Uma Escolha Pro Resto da Vida

Depois de tanto tempo juntos, e tão bem, seria até um pecado dizer que Douglas não confiava na Beatriz. Ah, disso ninguém poderia duvidar, ninguém poderia, em momento algum, dizer que sua confiança era menor que 100%

Mas ainda assim Douglas estava apresentando sinais de medo. Tudo bem que só ele sabia da existência desses sinais, mas por isso mesmo ele tinha a mais pura convicção de que seria ele próprio o responsável pelo crescimento ou desaparecimento deste medo.

Vamos deixar claro que ele não tinha medo da Beatriz, mas sim medo de Murphy. Murphy, aquele cara que disse que se alguma coisa pudesse dar errado, daria. Era isso que estava começando a ameaçar a paz de Douglas, fazendo-o pensar que todo aquele amor que estava vivendo poderia se acabar de uma hora pra outra.

Parou então para pensar e viu que tinha duas escolhas. A primeira, que de início lhe pareceu mais sensata, era passar a viver com um pé atrás, sempre pronto para se segurar em caso de um desastre. Continuaria amando Beatriz sim, mas talvez não com toda a força que poderia ser capaz de amar, e assim estaria a salvo de ter um coração partido.

Vislumbrou então a segunda possibilidade. Se entregar de vez, por completo, de corpo e alma, sem restrições, àquele amor que nos últimos meses só sabia crescer. Seria como fazer rapel sem corda de segurança, pular de um avião sem um pára-quedas sobressalente.

Viu que, se vivesse com um pé atrás e as coisas dessem certo, ele iria ter certeza de que vivera um amor meia-boca, que poderia ter sido perfeito mas que não passou do comum. E caso se entregasse por completo, viveria o amor da forma mais intensa possível, o que o faria morrer feliz.

E então, quando teve que escolher entre se arrepender por não ter corrido riscos e sofrer a dor de uma separação, chegou à conclusão de que preferia quebrar a cara mil vezes do que apenas existir e não viver. E amou. Cada vez mais.

Seu Domingos

Seu Domingos é um senhor já na terceira idade. Não sei quando é que veio morar aqui na nossa cidade, mas sei que até poucas semanas atrás ele morava em algum lugar de São Gonçalo.

Também não sei dizer em que condições ele vivia, mas tenho certeza de que não era numa casa bem acabada. Só consigo enxergar o seu Domingos numa casa ainda com os tijolos à mostra, num quintal sem cuidados, perto de um valão, algo assim. Talvez nada muito mais luxuoso que isto.

Mas pior do que suas condições de moradia, estava seu estado de saúde: aidético. Com 65 anos e aidético. Duro de se ver. Se alguém acha que não poderia ser pior, pode sim: sua única filha não tem o menor interesse em cuidar dele. Em suas próprias palavras, estava largado às moscas em casa, até que sua sobrinha apareceu.

Quando ela foi visitá-lo, seu Domingos chorou como criança, dando graças a Deus pela chegada de sua possível salvação. E, sim, sua sobrinha foi sua salvação. Como a filha de seu Domingos não se preocupava com ele, a sobrinha o trouxe para nossa cidade, onde ele finalmente foi internado em um hospital para receber o mínimo de tratamento possível, já que o nosso hospital não é nenhum exemplo de qualidade. De qualquer maneira, estar no hospital de Cachoeiras é melhor que estar largado às moscas em um barraco de São Gonçalo.

A sobrinha dele, então, cujo nome nem me lembro mais, foi até o cartório para poder fazer uma procuração, de modo que pudesse agir as coisas para ele. Ela me passou a documentação e alguns dias depois fui com ela até o hospital para pegar a assinatura dele.

Magro, fraco, velho, doente. Bem doente. Mas ainda assim um exemplo de pessoa. A maioria das pessoas que estivesse numa situação parecida com a dele com certeza entraria em depressão, mas não é o que acontece com ele. Não sei se seu Domingos é religioso, se crê em Deus, se reza todas as noites, mas ainda assim, ele é um exemplo de perseverança que vou me lembrar pra sempre.

Seu Domingos é um grande brincalhão, que faz piada com o próprio estado. E também tem força para seguir em frente. "Eu vou chegar aos setenta, vocês vão ver". Muitas piadas depois, com o documento já assinado, voltamos ao cartório, eu e sua sobrinha. Foi aí que conheci a história dele, de onde ele tinha vindo, como tinha chegado até ali.

Seu Domingos pode até não ter chances de viver muito, mas com certeza foi salvo pela sobrinha de sofrimentos maiores se ficasse com a filha. Abençoada sobrinha que abre mão da própria vida para salvar o tio. Abençoado Domingos que não desiste de lutar.

Isto não é um conto, é uma história verídica, e dói pensar que existem muitas pessoas como ele que não são salvas. Que não têm uma sobrinha para socorrer, que têm filhos que não estendem a mão. Mas seu Domingos, com sua energia, tem um bom exemplo para mostrar. Que Deus lhe dê muitos anos de vida. Que Deus o abençoe.

Mário, Mário

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Mário, Mário
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Cartórios - Autenticação II

O texto anterior ganha uma continuação graças a umas dúvidas da série "coisas que a Trinity sempre quis saber sobre cartórios e teve medo de perguntar". Pergunta ela:

O documento autenticado tem valor de original? Se não, pra que que serve?

Sim, o documento autenticado tem valor de original. Tanto é que muita gente anda com documentos autenticados na carteira, para se ferrar menos em caso de roubo. Mas, ainda assim, existem lugares que não aceitam cópias autenticadas.

Posso autenticar a cópia de um documento (do documento mesmo, não da cópia autenticada) apresentando uma cópia autenticada do mesmo documento?

Por incrível que pareça, isso não pode. Sim, eu sei que é absurdo, nós do cartório concordamos com isso, mas não pode. É decisão da Corregedoria Geral da Justiça, o órgão oficial que rege o funcionamento dos cartórios e saiu até no Diário Oficial. A propósito, também não pode autenticar a cópia de uma cópia autenticada.

Aproveitando o assunto de pode-não-pode, dá pra acrescentar na lista que cópias feitas em fax não podem ser autenticadas.

Cartórios - Autenticação

Antes de mais nada, vamos logo detonar com uma coisa que muita gente fala errado. Não é autentificação. Há tempos eu gostaria de saber de onde esse povo arranjou mais uma sílaba para a palavra. Gente, pensem em autêntico. Autêntico quer dizer verdadeiro. Dizer que uma coisa é verdadeira então cria a palavra autenticar, tornar autêntico. Portanto, enfiem o fi onde bem entenderem, mas nunca no meio desta palavra.

Bom, só por isso já dá pra entender o que é autenticar. É dizer que uma cópia é genuína, autêntica, verdadeira. Portanto, nunca cheguem num cartório pedindo para autenticar um documento original. Um original já é autêntico por natureza.

Outra coisa que muita gente acha que o cartório faz é tirar a cópia do documento para então autenticar. Ledo engano. Tem cartório sim que tira a cópia, mas isso não faz parte do serviço de autenticar. Autenticar é apenas "reconhecer como autêntico", e não "tirar uma cópia e reconhecer como autêntica". Portanto, antes de entrar num cartório para isso, tire a cópia antes.

Para autenticar uma cópia, esta precisa estar legível, em perfeitas condições. Não podem ser autenticadas cópias muito claras nem muito escuras, com partes ocultas ou xerox de apenas uma parte do documento. O que não falta neste mundico de Deus é gente que tira cópia só um pedaço do documento e cisma que o cartório tem que autenticar só aquele pedaço. Isso é errado. Basta, novamente, pensar que autenticar significa dizer que uma cópia é reprodução fiel de um documento. Como é que a xerox de apenas uma parte do documento pode ser uma reprodução fiel? Talvez na China. Ou na casa do Edward Mãos de Tesoura.

Outra coisa: frente e verso. Lembrem-se disso. Frente e verso. Mesmo que o verso tenha apenas uma propaganda, ou apenas um carimbo insignificante: frente e verso. Cópia fiel do original, lembram? Só não precisa se o verso estiver em branco.

Por fim, algo que pode parecer ridículo, mas a pá de gente que chega no cartório querendo isso é desconcertante: na hora de autenticar, levem o maldito original ao cartório! Como é que o funcionário vai dizer que uma xerox é cópia fiel de um original se ele não pode compará-la com o original? Não adianta chorar, dizendo que perdeu o documento, que ele está em outra cidade, que esqueceu em casa ou que está preso na polícia: se não mostrar o original, nada feito.

Por fim, quanto ao preço, ele é cobrado por documento. Se alguém tirar duzentas cópias em uma folha de cartolina, serão cobradas duzentas autenticações.

Cartórios - Reconhecimento de Firma

Para entender o que é um reconhecimento de firma, vamos dar uma olhada no dicionário. Só isso já vai bastar para explicar bem a coisa. Reconhecer significa admitir como verdadeiro, verificar. E firma, neste caso, não é sinônimo de empresa, mas sim de assinatura. Ou seja, reconhecer uma firma quer dizer verificar se uma assinatura é verdadeira.

O reconhecimento de firma é usado para assegurar que uma assinatura colocada num documento é realmente da pessoa que deveria ter assinado. Para isso, basta ir com o documento a um cartório onde a pessoa tenha aberto sua firma e pedir para reconhecê-la. O funcionário procurará a ficha da pessoa e fará a comparação. Se bater, o documento recebe um selo e uma etiqueta onde consta o nome da assinatura reconhecida, algo tipo "reconheço por semelhança a assinatura de Fulano de Tal". Se a assinatura não bater, não adianta chorar. A pessoa que assinou terá que ir ao cartório e deixar a sua nova assinatura.

Existem dois tipos de reconhecimento de firma: por semelhança e por autenticidade. No reconhecimento por semelhança, qualquer pessoa pode levar um documento ao cartório, mas quando o reconhecimento deve ser feito por autenticidade, a pessoa que assinou tem que comparecer no cartório portando identidade e CPF. Geralmente, este reconhecimento é feito em documentos mais 'sérios', como documentos do Detran e de empresas de telefone. Ao abrir a firma num cartório, a pessoa pode pedir que o reconhecimento de sua assinatura seja feito sempre por autenticidade. Fazendo assim, a pessoa assegura que ninguém vá falsificar sua assinatura.

Para abrir firma, para se dirigir a um cartório com sua carteira de identidade e CPF. Uma ficha é preenchida e você tem que assinar na dita cuja. É com ela que as assinaturas dos documentos serão comparadas.

O cartório não pode reconhecer uma assinatura que não esteja batendo porque, se ocorrer algum problema no futuro com aquele documento, como por exemplo a alegação de que a assinatura é falsa, um juiz pode intimar o cartório a apresentar a ficha da pessoa, para verificar a semelhança. Se constatar que a firma foi reconhecida sem haver semelhança entre as assinaturas, o bicho pega para o responsável do cartório.

