura oficial do festival começou exatamente às sete. Engrosso o coro do pessoal que diz que Milton Nascimento não mandou bem com Love of My Life. Ele é um cantor espetacular e a música é fantástica, mas a combinação não ficou legal.

Já o trio Titãs - Paralamas - OSB tirou onda com uma sequência arretada de rocks pauleira. Todos estão de parabéns, em especial os músicos da OSB que demonstravam estar muito empolgados por estarem ali (antes da apresentação começar, vários vieram à beira do palco saudar o público, que respondia com animação).

Este show me lembrou um pouco do show dos Paralamas quando eles abriram o show do The Police no Maracanã: estavam ali para um show de rock e foi isso que entregaram. Quase sem baladas, com a adrenalina lá em cima. Destaque para Polícia e Lorinha Bombril.

Claudia Leitte

Sinceramente, eu não sabia o que esperar da Claudia Leitte, e saí do show relativamente satisfeito. Não foi um show espetacular mas teve seus bons momentos. Azar da Claudia Leitte que os melhores momentos foram quando ela cantou música de outros artistas: Taj Mahal do Jorge Ben Jor, Satisfaction dos Stones, Telegrama do Zeca Baleiro e Dancing Days do Lulu Santos.

E foi no show dela o pior momento da noite, com a terrível Corda do Caranguejo. Eu nunca tinha ouvido essa música e quando entendi, graças às imagens no telão, o que iria acontecer, senti que aquilo não cheirava bem. Trocentas mil pessoas pulando freneticamente de um lado para o outro não fez bem ao pé de ninguém.

Kate Perry

Quando ficou decidido que eu iria no primeiro dia do Rock in Rio, baixei um dos discos da Kate para saber o que me esperava e não achei lá grandes coisas. Conhecia duas músicas mas nada chamou muito atenção. Com isso, cheguei no show achando que não gostaria muito.

E sabe que foi bacana? Como espetáculo, o show dela foi o melhor da noite. Muita interação com a plateia, raios laser, trocas mágicas de roupas ali no palco mesmo, na frente de todo mundo e, claro, fogos de artifício para combinar com o grand finale que foi a música Fireworks. Até mesmo antes do show começar a coisa foi divertida, com um casal de dançarinos que subiu ao palco e ficou jogando o que pareciam ser bichos de pelúcia para a plateia.

Elton John

O momento mais esperado da noite foi, claro, o melhor pra mim. Por estarmos no Rock in Rio, eu esperava que fossem tocados mais rocks do que baladas, mas alguns petardos acabaram ficando de fora (Pinball Wizard e Monkey Suit eram duas que fariam bonito no show).

De qualquer maneira, um show do Elton John sempre é bom pra mim. Começou com rock - com Saturday Night's Alright for Fighting - e terminou com rock - Crocodile Rock. E ainda teve Hey Ahab no meio, que é a minha música favorita do seu último disco, The Union.

Mas se o show foi bom, assisti-lo foi um suplício. Primeiro porque eu já estava há mais de seis horas em pé no mesmo lugar, cansado demais, segundo porque muitos que estavam esperando a Rihanna estavam hostilizando o cara. Teve gente que sentou no meio do show, na frente do palco, e uma menina do meu lado não parava de xingar e mandar o Elton John ir embora a cada fim de música. Ela não foi a única.

Deu pra ver claramente que o Elton John percebeu isso e cortou duas músicas do setlist. Uma foi Take Me to the Pilot - mais um rock! - e a outra foi Your Song. Justo ela, a música mais famosa dele, que ele afirma ter tocado em mais de 90% dos seus shows, ficou de fora, no bis que não aconteceu.

Pessoal do contra à parte, foi um show excelente. Hits do início ao fim, Skyline Pigeon de presente para a plateia brasileira, rocks para divertir e baladas para emocionar. Como é um festival, teve de ser mais curto, claro, e durou só uma hora e meia, ao invés das duas horas e quarenta minutos habituais, mas foi inesquecível. De lambuja ainda consegui fotos excelentes.

Terminado seu show, eu nem esperei pela Rihanna. Encontrei com amigos fãs, fomos fazer um lanche, passamos pela loja de produtos oficiais (tudo caro demais, não comprei nada) e partimos rumo às nossas casas e hoteis.

O retorno da Cidade do Rock também foi bem tranquilo. Uma rápida caminhada até o autódromo, distante apenas alguns minutos, pegamos um ônibus normal para o Terminal Alvorada e de lá um ônibus para a Central do Brasil, onde peguei uma van para Niterói. Fui deitar com o dia já claro, satisfeito com a excelente jornada.

Agora é esperar por 2013.

A Roça do Ceará



Pegamos esta estrada poeirenta na volta de Jericoacoara, no Ceará.

Paisagens

Aumente o som, ponha o vídeo em tela cheia e com HD ligado. É uma continuação deste aqui. Se você não achar este vídeo fantástico, não sei o que pode te surpreender.

Landscapes: Volume Two from Dustin Farrell on Vimeo.

Sobre Não Ter Filhos

Eu e minha esposa tomamos uma decisão muito importante para nossa vida quando nos casamos: não queremos ter filhos. E não é uma questão de não querermos ter filhos nos primeiros cinco anos do casamento, é não ter filhos nunca.

Pra nós, é uma decisão perfeitamente sensata, como escolher qual casa comprar, onde passar as próximas férias ou se vale a pena largar um emprego que paga bem porque o ambiente é ruim, mas para a maioria das pessoas isso não tem que ser decidido, já que casais DEVEM ter filhos. E lá vem a polêmica.

Não queremos ter filhos por causa de todas as implicações que isso traz: uma vida atrelada a um terceiro ser, que nos faria deixar de curtir muita coisa para receber nossa atenção; altos gastos com saúde, educação e moradia; preocupação eterna e uma carga de responsabilidade enorme.

Muitos nos acusam de sermos egoístas. Pois bem, egoísmo é dedicar-se unicamente a seus próprios interesses. É quase uma agressão ao terceiro, que fica excluído. Mas como agredir alguém que ainda não existe? É tentador falar de egoísmo nessa situação, mas este é um conceito que não se aplica neste caso.

Outros nos dizem que temos que deixar uma herança, um legado, uma semente. Pura desculpa de quem acha que é eterno. Ter filho dificilmente nos fará ser lembrados por mais tempo que o normal depois da nossa morte. Nossos bisnetos provavelmente vão falar muito pouco sobre nós, assim como nós mal falamos sobre nossos bisavós. O que dizer então de trisnetos: eu não sei o nome de nenhum dos meus trisavós, e duvido que alguma de minhas leitoras saiba isso de cabeça.

Há aqueles que dizem que é preciso abrir mãos de algumas coisas boas na vida para poder curtir outras coisas boas. No caso, elas se referem a abrir mão de uma vida de idas a shows de rock que duram até de madrugada, sexo na sala e noites de sono tranquilas para poder curtir o sorriso de uma criança quando você chega em casa no fim do dia, o aprendizado que é ser pai/mãe e acompanhar o milagre de uma nova vida e personalidade se formando com a sua ajuda.

Mas não veem que estamos fazendo a mesma coisa: abrindo mão de algumas coisas boas para poder curtir outras coisas, só que numa ordem diferente do parágrafo acima.

Tem também aqueles radicais que mandam um “o que vai ser do mundo se todo mundo pensar igual a vocês?!”. Oras, que argumento mais besta é esse! É mais fácil um cometa bater na Terra e matar todo mundo do que todo mundo passar a pensar igual a nós, a começar pela própria pessoa que usa esse argumento. Se ela própria é contra, já fica impossível o mundo todo pensar igual a gente, não?

Claro que há pessoas que entendem, ou apenas aceitam, a nossa posição, sem tentar nos converter ou crucificar, mas são raras. A maioria, ao que parece, é da turma que confunde diferente com errado e tenta mudar nossas cabeças.

Conheçam Bruna Caram

Ultimamente tenho descoberto muita coisa boa na música, mas muita coisa mesmo. Do jazz ao metal, da música clássica ao folk, muitos nomes têm passado pelas minhas playlists. Um dos sons que mais me agradaram recentemente foi o de Bruna Caram.

Nascida em Avaré, no Estado de São Paulo, e respirando música desde a infância, Bruna Caram já lançou dois discos e merece ser ouvida com atenção.

Essa Menina e Feriado Pessoal, faixas-título de seus discos, estão entre as minhas músicas favoritas, e há de se destacar também a belíssima regravação de Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor, de Lô e Márcio Borges.

No site dela rola uma rádio que toca suas músicas e você ainda pode ouvir trechos de todas elas na seção discografia.

Logo aí embaixo está o clipe de Feriado Pessoal, bem bacana, feito em stop-motion.

Não percam!



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Os discos da moça estão à venda no Submarino

Conto: Assassinato no Caixa do Mercado


Sempre gostei de ir no mercado Rei Cruzeiro por conta da sua música ambiente.  Mesmo que ela seja um pouco mais longe que os outros que pontilham minha vizinhança, o prazer de andar por seus corredores ouvindo música boa servia de bom motivo para andar um pouco mais.

Ao invés daquelas músicas de elevador que dão sono, parece que a rádio do mercado é programada por quem gosta de música.  Principalmente de rock.  Já fiz compras ao som de Led Zeppelin, Black Sabbath e Santana.  Ou então ao som de Queen, Beatles e Nirvana.

E não vá pensando que a rádio só toca sucesso, não.  Sempre rola um som diferente, aquelas faixas que só quem ouve os discos das bandas conhece.  Já ouvi por lá Fear is the Key, do Iron Maiden e Elected do Alice Cooper.

Como se isso ainda não fosse suficiente, tem banda nova e desconhecida também.  Algumas eu até anotei na hora e baixei os discos em casa, quando achei o som bom e não conhecia a banda.  Coisa do nível de Night Horse e Vintage Trouble.  Ou então bandas antigas que ninguém mais lembra, tipo Elf e Captain Beyond, dinossauros dos anos 70.

E aí eu chego um dia no caixa, todo simpático, e pergunto à atendente se a rádio é programada ali mesmo no mercado.  Ela me explica que não, que é uma rádio de todas as lojas da rede.  Por fim, eu elogio a rádio e ela me vem com desaforo:

- Rádio boa?  Que nada, só toca música chata, é a mó porcaria.

Depois disso eu só lembro quando acordei no hospital, grogue de sedativos.  Mal acreditei quando me disseram que a gritaria começou quando acertei o vidro de azeite na cabeça da moça.