Cartórios

Sei que o assunto não tem muito a ver com o que costumo escrever, mas resolvi compartilhar com minhas leitoras o que tenho aprendido no meu serviço lá no cartório. Sei que isso não vai melhorar a vida da gente lá no Segundo Ofício, mas pelo menos eu vou ficar com a sensação de que as pessoas vão entender melhor sobre meu trabalho.

Antes de mais nada é preciso entender que cartório é uma palavra genérica. Existem vários tipos de cartórios, e eles nem sempre entendem os serviços que os outros fazem. É tipo loja. Existe loja de roupa, loja de comida, loja de remédio, loja de eletrônicos. Não adianta chegar numa loja de remédio e perguntar se o teclado da Yamaha modelo PSR-292 tem saída MIDI digital. Portanto, não fiquem nervosos quando o atendente de um cartório não puder lhe explicar como é que se tira uma segunda via da certidão de nascimento se você entrou num cartório de registro de pessoa jurídica. Estas são duas atividades completamente diferentes.

Por muitas e muitas vezes já atendi gente no cartório que chegou perguntando quanto custava para tirar um título de eleitor (serviço de cartório eleitoral) ou então quanto custa para registrar um filho (serviço de cartório de registro civil). Aí, quando a gente diz que tem que ir em outro cartório, as pessoas ficam nervosas, alegando que "puxa, isso aqui não é um cartório?". Pra ter noção de como isso é absurdo, seria como chegar num açougue, pedir uma aspirina, e quando o cara mandar você ir a uma farmácia, você reclamar "ué, mas aqui vocês não vendem coisas pra poder ganhar dinheiro?"

Logo, existem vários tipos de cartório: cartórios de registro civil, que tratam de nascimento, casamento, emancipações, óbitos e afins; cartórios de protesto de títulos, que fazem notificações a quem está devendo e podem mandar o nome de alguém para o SPC; cartórios de registro de imóveis, que lidam com os dados relativos a quem é dono de que imóvel; cartórios de notas, responsáveis por fazer procurações, reconhecimentos de firmas, escrituras e outros; cartórios de registro de títulos e documentos, que arquivam quaisquer documentos que as pessoas queiram ter maior segurança, como contratos particulares de aluguel, contratos de compra e venda de veículos; entre alguns outros tipos de cartórios que existem por aí.

Outra coisa que muita gente pensa é que cartório entende de tudo. Ledo engano. Muitas vezes nós sabemos menos do que quem a gente atende. Um dos maiores equívocos do povo é achar que por estar reconhecendo uma firma em um documento, a gente sabe o que tem que fazer com ele depois. Por favor, não pensem isso. O cartório entende de reconhecer firma, mas não entende de INSS, Detran, banco ou qualquer outra coisa. Se a sua faculdade pediu para você autenticar seus documentos, o cartório não tem a mínima idéia se é só a identidade, ou se é a identidade, o CPF, o título de eleitor e a certidão de nascimento.

Assim como existem lojas que vendem vários tipos de coisas diferentes, existem cartórios que possuem várias atribuições, como o que eu trabalho, por exemplo: somos um cartório de notas, um cartório de registro de imóveis, um cartório de registro de títulos e documentos, um cartório de registro de pessoas jurídicas e um cartório de protesto de títulos. Por que tanta coisa junta num lugar só? É que minha cidade - Cachoeiras de Macacu, pra quem não sabe - é um lugar pequeno, do interior do Rio de Janeiro, e que, portanto, não tem capacidade para abrigar vários cartórios. Fica mais fácil para a justiça reunir tudo num só. Existe aqui também, em um dos distritos do município, um cartório que é de notas e de registro civil. Nas cidades grandes, é mais comum haverem cartórios com apenas uma atribuição. Então, entenda uma coisa antes de entrar em um cartório: pode não ser ali que seu problema será resolvido.

Antes de reclamar preços e condições para executar um serviço num cartório com o pobre coitado do atendente, é bom saber que tudo que é feito entre as suas quatro paredes é regido por um código de normas que deve ser seguido rigidamente, sob pena de multa e afastamento do serviço. Acompanhando o Diário Oficial, já encontramos casos em que cartórios receberam muitas de mais de cinco mil Reais. Logo, quem te atende e diz que não pode fazer um serviço ou cobra muito caro, não está sendo chato ou querendo te sacanear: está apenas seguindo a lei, sob pena de, não o fazendo, correr o risco de morrer numa grana e até perder o emprego. Muitas vezes nós mesmo do cartório concordamos com as pessoas que reclamam dos preços que são cobrados, mas, infelizmente, não podemos fazer nada contra isso.

Sobre pagar, muita gente acha que cartório trabalha de graça. Nem todos. Onde eu trabalho, tudo é cobrado. Tem gente que pensa que o governo repassa para nós os valores referentes ao serviços que prestamos, mas isso não acontece. Muito pelo contrário, nós é que repassamos para o Estado uma porcentagem sobre tudo o que é feito atrás do balcão.

Por fim, o cartório muitas vezes não precisa saber os seus motivos para fazer alguma coisa lá. Se a sua faculdade pediu para você reconhecer uma firma, se quem alugou seu prédio não pagou um aluguel, o cartório não precisa saber disso quando for reconhecer a firma ou quando for protestar uma nota promissória. Gente de cartório, apesar de não parecer, tem mais o que fazer, e não pode perder muito tempo com a história de todo mundo.

Bem, de início acho que é isso. Aguardem que vou iniciar uma série de textos onde vou detalhar os serviços que são feitos nos cartórios - pelo menos, os que são feitos no cartório onde eu trabalho, que são os que entendo.

O Homem Duplicado

Tertuliano Máximo Afonso nunca chamou muita atenção nem nunca fez nada demais na sua vida simples e monótona de professor de História, até que um dia, aconselhado por um colega de trabalho, aluga uma fita de vídeo e dá de cara com algo - alguém, melhor dizendo - que vira sua vida de pernas pro ar, lançando-o em uma busca que o leva a resultados surpreendentes e ao mesmo tempo inevitáveis: ele descobre que um ator de segundo escalão é igual a ele. Mais do que gêmeo. Mais do que clone. Uma cópia. Um homem duplicado.

Por vezes muito difícil de ser acompanhado, graças à linguagem rebuscadíssima de José Saramago, ainda assim é um daqueles livros que não dá vontade de parar de ler.

Por várias vezes tive que ler e reler vários trechos, até mesmo páginas inteiras, para conseguir entender aonde ele queria chegar, já que Saramago merece ganhar o título de "O Maior Enchedor de Lingüiça" da história. Não foram poucos os trechos onde ele se distancia da narrativa principal, fala de coisas que nada têm a ver com a história, para então voltar a falar dela normalmente, dando como desculpa o fato de que a personagem principal estava tomando banho enquanto falávamos de outros assuntos. Isso sim é encher lingüiça, o resto é prova de história do ensino fundamental.

Uma das coisas que mais dificultam a leitura do livro é que Saramago pediu que fosse mantida a ortografia de Portugal. Temos então uma enxurrada de palavras e grafias desconhecidas ou estranhas. "Olvidartes-te de contar-mo suas ideias". São coisas assim que a gente lê.

Mesmo assim, apesar de todas essas dificuldades de leitura, O Homem Duplicado é muito bom, tanto que devorei suas últimas 80 páginas de uma tacada só. 80 páginas essas, aliás, que deixam um pouco de lado as lingüiças e vão direto ao ponto, tornando o livro uma montanha russa de eventos que quase se atravancam um atrás do outro, fazendo com que o leitor não tenha mínima vontade de desviar os olhos das suas páginas.

A seqüência final de acontecimentos é tão surpreendente e tão bem amarrada que me levou ao inevitável questionamento: como é que alguém consegue pensar histórias assim?. Ah, como eu queria ser José Saramago por apenas um dia...

Leiam. Vale a pena.

Frase da Semana (mais uma)

É... o povo está bem inspirado. Um dia depois da grande frase do post anterior, me vem Romam, nosso professor de Estruturas de Dados lá na Estácio, com a seguinte pérola: "quer moleza, vai comer minhoca, que não tem osso".

Frase da Semana

Tem coisas que sou obrigado a ouvir. Hoje me saíram com esta: "Vaso de banheiro devia ter espelho pra gente ver se o c%$#@ tá limpo."

Quem merece um negócio desse?

Fazendo as Contas (uma continuação)

Lembra disso aqui?

Pois é, a identidade só chegou ontem.

Três meses e treze dias após o pedido.

Um mês e treze dias depois da previsão inicial.

Agora a carteira está completa.

Já não era sem tempo.

Malaquias 3:3

Veja só como são as coisas: não sei como, mas o sujeito conseguiu meu email e me mandou uma daquelas mensagens bonitinhas. Por sorte, mas por muita sorte mesmo, eu reconheci o nome de um dos blogs que ando visitando por aí e resolvi visitar o blog dele. E dei de cara com este texto deslumbrante. Como eu comentei lá, isso é que é acertar de primeira. Deliciem-se:

"Havia um grupo de mulheres num estudo bíblico do livro de Malaquias. Quando elas estavam estudando o capítulo três, elas se depararam com o versículo 3 que diz: "Ele assentar-se-á como fundidor e purificador da prata...". Este verso intrigou as mulheres, e elas se perguntaram o que esta afirmação significava quanto ao caráter e natureza de Deus.

Uma das mulheres se ofereceu para tentar descobrir como se realizava o processo de refinamento da prata e voltar para contar ao grupo na próxima reunião do estudo bíblico. Naquela semana, esta mulher ligou para um ourives e marcou um horário com ele para assisti-lo em seu trabalho. Ela não mencionou a razão de seu interesse na prata nada além do que sua curiosidade sobre o processo de refinamento do metal. Enquanto ela o observava, ele mantinha um pedaço de prata no fogo e deixava-o aquecer.

Ele explicou que no refinamento da prata devia-se manter a prata no meio do fogo onde as chamas eram mais quentes, de forma a queimar todas as impurezas. A mulher pensou em Deus mantendo-nos em um lugar tão quente; depois, ela pensou sobre o verso novamente... "ele se assenta como um fundidor e purificador da prata".

Ela perguntou ao ourives se era verdade que ele tinha que sentar-se em frente ao fogo o tempo todo que a prata estivesse sendo refinada. O homem disse que sim, ele não apenas tinha que sentar-se lá segurando a prata, mas também tinha que manter seus olhos na prata o tempo inteiro. Se a prata fosse deixada, apenas por um momento em demasia nas chamas, ela seria destruída.

A mulher silenciou por um instante. Depois, ela perguntou:

- Como você sabe quando a prata está completamente refinada?

E o homem respondeu:

- Oh, é fácil! - o processo está pronto quando vejo minha imagem refletida nela."


Profundíssimo, não?

Só pra constar, o versículo completo diz: "E sentar-se-á como um homem que se senta para fundir e refinar a prata; purificará os filhos de Levi, refiná-los-á como o ouro e como a prata, e eles oferecerão sacrifícios ao Senhor em justiça". Outra coisa: Malaquias é o último livro do Antigo Testamento.

Semana Spam

Como sempre recebo muito spam por email (quem não recebe?), semana passada resolvi fazer uma análise da coisa. Durante toda ela - do dia 02 ao dia 08 de maio - não apaguei nenhuma das mensagens que recebi. Ao final da semana, fiz um somatório do que tinha recebido e dos assuntos que as mensagens tratavam.

Em sete dias chegaram 300 mensagens. Destas, 276 eram vindas de endereços não autorizados, ou seja, lixo puro. 276 mensagens! Nada menos do que 92% de tudo o que recebi. Estas 276 mensagens se distribuíram da seguinte forma a partir do total:

41% tentavam me vender remédios ou receitas, principalmente antidepressivos, afrodisíacos e antienvelhecimento. Como se eu não fosse um jovem na flor da idade, como se eu não fosse extremamente feliz, de bem com a vida e como se os meus hormônios não estivessem borbulhando.

10% tentavam me vender programas piratas. Mal sabem eles que eu consigo encontrar tudo mais barato ali na esquina.

8,3% tentavam me convencer em colocar dinheiro em certos investimentos. Se eles imaginassem que não tenho dinheiro para investir nas contas deles, parariam com isso.

5,7% tentavam me vender aparelhos para aumentar o tamanho do meu pinto. Com ele estou satisfeito.

5% traziam vírus. Pensam que sou burro para abrir anexos de desconhecidos.

5% eram coisas que eu tinha me cadastrado por querer mas tinha me arrependido, tipo cursos online, lojas e coisas afins. Disso eu poderia até me livrar, mas tenho preguiça de ir no site me descadastrar.

3,7% tentavam me levar para sites pornográficos. Ah, tá, eu não consigo achá-los sozinho...

3,3% tentavam me ensinar maneiras de trabalhar em casa. Se me conhecessem, saberiam que já trabalhei em casa durante anos e anos.

10% eram variadas, como mensagens em outras línguas, vazias, cassinos, propaganda de festas, venda de imóveis e até, cúmulo do paradoxo, oferecendo programas para barrar spam.

Uma coisa interessante é que a grande maioria das mensagens (78%) é em inglês, enquanto que em português chegaram 20%. Imagine quando os brasileiros aprenderem a mandar mensagens... o número vai dobrar.

Mas a coisa não acabou por aí. Entre as 24 mensagens que não são tratadas de cara como lixo, teve coisa que ainda assim foi para a lixeira. Das vinte e quatro, dezoito eram piadas, apresentações de Power Point, correntes ou mensagens automáticas para dizer que os emails que enviei voltaram. Todas são apagadas sem dó.

Sobram seis. Destas, quatro eram da Siciliano, confirmando meus pedidos que andei fazendo. Uma era de um colega dizendo que tinha recebido um email meu. E uma - apenas uma mensagem - o que representa a ínfima parte de 0,333% do total de mensagens, só ela recebeu uma resposta. E mesmo assim, foi um assunto levemente desagradável, que pode gerar confusão.

A única solução para que eu parasse de receber estas mensagens seria trocar de email, mas não o faço por três motivos. Primeiro porque trocar de email é muito chato, demora bastante até você regularizar sua vida. Depois, porque meu email no provedor é perfeito, nem sei como é que o consegui. Por fim, logo logo vão descobrir o email novo mesmo, aí começo a receber centenas de mensagens por dia de novo.

Acho que isso não tem solução. O jeito é continuar apagando o lixo que chega cada dia em maior quantidade.

Respondendo Comentários

Uma das coisas que mais gosto nesta história de ter um site para publicar meus textos é a possibilidade de saber a opinião das minhas visitantes através dos comentários. Mesmo que, em certas ocasiões, eu imagine que um texto vá gerar bons comentários e ele mal receba um ou dois, é sempre gratificante quando alguém responde, dá uma palavra, mostra a cara ou até mesmo discorde. Gosto mesmo disso.

Volta e meia, dependendo do que a pessoa disser, eu coloco uma resposta lá nos próprios comentários, na tentativa de iniciar um diálogo. Apenas por umas duas ou três vezes, cheguei a escrever um texto apenas para responder aos comentários feitos.

Faço então um apelo: quando vocês comentarem alguma coisa, voltem aos comentários um ou dois dias depois para ver se eu respondi. Já perdi a conta das vezes que perguntei alguma coisa e a pessoa não deu retorno.

Outra coisa: se vocês quiserem fazer um comentário sobre um texto recente, tipo, entre os seis ou sete últimos, podem fazer o comentário no próprio texto, não precisa ser no mais atual. Eu sempre verifico se tem comentário novo nos mais novos.

Acho que o povo não volta pra ver resposta porque a maioria do pessoal que conheço coloca as respostas no site da pessoa que perguntou. Só que eu não gosto muito disso. Imagina a cena: eu escrevo um texto sobre drogas, alguém pergunta se eu já usei, aí eu vou no site da pessoa e comento num texto dela sobre camisinha: "eu nunca usaria isso, que coisa horrível, tá pensando que eu sou o que?". Os leitores de lá não entenderão chongas.

A estranheza é a mesma de quando alguém responde aqui uma pergunta que fiz em outro site. Tipo, alguém fala de um cd legal, aí eu pergunto se ela conhece um tal artista, aí a pessoa vem no Sarcófago, num texto sobre suicídio, e comenta que "nunca ouviu falar, mas que vai procurar nas lojas por aí". Se até eu fico atordoado quando pego um comentário desse, imagina quem não leu minha pergunta.

Claro que não posso obrigar ninguém a fazer como eu acho melhor, mas pelo menos posso dizer o que penso, certo? Sei que tem gente que prefere responder nos sites alheios, como o Leo, que já disse que acha anti-ético (?) responder no próprio site, mas eu prefiro colocar a resposta junto com a pergunta. Assim, quem chega depois entende a conversa e pode até acrescentar mais alguma coisa.

Além disso, mesmo que o comentário feito não tenha uma pergunta, acho legal voltar pra ler os novos comentários. Cito como exemplo o meu texto sobre os livros que estou lendo. No final dele, eu perguntei o que é que vocês andam lendo. Achei que naqueles comentários poderia surgir uma conversa muito legal e o pessoal sairia indicando livros uns para os outros, e até para mim mesmo. Mas, me parece, ocês põem o comentário e esquecem. É assim que funciona pra vocês?

Bem, é isso. Por favor, não pensem que estou dando sermão ou reclamando da vida. Nem tampouco estou com aquela coisa de "ah, comenta aí, comenta, comenta, vai" - isso eu acho feio. Só estou querendo arranjar um jeito de melhorar a comunicação entre os parcos visitantes deste meu cafofo virtual.

Frio, Inverno e Outras Coisas Congelantes

Eu não gosto de frio. Não gosto não gosto e não gosto. Este texto é pra explicar isso.

O grande ponto contra o frio é que ele não permite erros. Se no verão você coloca uma blusa mais quente, basta arregaçar as mangas e tudo bem. Você pode até ficar suado, mas nada que um banho não resolva. Calor não te deixa doente. Mas vai errar no inverno! Basta uma blusa a menos e um vento mais forte que a gripe bate certeira, sem dó nem piedade, como me aconteceu neste final de semana.

Pra quem tem rinite como eu, o frio é um forte aliado para que as crises apareçam todos os dias. E aí, pena de quem tem que conviver comigo e ouvir meus espirros de minuto a minuto.

Estudar em Friburgo é mais uma coisa torturante, ainda mais na Estácio, que é lá no alto do morro, onde bate um vento polar sudoeste que é algo assim... everéstico. É muito frio mesmo. Entra aqui de novo a questão do erro. Às vezes em Cachoeiras tá até fazendo calor, mas quando chega onze horas da noite, em Friburgo, tá fazendo quase cinco graus. Se você não se prepara, é cama no outro dia.

Fazer barba também é terrível. Primeiro você tem que meter a mão naquela água gelada. Depois tem que jogar aquela água na cara. Em seguida, tem que passar, várias vezes seguidas, a lâmina de barbear pelo rosto. É torturante. Muita gente me diz para fazer barba durante o banho, mas a questão é que uso óculos. Sem eles não vejo meu próprio rosto, e com eles, fica tudo embaçado por causa do vapor do chuveiro. Em dias extremos tenho que apelar e esquentar um bocado de água no fogão. Queridas leitoras, agradeçam por não terem barba.

Digitar e tocar. Por causa do frio, as mãos ficam geladas e têm seus movimentos comprometidos. Daí, até eu pegar o ritmo na hora de digitar ou tocar no meu teclado, é uma coisa de dar dó.

Mais um ponto é que qualquer coisa metálica fica mais fria do que realmente está. Não dá pra tocar em nada sem sentir um calafrio pela espinha: maçanetas, chaves, bicicleta, talheres... nada.

Acordar! Ah, acordar! Sair de baixo dos cobertores quentinhos e aconchegantes já é duro, ainda mais sair debaixo deles e ir direto para o banheiro tomar banho. Tira a roupa, sente frio. Sai debaixo d'água, sente frio. Se enxuga, sente frio. Veste a roupa, sente frio. Brrrr....

Trabalhar com Jamerson também é duro. O cara não sente frio, daí que tem dia que ele cisma que está calor e liga o ar condicionado!!! E como é filho do patrão, não dá pra reclamar. Ainda bem que o ar condicionado quebrou (juro que não fui eu).

Não dá gosto de pedalar. Eu costumo pedalar de manhã, antes de ir pro trabalho, mas com aquele vento maravilhoso batendo na cara não há cristão que agüente.

Mas, só pra não dizer que não falei das flores, pra ficar agarradinho e tomar sopa inverno é bom.

As Letras e Eu

Às vezes me perco em pensamentos, imaginando se alguém do meu triângulo de conhecidos tem as mesmas idéias desvairadas que eu. Desta vez, fiquei pensando se conheço alguém que leia quatro livros e duas revistas. Ao mesmo tempo. Bem, não penses tu, querida leitora, que a leitura se dá de forma desordenada e aleatória. Veja como é:

De manhã, entre o momento em que estou pronto para ir trabalhar no cartório e o momento em que efetivamente saio de casa, estou às voltas com as peripécias de Sherlock Holmes em O Vale do Terror. No ponto em que parei, ele se dirige com o inspetor de polícia ao local de um crime. Um fato curioso sobre o livro é que o cara morto se chama Douglas, o nome de quem me emprestou o dito cujo.

À tarde, na fila do ônibus da faculdade, é a vez de me envolver com os estranhos fatos que se sucedem na vida de Tertuliano Máximo Afonso, o personagem principal de O Homem Duplicado, escrito por José Saramago, ganhador do prêmio Nobel lá pelos idos de 1998. Apesar da enorme encheção de lingüiça, é um ótimo livro.

Antes de dormir é a vez de Nosso Lar, psicografado por Chico Xavier, ditado por um tal de André Luís. Nele, André descreve como é o lado de lá. No início, as coisas me pareciam até plausíveis e lógicas, mas o livro tomou um rumo muito esquisito, tornando-se pra mim apenas um romance pós-vida, onde, neste instante, os personagens estão às voltas com preparativos para receber as almas que chegarão ao céu graças à Segunda Guerra Mundial. Estou lendo porque foi minha mãe quem indicou. Quem me conhece vai entender o quanto esta indicação é importante.

O quarto livro já é um projeto de longa duração: a Bíblia. Leio-a com Sueli, pra poder ir discutindo e sabendo mais sobre o que se passa. E exatamente por causa dessas conversas é que este é um projeto de longo prazo. Só lemos até agora durante uma rápida meia hora e não terminamos nem o segundo capítulo de João. Mas seguiremos em frente.

Já as revistas ficam nas duas salas de leitura da minha casa: uma em cada banheiro. No do escritório está a Revista das Religiões de abril, onde estou lendo sobre personalidades importantes das religiões orientais. No outro está a Você S/A, onde leio sobre a vida de uma workaholic, que é alguém que jamais gostaria de conhecer.

Se eu presto atenção no que leio? Claro! Posso até não saber contar tudo tintim por tintim, mas sei sim tudo o que se passa. E já tem mais coisa na fila. A Revista das Religiões de maio já chegou e essa semana eu comprei um livro novo, O Código da Vinci, que parece ser interessante. Você lerá mais sobre ele por aqui daqui a algum tempo.

E tu? Que andas lendo?

Coelhinhas da Playboy

Em comemoração aos seus cinqüenta anos, a Playboy disponibilizou a seus leitores fotos das coelhinhas que figuraram em suas primeiras edições. Trago então para seu deleite, pra finalizar minha série de posts fotográficos, prezados visitantes, uma pequena amostra do que a Playboy mostrou. As garotas também estão convidadas a olhar, já que beleza não tem sexo. E digam: qual é a mais gostosa na opinião de vocês?

Coelhinha Maio/1954
Coelhinha Junho/1954
Coelhinha Setembro/1954
Coelhinha Outubro/1954
Coelhinha Dezembro/1954
Coelhinha Janeiro/1955

[os arquivos foram perdidos - eram senhoras aparentando mais de 80 anos, nuas, em fotos sensuais]

Carnaval 2004 - Os Cabeçudos

Dando seqüência às fotos, vejam desta vez minha fantasia no carnaval. Saímos nós quatro - eu, meu primo, um colega e o filho dele - fazendo bagunça pelo meio do povo, sem ninguém saber quem éramos.

A fantasia é feita assim: costura-se dois lençóis brancos, que são presos então em uma peneira, daquelas de pedreiro. A peneira fica sobre a cabeça, com os lençóis tapando seu corpo. Os lençóis são então amarrados à sua cintura com um casaco de frio, cujos braços estarão já cheios de jornal embolado para dar firmeza. Nas pontas do casado vão luvas também recheadas. Tem-se então a impressão de uma pessoa pequenininha mas com uma cabeça gigantesca.

Para ter noção da coisa, o que parece ser a cintura do boneco são nossos joelhos, e o que parece ser o pescoço é nossa cintura. Todo o tronco fica na parte branca. É um calor do cacete, e graças ao óculos eu mal podia enxergar o que se passava à minha frente, porque toda hora embaçava. Mas foi muito divertido.

Aqui, aqui e aqui estamos nós quatro. Já aqui estou só eu.

[os arquivos online foram perdidos]

Cara Nova

Eu tinha pensado em fazer uma série de posts fotográficos, e já estava com o de hoje encaminhado, mas daí, como sempre, resolvi fazer umas mudanças por aqui. A primeira, como você já bem deve ter notado, é a mudança de cor. Estava há muito tempo no azul.

Depois, tirei da coluna do lado o endereço do site que eu e um colega tínhamos feito na intenção de fazer um abaixo assinado para trazer o Elton John de volta ao Brasil. Como a idéia não vingou, o site morreu.

Entraram então um site na lista dos bons e um na lista dos amigos.

Bom, é isso. Amanhã eu continuo com os posts fotográficos.

Quando o Raio Caiu

Não lembro se já falei dele antes, mas o Milov tem umas idéias geniais no quesito design e fotografia e scripts e coisas afins para internet. Ele é tão bom, mas tão bom, que postou uma série de fotos tão interessantes que elas vieram automaticamente aqui para a minha série de posts fotográficos. Parece até que o cara adivinhou. Cliquem aqui e vejam como ele conseguiu tirar a foto do exato instante em que um raio caiu nas redondezas. São oito fotos escuras e uma clara. Muito legal.

Olhando do Alto

Para iniciar uma série de posts fotográficos, vejam lá estas fotos de alguns lugares famosos, mas de um ângulo inusitado: de cima.

Torre Eiffel, em Paris.
Vulcão Etna, na Sicília.
Sul de Manhattan, no lugar onde estava o World Trade Center.
Estádio Olímpico, no Canadá.
Estátua da Liberdade, Nova York.
Arco do Triunfo, em Paris.
Pirâmide em Gizah, Egito.
Ópera de Sydney, Austrália.

Aguardem que as fotos demoram um pouquinho pra carregar.

[os arquivos foram perdidos]

O Canto dos Pássaros

A letra dos Scorpions é esta:

Love, only love
Can bring back your love someday
I will be there, I will be there

If we'd go again
All the way from the start
I would try to change
The things that killed our love
Your pride has built a wall, so strong
That I can't get through
Is there really no chance
To start once again
I'm loving you

Agora clique aqui e veja esta interpretação histórica.

Ah, esqueci de avisar antes. É um download de mais ou menos 300 k. [agora é um link pro YouTube]

Furacão na Beira da Praia

Medo. Jorge nunca sentiu tanto medo na vida quanto naquele sábado. Não era só um medo simples, daquele que sente quando vê uma aranha ou uma cobra, mas um pavor indescritível que assombrou sua alma e lhe causou dor física até.

Na noite anterior, sentado naquele tronco, ele quis falar uma coisa e foi compreendido de outra forma. De outra forma muito, muito pior. Quando descobriu o modo como suas palavras tinham sido interpretadas e as reações que elas tinham causado só pôde chorar. Chorar e pedir copiosamente a Deus para que aquilo se resolvesse, que ela entendesse que ouviu o que ele não havia dito.

Nunca sentiu tanto medo assim. Estavam na beira da praia e sentia que poderia chorar lágrimas suficientes para fazer o oceano transbordar. Aflição semelhante só lhe percorreu o interior no dia em que recebeu a notícia da morte de seu pai.

Foi inundado por uma imensa onda de desespero. Era como morrer. Óbvio, ele nunca tinha morrido antes para saber como é, mas a sensação foi de que sua vida estava prestes a lhe ser tomada à força.

Não foi capaz de conter as lágrimas e os soluços. E ao mesmo tempo se condenava por ter cometido um erro tão grande. Antes não tivesse aberto a boca. Antes tivesse fingido que não estava acontecendo nada.

Mas o estrago já tinha sido feito. O furacão já varria seu litoral como se Deus estivesse em fúria. E ali estava ele, indefeso diante dele mesmo, sem ser capaz de se defender. Tentava apenas explicar o terrível mal entendido, rogando para que ela entendesse.

Felizmente, Deus ainda está ao seu lado. Ela entendeu. Ela perdoou. O furacão passou. As ondas levam as lágrimas dos dois. Apesar do desastre escatológico, tudo está exatamente no mesmo lugar de antes. E respira aliviado, jurando para ela, para ele mesmo e para Deus, que nunca mais faz outra imbecilidade daquelas.

Papai Pergunta. Eu respondo.

- Como é que você diferencia um sapo de uma sapa?
- Fácil, é só ver qual dos dois finge o orgasmo durante o acasalamento.

Títulos sem Textos

Filhos. Não sei quantos terei. Se é que terei ao menos um. Se tiver meninos não sei que nome dar, mas a primeira menina, se ela vier, será Sara. Ou Sarah. A diferença não tem a ver com numerologia, mas com estética. Com H é mais estiloso. Só que meu lado racional manda não colocá-lo, para não causar a ela problemas na alfabetização. Mas, enfim, o som vai ser o mesmo.

Bom, tudo isso é só um gancho para que eu possa falar de outra coisa: assim como já batizei uma criança que nem nasceu, e que, aliás, pode nem vir a nascer, uma das coisas que mais faço é batizar textos que ainda não escrevi, e que, em muitos casos, nunca nasceram.

Às vezes perco tempo imaginando títulos diferentes. Alguns chegam a se transformar em textos, mas a maioria não dá frutos e muitos caem no esquecimento. São coisas tipo "Cinco Dias", "Salto Ornamental", "Quando Cláudia Fechou a Porta" ou "Esquecendo de Esquecer o Inesquecível".

Quando consigo pensar num belo título, tenho a impressão de que dali vai sair um texto maravilhoso, digno de menção honrosa, mas é pura ilusão. É só um título, e nada mais.

É só comigo ou alguém aí também tem disso?

Escrevendo

Três coisas.

Primeira coisa:

Antes que alguém me acuse de abandonar o Sarcófago, aviso que não assinei com ninguém nenhum contrato onde eu me comprometa a escrever com regularidade.
Escrevo quando quero.
Escrevo quando dá.
Publico quando a internet conecta.
Sim, estou sendo rude.
Não costumo ser, mas estou sendo.
Se não gostou, reclama.
Às vezes bastam três ou quatro dias sem tamborilar no teclado e já vem um engraçadinho cobrando presença.
E se eu tivesse sofrido um acidente?
E se eu estivesse em coma?
E se eu tivesse sido seqüestrado?
E se eu tivesse morrido?
Claro que ninguém pensa nisso.
Trinity, o recado não é pra você.
Eu sei que você é paciente.
Mas, povo, dá pra ter paciência?

Segunda coisa:

Amanhã volto a escrever com freqüência.
Diária, se possível.
A cada dois dias, se não der.
A cada três dias, na pior das hipóteses.
Portanto, visitem.

Terceira coisa:

Taí.
Tô escrevendo que nem a Leka.
Pode isso?

Música - Loch Lomond

Tomem lá mais uma música para a seção Piano Bar e mais uma tortura para seus ouvidos. Outra das músicas que gravei tocando no meu teclado. O nome é esse aí de cima.

[o arquivo foi perdido]

Patetices do Ariosvaldo 2

Voltamos nós com mais uma patetice do Ariosvaldo, irmão do Florisbelo.

Um dia, o mancebo me liga e manda o seguinte:

- Mário, aqui é o Florisbelo, irmão do Ariosvaldo.

Patetices do Ariosvaldo

Como nos comentários do último texto um sujeito me lembrou de uma história hilária, resolvi compartilhá-la com vosmecês.

Estávamos no carro eu, Ariosvaldo* e Florisbelo*.

No meio do caminho havia um burro.
Havia um burro no meio do caminho.

Ariosvaldo, irmão do Florisbelo, aponta para o burrico e fala:

- Olha lá, Florisbelo... seu irmão!

Pode?

*nomes fictícios para proteger a identidade dos pobres coitados.

Resposas Espirituosas

Na segunda feira eu mandei uma ótima para a Ana Paula:

- Mário, você tem alguma fantasia em casa?
- Querida, as únicas fantasias que tenho são fantasias sexuais.

Mas aí o Bruninho conseguiu superar e mandou a melhor do mês:

- Bruninho, cê já viu o filme A Paixão de Cristo?
- Já, mas é chato... ele morre no final.

Revista das Religiões

Não sei se já contei isso antes, mas se não contei, conto agora. Eu não sigo nenhuma religião. Nem budismo, nem islamismo, nem cristianismo, nem sufismo, nem nenhum dos outros ismos que povoam os templos e igrejas.

Cresci em família católica, fui batizado nela, freqüentava as aulas religiosas no colégio e cheguei até mesmo a iniciar o catecismo e participar de procissão. Mas de acordo com que fui amadurecendo (sic) me afastei mais e mais da religião.

Passei então a ter apenas fé. Fé na vida. Fé em mim. Fé em Deus. No fim de 2002 cheguei a escrever um texto sobre isso, que até hoje rende boas conversas sobre o tema. Tenho minha religiosidade mas não tenho religião.

Penso assim porque ao observar as religiões com que tenho maior contato, nenhuma dela me pareceu agradável de seguir. Mas ao mesmo tempo que não sigo nenhuma integralmente, torno parte de meu dogma pessoal o que considero melhor em cada uma que tenho oportunidade de conhecer. É o caso dos mandamentos e dos pecados bíblicos e também alguns dos oito passos do budismo necessários à iluminação.

Em meados de 2003 comecei a sentir um impulso de conhecer e estudar as variadas religiões. Daí que, por coincidência, sorte ou providência divina, pude conhecer a revista que dá nome a este texto.

A Revista das Religiões, suplemento periódico da revista Super Interessante, trata de forma clara e imparcial sobre religiões, religiosidade e eventos históricos, entre outras coisas. Já passaram por suas páginas temas como milagres, reencarnação, espiritismo e a Criação. Já falou da vida de pessoas como José de Anchieta, Jesus e Chico Xavier. Já foi a fundo em religiões como o budismo, hare krishna e candomblé. Uma das partes que mais gosto, e que está em todas as edições, é a confrontação do pensamento de duas religiões a respeito de temas polêmicos, como pena de morte e sexo antes do casamento.

Ela é extremamente imparcial, pois mostra apenas como as coisas são - ou eram - em nenhum momento instigando o leitor a aceitar esta ou aquela crença. Além disso, mostra sempre que o caminho para a paz é a tolerância, repreendendo qualquer ato de preconceito. Como se não bastasse, traz ainda entrevistas, notícias, dicas de livros e até ensaios fotográficos. É uma pena não estar disponível ainda para ser assinada.

Ela é, sem dúvida, leitura fundamental e indispensável para quem quer conhecer o mundo da fé.

Atualização com boa notícia: minhas preces foram atendidas: a Revista das Religiões já está disponível para ser assinada.

Oito de Março

Dia Internacional da Mulher

Um dia especial para homenagear quem é lembrada todos os dias.
Se carinho fosse um brilho, seria o dos seus olhos.
Se amizade fosse um som, seria o da sua voz.
Se paixão fosse um cheiro, seria o seu perfume.
Se bem-querer fosse um toque, seria o seu abraço.
Se felicidade fosse um lugar, seria ao seu lado.
Se amor fosse um nome, seria o seu.

Parabéns pelo seu dia. Mesmo que, para mim, todo dia seja dia de lembrar de você, mesmo que todo dia seja dia de te amar, oito de março é um dia especial, no qual você deve ser lembrada e amada em dobro.

Beijos do cara que quer fazer você a mulher mais feliz do mundo, todo dia.

Diversão na Internet

Vejam lá estas duas animações/joguinhos que descobri pelo mundo da internet.

O jogo do pingüim é bem sanguinário, não recomendável para quem não gosta de sangue, mas é o tipo de jogo que eu gosto. O objetivo é jogar o bichinho o mais longe possível. Com um clique, ele pula, com outro clique, você rebate. Uma dica para deixar a animação mais rápida é dar um clique com o botão direito sobre o desenho, apontar para qualidade e escolher a opção "baixa". Meu recorde em distância até agora é de 1088 metros. Quem consegue mais?

Já o espanhol Metele ao Ordenata é tudo o que eu sempre quis fazer com computadores. Vão lá e vejam por si mesmos que este é o sonho de todos nós. No gabinete, dá pra clicar na frente, do lado e em cima. No monitor, dá pra clicar na frente e em cima. O mouse e o teclado só têm um ponto de clique. Extravasem todos os anos de travamentos!

Sarcófago & The Rocket Man

Coisa nova aqui no cafofo, gente. Primeiro, a seção "O Fundo do Sarcófago", que é o arquivo daqui, teve a cara refeita há uns dias. Depois, uma leve atualizada na seção "Sites Amigos". Mais além, a nova seção "The Bost of Sarcófago", que dá acesso aos textos que o pessoal mais gostou. Se vocês acharem que faltou algum texto ali é só avisar que eu coloco na lista. E se acharem que um texto não merece estar lá, boca no trombone também. A lista vai valer pros textos futuros: se eu escrever algo que mereça um mínimo de reconhecimento, avisem que vai pro mural. Por fim, mais uma nova seção, "Piano Bar", com arquivos MP3 das músicas que toquei no meu teclado. Não é lá essas coisas, mas dá pro gasto.

Quanto ao The Rocket Man, meu outro site, agora é oficial: larguei de mão. Vou continuar respondendo às mensagens que chegarem, mas não vou mais atualizá-lo. Pelo menos sei que tá servindo prum monte de gente.

The Bost of Sarcófago

Seguinte, meu povo: em pouco tempo eu vou acrescentar uma novidade aqui no cafofo, a seção "the bost of Sarcófago", cujo objetivo é dar acesso rápido aos melhores (?) textos já publicados. É certo que já tenho alguns em mente para colocar na lista, mas gostaria da opinião de vocês.

Portanto, comentem: quais textos vocês acham que merecem ganhar o boscar e entrar para o hall da infâmia?

Música

Noite chuvosa, nada pra fazer. Liguei o teclado no computador, botei o programa de gravar pra funcionar e tamborilei nas teclas. Tomem lá então mais uma música que toquei. É feio, mas dá pro gasto. Se chama Canon, e é de um tal de J. Pachelbel.

[o arquivo foi perdido]

O Mistério do Texto

Vou, enfim, pôr luz sobre o mistério que se instalou sobre o texto "diferente de todos os outros".

O Zack me encontrou no cartório e disse que tentou muito descobrir. Disse que leu pulando linhas, pulando palavras, de trás pra frente, mas nada. Muitos dos que leram desistiram rápido. A pessoa que chegou mais perto de uma possível solução foi a Trinity, procurando ausências, mas não sentiu falta da coisa certa.

Não vou mentir, e admito que usei muito o dicionário para chegar ao texto final, dado a dificuldade para encontrar todas as palavras de que precisava. Levei, acredito, mais de uma hora até terminá-lo, mas ficou muito bom, na minha humilde opinião.

O que falta no texto não é uma palavra, mas sim uma letra. O texto não tem a letra "A", a mais usada no nosso idioma.

Variedades Variadas

Variedade 01: Desculpem pelos dois últimos posts que coloquei no ar. Ambos foram frutos de um período extremamente perturbador, que me tirou a concentração e o senso de direção. Os textículos foram então uma espécie de válvula de escape. Logo, Trinity, eles não têm nada a ver com o texto esquisito.

Variedade 02: O Klutz tá com composição nova no site dele. O link tá ali do lado. Já falei várias vezes e me vou repetir mais uma vez: baixem as músicas dele, o cara é bom demais.

Variedade 03: Olha que coisa doida! Para falar sobre o cd da Celine Dion, eu traduzi o nome dele à moda Bangu, e mandei o título "Uma Mulé e Quatro Cabras", lembram? Pois não é que alguém chegou ao Sarcófago procurando exatamente por este nome? E não pensem que foi coincidência, não, porque a pessoa estava procurando pelo cd dela! E, mais incrível, se você for no Google e procurar por este nome, colocando tudo entre aspas, o Sarcófago vai ser o único site listado. Lancei moda!

Variedade 04: Só pra tornar pública a minha gratidão: Deus, obrigado por atender minhas preces. Amém.

Variedade 05: O próximo post vai trazer a solução para o mistério do texto diferente de todos os outros. Continuem tentando decifrá-lo até lá.

Palavras de Tormento II

Medo: Terror, receio; temor, apreensão.

Medonho: Que causa medo; funesto; horrendo.

Amedrontar: Meter medo a; assustar; atemorizar.

Palavras de Tormento

Angústia: Ansiedade ou aflição intensa; ânsia, agonia. Sofrimento, tormento, tribulação.

Angustiar: Causar angústia, aflição ou ansiedade a; afligir, atormentar, agoniar. Sentir angústia, aflição, ansiedade; afligir-se, atormentar-se, agoniar-se.

Alguém me Ligue

Sinceramente, não sei o que está havendo. Já falei disso há uns dias, mas volto ao assunto, já que nada tem me atormentado tanto quanto isto: a incapacidade de escrever.

Idéias não me faltam, pois tenho muito o que escrever: quero dizer porque me descobri um pouco budista, quero dizer que a escuridão não existe, quero contar que o Douglas falou que ama a Beatriz, quero mostrar a vocês um poema que me define... enfim, o que não falta é história. Mas falta inspiração.

É incrível como a facilidade que eu tinha para escrever simplesmente se foi de umas semanas para cá. Antes, bastava uma simples idéia para que uma folha de caderno fosse preenchida, mas ao que tudo indica, a minha comunhão com a caneta se foi.

Será que tenho que mudar de caneta?
Será que tenho que mudar de caderno?
Será que tenho que mudar de idéias?

Ou será que eu apertei o botão de desligar e não notei?

"Quando Você Descobriu que Me Amava?"

Eu fui sendo inundado. Foi como um rio que deságua no mar. Tem um ponto que você não sabe se é água salgada ou se é água doce, até que chega um momento em que você pode dizer com certeza: "É salgado, é oceano, é imenso."

É amor.

Fazendo as Contas

Dentro da carteira estavam R$ 98,00 em dinheiro. Tinha também uma carteira de identidade e um CPF. Além de uma camisinha, um calendário de 2003 com um telefone desconhecido anotado, uns papelotes que a Nayhara tinha me dado e, por fim, uma foto 3x4 da Sueli.

Pra tirar um CPF novo você tem que ir aos Correios, pegar o formulário, levar para casa, preencher, voltar aos Correios, enfrentar a fila, pagar R$ 4,50 e esperar mais ou menos 15 dias.

Pra tirar uma identidade nova, primeiro você vai enfrentar a fila do Detran, para ser informado de que antes você tem que ir ao Itaú para pagar e pegar o Duda. Aí então você vai ao Itaú, enfrenta a fila e na hora de tirar o Duda descobre que tem que ter o número do CPF, aquele mesmo que você perdeu. Então você sai em busca de algum documento que tenha o número do seu CPF. Quando consegue, volta ao Itaú, enfrenta a fila para pegar o Duda e enfrenta a fila para pagar o Duda: R$ 19,32. Aí sim você volta e enfrenta a fila do Detran, já munido de uma foto 3x4, xerox e original da certidão de nascimento e o comprovante de pagamento. Então eles te lambuzam a mão de graxa preta e te mandam esperar dois meses.

É preciso fazer também um boletim de ocorrência na delegacia. Você tem que esperar o escrivão de lá bater o boletim de ocorrência de um garoto que foi espancado pela vizinha, enquanto fica escutando a briga de um casal na sala ao lado. Depois de 40 minutos alguém te chama para perguntar o que você quer, e então explica que você pode fazer o boletim outro dia, já que naquele está tudo muito confuso, e que, mesmo com o boletim nas mãos você tá ferrado mesmo, pois com certeza alguém vai fazer merda com os seus documentos. Você volta então outro dia e faz o boletim, apenas para constar. Pelo menos na delegacia você não paga nada.

Por fim, você compra uma carteira nova no camelô, pela pechincha de R$ 6,00, aguarda a documentação chegar, consegue um calendário 2004 e arranja outra foto da namorada. Gasto total? Cerca de R$ 130,00.

Agora vem a lição: vai, Mário, mergulha no rio de novo com a carteira no bolso, imbecil.

Eterno Professor de Informática

Não sou disso, mas tomem lá um pouco do meu passado:

Em 1997, virei professor de informática por acaso. Eu trabalhava em um curso de inglês e o dono resolveu investir em algo mais. Junto com mais dois colegas, criamos algumas apostilas: introdução à informática, Windows (3.11!), Word e Excel. De início eram apenas aulas para alunos do próprio curso de inglês, mas em pouco tempo o curso cresceu e passou a aceitar matrículas de outros alunos.

A primeira aula foi um grande choque para mim, pois eu achei que iria lidar com adolescentes e jovens, e quase entrei em pânico quando vi que a primeira turma era feita de oito a nove crianças de cinco/seis anos. Tudo o que havia planejado foi por água abaixo. Dá pra imaginar o desastre que foi: eu, sem experiência nenhuma em dar aulas, tendo que ensinar crianças, que requerem uma didática toda especial. Mas, claro, haviam as turmas que eram como eu pensava, e aí as coisas foram mais fáceis.

Com o tempo o curso cresceu, mudou de instalações e ganhou novas salas, fizemos novas apostilas, adotamos livros... e as coisas foram mudando. Chegaram novos colegas de trabalho e com o tempo fui aprendendo a dar aulas. Como o Zack lembrou bem, era hilário a gente ter que trabalhar de gravata e roupa social. "Imagem é importante", diziam os bobos de plantão. Quando saí, teve gente até que chorou.

Hoje, quase quatro anos depois de minha saída de lá, restam as lembranças. Tem alunos que passam na rua e nem lembram mais de mim, ou, caso lembrem, não se interessam mais em falar. Tudo bem, não fazem falta. O importante são os que se lembram. Muitos dos alunos se tornaram bons colegas meus, e volta e meia paramos para conversar e lembrar dos causos. O curso me rendeu bons amigos e até mesmo uma namorada.

Às vezes bate saudade de estar com aquele pessoal de novo, mas não dá pra voltar atrás. Resta só rever as fotos e lembrar.

P.S.: Só pra constar: visitem os arquivos e leiam o texto Cinco de Fevereiro, por favor.

Os Revisores Nunca Morrerão

Todo mundo já fez isso, até eu: digita-se o texto, geralmente num Word pirata, e lasca-se o botãozinho "ABC" para correção das palavras. O resultado é uma série de correções de palavras que foram digitadas erradas e um número talvez ainda maior de erros que o Word deixa passar. Como? É que os corretores verificam, na maioria das vezes, apenas a grafia das palavras, dexando passar erros de concordância, entre outros.

Isso acontece porque os corretores geralmente funcionam assim: eles têm uma lista gigante de palavras. Quando o texto é digitado, eles vão comparando cada palavra com a lista. Se ela não estiver lá, tome-lhe destaque sublinhado de vermelho. É por isso que muitas palavras certas são dadas como erradas: o "Klutz" da minha lista de cds favoritos, o "Macacu" do nome da minha cidade e o sobrenome da Sueli.

Graças a isso, muitas palavras com erro de acentuação são deixadas pra trás, como por exemplo distancia / distância ou o trio sábia / sabia / sabiá. Uma simples troca ou omissão de um acento pode levar um texto à perdição. Ademais, como a maioria dos programas não pega erros de concordância, eles deixam passar aberrações como "o meninas está vestido, eles já vai saíram".

Mas mesmo que o programa seja capaz de barrar erros de concordância, muitos outros erros podem se esconder por falta, excesso ou troca de letras. A frase "o meu baralho é grande" pode se tornar extremamente ofensiva graças a um pequeno erro. Para erros assim o computador não tem olhos. E, arrisco-me a dizer, nunca terá.

Portanto, tome-lhe lá duas dicas de quem já trabalhou com textos durante anos.

Primeira: leia tudo de novo depois de escrever. Duas vezes. Nunca mais use o recurso de correção dos programas. A prova de que muitos erros passam sem serem notados são os que volta e meia aparecem no Sarcófago: eu nunca sou avisado sobre eles, e olha que eu leio os textos umas três vezes antes de publicar.

Segunda: dá pra acrescentar novas palavras à lista do Word. Quando ele sublinhar uma palavra certa, dê um clique com o botão direito do mouse nela e no menu que aparecer, clique em adicionar. Com o tempo, você vai formar um grande dicionário.

Quando a Idéia Não Vem

Nunca uma idéia foi tão difícil de colocar no papel. Geralmente, quando escrevo um texto, seja ele um conto ou uma elucubração qualquer sobre a vida, eu parto de um conceito que já havia se formado na minha mente e escrevo.

Quando estou com a caneta na mão e o caderno a postos, parece que os textos são escritos via psicografia, de tão rápido que as idéias fluem e as palavras são escritas. Não é nenhuma possessão, mas é quase uma espécie de transe: eu só paro quando o texto acaba, duas páginas depois, cheio de rasuras e quase incompreensível. A partir daí, é questão de digitar, acertar e corrigir. Tudo não me toma mais que meia hora do tempo.

Mas hoje isso não aconteceu. Peguei a caneta e o caderno e comecei a escrever. Uma linha. Duas. Três. Ponto e pausa. Longa pausa, fora do comum. Tentei continuar: outro parágrafo, mais rasuras e outra longa pausa. Novo reinício, a idéia fervendo na cabeça e a caneta se recusando a escrever.

Resolvi escrever isto aqui agora. Não está sendo rápido, mas está fluindo. Está sendo incomum porque estou escrevendo com minha letra normal, não terminei a primeira página e minha mão já dói. Pensei em tentar escrever outro dia, mas está idéia está fazendo o maior rebuliço em meus miolos há umas duas semanas ou mais e preciso colocar isso pra fora. Talvez seja melhor rabiscar qualquer coisa e então ir lapidando, porque tenho a sensação de que este pode vir a se tornar um de meus melhores textos.

(Engraçado, enquanto escrevo isto já vou tendo uma idéia para um outro texto. Reproduzir no Sarcófago um texto em forma bruta, tal qual estiver no caderno. Tenho alguns originais guardados. Será que seria interessante ver os trechos retirados, trocados, errados, corrigidos, assim como estavam antes de serem digitados?)

Bem, acho que o texto não era pra sair hoje, então vou deixar a idéia de lado pelo menos até amanhã. Aí eu tento de novo e vejo se sai alguma coisa, porque hoje o santo não tá baixando mesmo.

Desculpe se a fiz chegar até aqui para não ler nada de útil, mas nem sempre eu consigo fazer algo que preste. Só que hoje eu pus este "não conseguir" no papel. Pelo menos surgiu a idéia do "texto bruto".

Uma Mulé e Quatro Cabras

Esse é o nome - em português do interior - do novo cd da Celine Dion. Já citei-o duas vezes no Sarcófago antes mesmo de tê-lo em mãos, e hoje, um mês depois de ganhá-lo, vo-lo comentá-lo-ei.

Gravado todo em francês junto com uns cobras da música francesa, 1 Fille & 4 Types traz uma Celine de interpretações bem variadas: às vezes bem ao seu estilo e em outras com sonoridades novas. Além disso, belas letras que merecem atenção.

Em três músicas Celine canta junto com os cabras (Apprends-moi, Des Milliers de Baisers e Valse Adieu). Acho que esses caras são como grandes nomes da música brasileira, tipo Djavan e Maria Bethânia: famosos na origem mas desconhecidos no exterior. Mesmo assim, pelo que tenho lido, eles são feras: compositores, escritores, arranjadores, produtores, diretores... enfim, um timaço do nível da Celine.

O disco abre com a música "de trabalho", Tout l'or des Hommes (Todo o Ouro dos Homens), aquela mesma que entrou para o meu disco "Um Pouco do Melhor de 2003", que já comentei por estas bandas. A segunda música, Apprends-moi (Me Ensine) pisa levemente no freio para abrir caminho para a belíssima Le Vol D'un Ange (O Vôo de um Anjo), uma das melhores músicas do disco.

O disco então dá uma incendiada com Ne Bouge Pas (Não Mexa), um country. Parece estranho mas funciona legal e o refrão empolga. Outra das melhores do disco. Novo puxão no freio e paramos em Tu Nages (Você Nada). Seguindo em frente, tome-lhe deja vu com Je t'aime Encore, versão da música de mesmo nome que está no One Heart, outro cd dela. Esta se enquadra na categoria "música de quem perdeu um grande amor", e é muito linda, embora eu prefira a versão em inglês.

Uma das melhores letras do disco está em Retiens-Moi (Me Segure), uma balada animada com leves riffs de guitarra. A oitava música é, de longe, a minha favorita. Estou cantando Je Lui Dirai (Eu Direi a Ele) praticamente por inteiro de tanto ouvir e acompanhar a letra. Letra aliás, maravilhosa, que parece ser dedicada de mãe para filho. Só lendo para entender. Desde antes de saber o que a letra dizia eu já estava viciado nesta música. Ela tem um ar muito alegre, de final feliz. Experimente!

Em seguida Mon Homme (Meu Homem) é uma declaração de amor daquelas de arrasar quarteirão. Lenta, gostosa, muito show. Bem Celine mesmo. E então vem Rien n'est Vraiment Fini (Nada Nunca Acaba de Verdade), outra canção que é a cara da Celine. Linda de matar. Contre Nature (Fora do Comum) é mais uma que tem uns riffs de guitarra aqui e ali, e é bem animada. Se fosse em inglês faria um sucesso danado.

A última faixa reúne duas músicas separadas por um espaço de um minuto de silêncio. Não acho que estejam fazendo nenhuma homenagem, e sim quiseram esconder uma música. Assim, só ouve a música secreta quem não tirar o cd logo que a primeira acaba. A primeira - Des Milliers de Baisers (Milhares de Beijos) - é um crescendo impressionante, onde todos eles cantam e que chega ao ápice com Celine a plenos pulmões em um de seus agudos inigualáveis. Valse Adieu (Valsa do Adeus) é mais uma brincadeira dos artistas do que uma música para fazer sucesso. Fala de despedidas, amizades, tempo. É pra encerrar o disco.

Sei que tem gente que não gosta da Celine por causa do seu estilo às vezes gritante, mas aconselho este disco a todos - inclusive aos anti-gritos. É música de primeira qualidade. Para os curiosos de plantão, as letras estão aqui. Aliás, elas merecem uma lida mesmo de quem não é curioso. São traduções feitas por moi a partir de traduções em inglês.

O cd está tocando sem parar desde o Natal e com certeza vai tocar por uns bons meses até ser superado.

A Garota que Tinha Medo de Gostar Demais

Ela se achava madura, consciente, dona de si. Sabia o que queria da vida e, mais importante talvez, sabia o que não queria da vida. Só isso já era o suficiente para evitar que ela se aventurasse por idéias bobas ou que dariam frutos pouco doces.

Assumira as responsabilidades da casa junto com a irmã desde cedo, quando seu pai morreu. Ainda bem menina, se viu obrigada a trabalhar fora e dentro de casa para ajudar a mãe a manter a família em pé. Às vezes pensa até que teve sua adolescência roubada.

Por esse mesmo "roubo" de parte da sua vida, nunca foi uma "menininha". Não tinha roupas "bonitinhas", não ficava suspirando pelo garoto mais descolado e nunca, nunca mesmo, tivera um diário de adolescente.

Virou mulher cedo. Não digo "virar mulher" com aquela idéia de perder a virgindade e se entregar a um homem, mas sim de se tornar adulta, livre e independente. Esta transformação precoce ajudou mais ainda para distanciar dela a imagem de moça sentimental. Saía com as amigas, claro, mas se sentia mais à vontade com pessoas mais velhas. Por tudo o que já passara na vida, não tinha muito assunto para conversar com as colegas da mesma idade. Já não tinha paciência para ficar falando de moda, revistas ou do bonitão da esquina (se é que um dia teve paciência para isso).

Com os mais velhos é que se sentia bem à vontade. Falava da vida, do preço das coisas, da conta de luz que aumentou. Com eles podia filosofar e discutir sobre seus erros e aprender mais.

Nunca se apaixonara. Pensava nisso como uma coisa estranha: se vivera sua vida sem precisar de muita ajuda, como é que na porta dos 30 anos ela iria começar a sentir palpitações por um sujeito qualquer?

Por isso mesmo ela morria de medo e tremia por dentro toda vez que se dava conta de que estava parada no serviço pensando no namorado. Ele não é nenhum Tom Cruise nem tem voz de locutor. Ele não é nenhum gênio e nem sabe dançar direito. Mas mesmo assim estava apaixonada. Ela não se reconhecia e achava que estava gostando mais do que devia. Por que logo ela, tão dona de si, tão dona de sua vida, iria virar uma adolescente em um par de meses? Por que logo ela iria escrever cartas amorosas?

Tentava então achar defeito nele. Qualquer coisa que a fizesse gostar menos, que a trouxesse de volta a seu jeito adulto, maduro e controlado de antes. Mas não conseguiu. Numa noite, sentados na beira do lago, ela contou tudo a ele. Era uma tentativa de talvez fazê-lo se aborrecer, aí então ela teria uma desculpa para gostar menos, mas o tiro saiu pela culatra.

"Não tenha medo", disse ele. "Todos temos as mesmas etapas a cumprir, só que as suas aconteceram numa ordem diferente do comum. Geralmente as pessoas se apaixonam e só depois se amadurecem. Você amadureceu antes, e sabe distinguir quando está apaixonada por uma imagem ou se está apaixonada por uma pessoa de verdade. Esta maturidade vai te ensinar a deixar de ter medo de gostar demais. Ela vai mostrar que você já é grandinha o suficiente para gostar do jeito certo, seja isso gostar muito ou gostar pouco."

Só então ela se convenceu de que não dá para racionalizar ou controlar sentimentos. Gosta-se e pronto. Dá pra, talvez, controlar a entrega ao sentimento. Mas controlá-lo, jamais.

E se apaixonou de novo. De vez.

Jogo de Palavras

Vou tentar fazer uma coisa diferente, coisa esta que somente vou te revelar, cara leitora, no final deste texto. Texto este que inicia suas primeiras linhas em uma folha em branco de um caderno usado por mim mesmo quando eu estava estudando no Segundo Grau nos idos de 1995, curso este que hoje em dia teve inclusive seu nome modificado.

O objetivo deste texto passa longe de tudo o que eu cheguei a colocar neste meu simples blog, este mural de contos e relatos variados. A vontade de escrever algo assim morou dentro de mim por longos e numerosos meses, mas nunca me dei o trabalho de colocar a tal vontade pra funcionar. Mas hoje, uma noite chuvosa de um janeiro completamente fora do normal, ela reapareceu e me arrebatou.

Ora pois, pus-me a procurar este caderno de rascunhos no fundo da gaveta de baixo do lado esquerdo da minha escrivaninha, e, assim que o encontrei, sentei-me confortavelmente na minha poltrona e iniciei a batalha contra o meu conhecimento.

Qualquer pessoa sensata pode ser capaz de notar que por estas poucas linhas que escrevi nenhum assunto pertinente ou interessante se fez notar (e nem vai se fazer), o que chega a ser um perigo, pois um visitante de primeira viagem pode pensar que sou afeito a devaneios e loucuras e pode, com um simples clique de seu mouse, fechar a janela ou voltar para tela anterior e nunca mais dar as caras por aqui.

Por sorte, tenho alguns leitores que costumam vir bastante a este cafofo virtual, e estes sabem que estou tramando algo. E mesmo que, ao chegar ao final, pensem que tudo isso demonstre ser uma pura perda de tempo, tenho como certo o seu retorno.

Bem, estou a terminar o verso da folha de caderno, e mesmo sabendo que isto tudo que vejo vai se transformar em poucas linhas numa tela de computador, acho que posso me dar por satisfeito.

Logo, como o texto se parece se aproximar de seu fim, vou explicar meus planos: em agosto ou setembro do ano passado, perdoem-me se meus miolos falham, o Blogger estava dando pau com os acentos e todos os textos eram publicados com caracteres errados. Por isso, o Inagaki, que escreve o excelente blog "Pensar Enlouquece. Pense Nisto." escreveu um texto inteiro reclamando do problema do Blogger, ao mesmo tempo em que o fazia sem usar nenhum - eu disse nenhum - acento. Acho que nem mesmo cedilhas ele usou. Mas veja que em nenhum momento ele escreveu errado: apenas deixou de usar palavras acentuadas.

Logo, desafiei-me a mim mesmo a escrever um texto como aquele, e hoje o fiz. Muitas rasuras se espalham por este rascunho, que logo digitarei, mas o importante eu consegui: venci meu desafio e cheguei aqui sem usar acentos. Achei que seria incapaz de lograr tal feito, mas acabei vendo que foi menos doloroso do que pensei que seria quando comecei a rabiscar.

Desculpe, querida leitora, se a fiz perder seu precioso tempo com uma baboseira grande como esta, mas de forma alguma posso negar que, pra mim, isto foi um grande divertimento, uma bela brincadeira com palavras (coisa que adoro), algo que me levou para depois dos limites que eu julgava ter. Portanto, de forma alguma me arrependo.

Infelizmente, nem assinar meu texto eu posso, visto que meu nome tem um acento figurando logo acima da primeira vogal. E tampouco posso escrever o nome do meu site, pelo mesmo nefasto motivo. Portanto, ponto final, porque meu estoque de palavras se esvai cada vez mais, a cada linha que surge.

Suicídio

Na semana do Natal, duas mulheres se mataram aqui na nossa cidade. Uma se jogou do viaduto no dia 22 e morreu horas depois no hospital. No dia 23 a outra, pelo que ouvi dizer, tomou veneno. Fiquei a pensar. O que leva uma pessoa a tirar a própria vida? Definitivamente, o suicídio é um ato de extremos.

Coragem extrema. Tirar a própria vida é um ato de muita coragem porque é o passo definitivo para sofrer. O quanto não sofreu a mulher que se jogou do viaduto, entre o momento em que começou a cair ao momento em que finalmente sucumbiu? Qual não deve ser a sensação de estar caindo em direção ao chão? Eu jamais teria tanta coragem. Não consigo imaginar a coragem necessária para deitar no parapeito de um viaduto a trinta metros de altura e, conscientemente, se deixar cair. É sangue frio ao extremo.

Covardia extrema. Suicidar-se é sinal de muita covardia porque é assumir não ser capaz de suportar fardo nenhum, de não ser capaz de reagir e buscar algo melhor. O que passa pela cabeça de uma pessoa que imagina não ter mais forças para viver, para enfrentar seus problemas. Posso, sim, ter uma fração da idéia da dor da mãe que perdeu a filha num acidente, mas não consigo conceber tamanha falta de amor próprio a ponto de desistir de viver.

Extrema falta de fé. Deus, ó Deus, será que estas pessoas se esquecem que estás aí? Será que são incapazes de lembrar da história de Jó, que tanto sofreu mas não perdeu sua fé? Qualquer pessoa com um mínimo de fé em Deus sabe que esta fé é capaz de mover montanhas e trazer luz a uma vida ruim.

Desespero extremo. Normalmente, tomamos atitudes que julgamos eficazes para resolver os nossos problemas, e, volta e meia, somos levados a tomar algumas atitudes drásticas para tentar virar a mesa, mas matar-se é o cúmulo de desespero, como se a morte fosse resolver problemas ao invés de criar mais um para os que ficam.

O que poderia ser feito para evitar isso? Uma conversa, um ombro amigo, uma companhia. Sabe-se lá o que. Mas acredito que apoio não faz mal a ninguém. Mesmo que não aparentem, as pessoas precisam dele.

Pode ser que uma presença mais constante evite um passeio ao viaduto.

Pode ser que um convite para um café evite o preparo de uma dose de veneno.

Jornalecos do Sarcófago?

Recebi uma mensagem anônima:

Oi Mário, você não me conhece, mas sou um leitor assíduo do Sarcófago há uns bons sete ou oito meses. Nunca fiz nenhum comentário, mas sempre acompanho as opiniões dos outros visitantes.

Nem sempre concordo com o que você fala, mas gosto do seu jeito de escrever, em que às vezes até abusa no uso das metáforas. E também às vezes chego a pensar que os seus contos não passam de reproduções da sua própria vida e que você não inventa nada do que escreve.

Mas não estou escrevendo apenas para te elogiar. Como leitor mais ou menos antigo, acompanhei de perto a hilária fase dos "jornalecos". Só que parece que o feitiço virou contra o feiticeiro e é você que anda falhando bastante. Não é mais tão difícil encontrar erros nos seus textos.

O que está acontecendo? Para quem era um defensor da boa escrita e da gramática correta, você anda bem relaxado. Quer que eu faça um jornaleco do Sarcófago?

Vida Extraterrestre

Acho que poucos assuntos são tão polêmicos e controversos quanto a existência de seres vivos fora do nosso planeta. Milhares dizem que sim, milhares dizem que não, milhares dizem que não sabem, milhares não estão nem aí, e outros tantos dizem que são. Eu sou do time dos que acreditam que sim.

Antes de mais nada, é bom deixar claro que por acreditar, não trato como burros ou ignorantes aqueles que não acreditam, visto que como não há provas da real existência de homenzinhos verdes em marte ninguém pode afirmar categoricamente que eles estão por lá.

Por ser um assunto que não tem provas contra nem a favor, é uma questão de acreditar. Uns vão dizer que existem provas, como por exemplo o caso da Área 51, nos Estados Unidos, ou as visões do ET de Varginha. Mas, convenhamos, tudo não passa de especulação.

O que me leva à conclusão de que existe vida fora da Terra é o pensamento lógico. Ao contrário de meu amigo Bruninho, que acredita na Bíblia e em que somos todos descendentes de Eva e Adão, eu sou um evolucionista. Acredito sim, que descendemos de primatas pré-históricos, que as formas de vida evoluem com o passar do tempo, e que Darwin estava certo em suas teorias de que o mais forte sobrevive. Contra isso acredito não haver o que discutir, pois temos provas da evolução dos animais.

Só que, religiosamente falando, não acredito que tanta evolução tenha sido resultado de acontecimentos sem controle, largados ao léu. Acredito que em tudo o que vive, em tudo o que evolui, há o dedo de Deus. Sendo Ele poderoso como é, deve ser fácil para Ele criar seres capazes de se adaptar lentamente ao ambiente e às necessidades que o mundo põe à sua frente.

Ou seja: acredito que fomos criados por Deus, mas não moldados a partir do barro, mas sim a partir de milhares e bilhares de anos de evolução lenta e gradual.

Voltando ao assunto dos extraterrestres: é fato claro para todos que o universo é muito grande. Grande mesmo. Maior do que nossas mentes são capazes de conceber. Logo, não me entra na cabeça o fato de que, tendo Deus criado tanta coisa, Ele tenha posto vida apenas na Terra. Seria o maior desperdício de espaço da História.

Imaginando que exista vida apenas aqui, poderíamos pensar que Deus criou as estrelas para iluminar nosso céu e nos fazer inventar histórias de etês e poemas de amor. Mas aí alguém precisaria me explicar o motivo de a maioria esmagadora das estrelas estar fora do nosso alcance de visão. Seria então um grande desperdício de trabalho: pra que criar tanta coisa que ninguém é capaz de ver?

Portanto, o pensamento lógico só me leva a crer que em outros planetas na infinidade do universo Deus tenha criado vida. Mas não digo seres vivos capazes de criar naves espaciais para levá-los a outros planetas - a Terra, inclusive. Penso em seres vivos parecidos com nós, ou em estágios de evolução anteriores ou posteriores ao nosso. Pode haver, por exemplo, um planeta por onde caminhem animais irracionais como os dinossauros. Ou então, um outro planeta onde existem seres racionais como nós, que também têm problemas de família e dinheiro e que também fiquem discutindo se existe vida em outros planetas como o deles.

Conversando sobre isso com a Sueli no início do ano, ela argumentou que, se Deus tivesse criado seres vivos fora da Terra, o teria deixado claro na Bíblia, que é a Sua palavra. Pensando mais tarde no assunto, vi que esse argumento não se sustenta, já que o homem descobriu - e sempre descobre - muita coisa que não está na Bíblia. Bom, pelo menos eu nunca ouvi dizer que a Bíblia fale sobre ondas de rádio, raios x, aviões ou internet. Tudo isso nasceu enquanto o homem descobria coisas que Deus escondeu pelo mundo.

Por ser um ser pensante, aos poucos o homem vai descobrindo coisas e derrubando mitos que antes achava verdades absolutas: só com o passar dos séculos é que se descobriu que a Terra é redonda, que o sol não gira em torno da Terra e que seres invisíveis a olho nu - vírus e bactérias - são capazes de matar um homem saudável. Logo, não é loucura pensar que o homem um dia venha a descobrir um outro planeta habitado.

Novamente sou levado a pensar que existe sim vida fora da Terra. E se Deus não nos falou nada sobre o assunto, deve ser por que nos acha incapazes de conviver com isso (ou com 'eles' - pois na Terra já temos desavenças demais). Ou então Ele prefere nos deixar que descubramos os outros sozinhos. Ou - por que não? - deixar que eles nos descubram.

Mas, como disse no início, tudo isso não passa de especulação, de fé no meu pensamento lógico. O que não torna tudo isso verdade absoluta. Sendo Deus tão poderoso e superior a nós, pode ser sim que ele tenha criado vida só na Terra e que o resto do universo esteja reservado a planos que não nos dizem respeito. Enquanto não houverem provas concretas, a dúvida permanecerá e extraterrestres renderão bons roteiros de filmes.

2003 - O Ano que Ainda Não Acabou

Hoje um estranho bateu à minha porta. Não era exatamente um estranho e, pra ser honesto, não foi à porta que ele bateu. Na verdade o encontro se deu na frente do espelho. Enquanto fui fazer a barba o homem no espelho me olhou nos olhos e me avisou de algo que eu ainda não tinha me dado conta: 2003 tinha que acabar.

Como eu sou de conversar olhando fundo nos olhos, ele logo sacou que eu não me convenceria de primeira sobre uma idéia que me parecia tão absurda: porque 2003 - o melhor ano da minha vida até então - deveria ser simplesmente mandado embora, como se tivesse cometido algum ato cruel e reprovável, e não houvesse outra opção senão bani-lo para sempre da existência?

"Assim é a vida" - disse, tentando me convencer que tudo o que tinha acontecido em 2003 era passado, que aqueles momentos não poderiam ser revividos e portanto não adiantaria ficar remoendo algo que não voltaria a existir. Disse ele:

- Você já não desmontou sua árvore de natal, seu móbile de lembranças boas e ruins? Não foi você mesmo que disse que a árvore teria que ser desmontada para que outras lembranças pudessem ser colecionadas para enfeitarem a árvore do natal de 2004? Inspire-se então em seus próprios atos e em suas próprias metáforas e guarde tudo em um caixote, em um baú de sua memória, em um sarcófago enterrado em uma pirâmide e faça uma casa nova, livre para experimentar e criar uma vida diferente.

Em certo ponto chego a concordar com ele. Certas coisas têm que ser deixadas no passado, mas 2003 não pode acabar. Não pode e não vai. Muitas sementes foram plantadas neste ano, e não é qualquer primeiro de janeiro que poderá tirá-las da terra e impedi-las de brotar. Principalmente porque estas sementes estão germinando e crescendo fortes e enérgicas, já tentando criar raízes profundas.

Nada impede que 2004 comece. Aliás, 2004 já tinha começado em dezembro (ou até bem antes), quando muitos planos foram traçados, várias promessas foram feitas e algumas metas foram definidas. Mas 2003 não pode acabar. Que ele dure para o resto da minha vida, sempre gerando frutos e guardando doces lembranças.

O homem no espelho e eu então concordamos: 2003 não acabaria, deixaria apenas de receber novas sementes.

Malditos Hackers

Se alguém andou visitando o Sarcófago nos últimos dias, deve ter deparado com uma cara muito feia: colunas desfeitas, texto sem formatação, fundo branco, nada de logotipo. Explico: desde que o kit.net arranjou treta para armazenar os meus arquivos, resolvi voltar ao endereço antigo e hospedar os dados no espaço que o meu provedor permite usar.

Mas desde antes do natal o provedor vem sendo atacado por um hacker, que tem por esporte a imbelicidade de derrubar o sistema dos outros. Resultado: os arquivos do Sarcófago - imagens e informações de formatação de página - ficam fora do alcance da minha página no Blogger, daí tudo fica feio.

Se não bastasse, os emails também ficam fora do ar. Nestas últimas três semanas perdi dezenas de emails (e umas centenas de spams).

Então peço desculpas pelos erros dos outros: a Brasilvision está se mostrando incapaz de se defender do maldito hacker, deixando o Sarcófago com cara de quarto de criança. E se alguém me mandou um email e não obteve resposta, mande de novo até conseguir uma.

Espero que meu provedor se resolva rápido e que o hacker se canse da brincadeira e vá procurar algo de útil para dignificar sua até agora inútil existência.