O Último Post de 2004

Venho no último dia do ano pra avisar que vou sumir por uns dias. Vou entrar de férias e só volto a dar as caras aqui pelo cafofo depois do dia 13 de janeiro. Obrigado a todos pela companhia durante o ano.

Para entreter vocês durante estas próximas duas semanas, pergunto: qual foi o melhor post do Sarcófago em 2004?

Feliz 2005 pra todos.

Um Pouco do Melhor de 2004

Como já está virando meio que tradição, todo final de ano eu gravo um cd com as músicas que marcaram o período que terminou. Infelizmente, 2004 não foi um ano muito produtivo, por ter sido extremamente corrido. Não pude ouvir tanta música como costumava ouvir até o ano passado, e por isso mesmo a lista não está tão grande assim. De qualquer maneira, vamos ver aqui quais foram as músicas que mereceram destaque e vão para o novo cd.

O primeiro grande sucesso - e talvez o maior - foi Je Lui Dirai, da Celine Dion, do cd 1 Fille & 4 Types, em francês, do qual já falei aqui. Esta tocou direto por mais de dois meses. Ela tem um ar de final feliz, apesar da letra não ter nada a ver com o que a melodia transmite.

Em seguida, quem tentou em vão tomar o posto, mas ainda assim chamou a atenção foi Utopia da Alanis Morissette. Com uma letra realmente utópica, tem um ritmo muito legal, com a Alanis cantando rápido, meio que embolando uma palavra com a outra mas sem embolar. Só ouvindo para entender. Muito boa.

Em seguida, uma regravação da Adriana Calcanhoto de uma música de Claudinho e Buchecha. Não sou muito chegado a regravações, principalmente de músicas que sejam novas, mas Fico Assim Sem Você deu de dez na original. Começando com voz e violão e ganhando uma batida deliciosa no final, tocou bastante por aqui.

Direto do fundo do baú vem Mr. Jones, dos Counting Crows. Mais um daqueles grupos que fazem sucesso com uma música só. Ninguém lembra o nome do grupo mas todo mundo conhece a música. É uma das poucas músicas que me fazem querer cantar num videokê.

Como não poderia faltar, Elton John marca presença com The Heart of Every Girl, saída da trilha sonora do filme O Sorriso de Monalisa. Com o maior jeitão de música dos anos cinqüenta ou sessenta, marcou presença e tocou direto durante mais de um mês.

O título de "coisa fofa" do ano vai para Madrigal, do Lazza (ou seria Lazza, do Madrigal). Nunca entendi qual era o nome da música e qual o nome do artista, mas o tema de abertura da novela Cabocla conquistou meus ouvidos desde a primeira escutada. Eu poderia estar longe que parava o que estava fazendo só para ver a abertura da novela.

Outra que ganha destaque, e esta é daquelas que eu não enjôo por nada, é On My Way, do Phil Collins, tema do desenho animado Irmão Urso, do qual também já falei por aqui. Que música! Que letra! Definitivamente, uma das melhores do ano.

Assim como na coletânea de 2002, a trilha sonora de Shrek marca presença, desta vez na voz de Rufus Wainwright, na maravilhosa Hallelujah. Uma porrada no ouvido em voz e piano.

No que poderíamos chamar de segundo escalão do cd estão as músicas que, apesar de muito boas, não receberam a devida atenção. Lá estão Adrienne, fazendo o The Calling entrar pela segunda fez numa coletânea anual; Você Passa Eu Acho Graça, com uma letra maneiríssima na voz de Clara Nunes; Paula e Bebeto, outra música com ar de final feliz, saindo direto do acústico da Gal Costa; Luna, de Alessandro Safina; Foo Foo, uma festa musical de Santana; e Poema, música genial de Cazuza e Frejat, aqui na voz maravilhosa de Ney Matogrosso.

Bem, é isso. Ficam aí as dicas para quem quiser copiar as músicas que não conhece para ver se também acham boas. Que venham os próximos doze meses e os novos sucessos.

O Mico Natalício do Ano

As equações:
Igreja Batista = igreja conservadora
Igreja conservadora = nada de palmas
Nada de palmas = nada de palmas mesmo

O fato:
Dia 25 de dezembro.
Cantata de Natal.
Igreja lotada.
Uma mulher declama um poema com emoção.
Um infeliz bate palmas.
Sozinho.

Sueli sussurra desesperada, agarrando minhas mãos: "aqui não!!!".

Mereço?

Novidades de Natal

Hoje rolaram umas atualizações no Sarcófago, resultado de uma noite que é véspera de um dia de folga. Como não tenho que ir trabalhar na sexta, cá estou eu às duas da manhã escrevendo algo.

A primeira atualização é a caixa de busca do Google, ali à direita.

A segunda são os links para outros sites. Saíram uns, entraram outros, atualizaram-se alguns.

A terceira foi a entrada dos textos Carro de Propaganda e Viviane e o Amor para a galeria The Bost of Sarcófago.

Aproveito e pergunto: vocês acham que os textos Pais e Filhos, Post Mortis Sentimentus Je T'Aime Encore deveriam entrar para a galeria também? Vocês acham que alguma outra coisa deveria entrar pra galeria?

Nem Só de Pão...

Um dos versículos que mais gosto da Bíblia, Mateus 4,4, nos traz a resposta que Jesus deu ao diabo quando este o mandou transformar pedras em pão: Mas ele respondeu: "está escrito: Não só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus".

Dias atrás, enquanto esperava o computador conectar à internet, abri minha Bíblia a esmo e caí de pára-quedas em Deuteronômio 8,3: Ele te impôs a pobreza, te fez sentir fome e te deu a comer o maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis, para te levar a reconhecer que nem só de pão vive o homem, mas que ele vive de tudo o que sai da boca do Senhor.

Senhoras, suas interpretações sinceras, por favor. Depois eu digo as minhas.

Cara de Pau

É sério, isso aqui aconteceu comigo:

Já fazia uns dois ou três meses, eu andava tendo problemas na hora de conectar à internet. O computador discava, fazia a conexão mas recusava minha senha. Eu digitava de novo, desconectava, tentava de novo, mas nada. Problema esse, repito, que já vinha durando uns dois ou três meses.

Daí que, semana atrás, eu estava no cartório e fui conectar usando minha senha para poder resolver um probleminha. Como o servidor rejeitou minha conexão, liguei para o atendimento do provedor e perguntei à menina se eles estavam com algum problema, já que eu não conseguia conectar. Ela deu uma olhada e me falou que eu estava conectado. Eu disse que era impossível, já que eu estava tentando conectar e não conseguia.

Ela me passou então o telefone que estava sendo usado para acessar a internet usando o meu login, disse que iria derrubar a conexão do salafrário e me aconselhou a conectar assim que conseguisse e então trocasse minha senha.

Foi o que fiz. Assim que consegui conectar, troquei a senha e fui verificar quais eram os telefones que estavam se conectando com o meu login. Além do meu e o do cartório, descobri mais dois. Um deles, depois de uma rápida busca e de alguns telefonemas, descobri de quem era: o Cid, que trabalha na Defesa Civil, que fica do lado da minha casa. Resolvi deixar quieto por um tempo e não falar com ele, para ver se o problema voltaria a acontecer.

Poucos dias depois, chegando em casa, o indivíduo me parou e perguntou o que é que tinha acontecido com a senha, porque ele estava tentando conectar e não estava conseguindo. Muita cara de pau? Calma que tem mais.

Quando falei que tinha mudado porque alguém estava acessando sem que eu soubesse, ele me perguntou se eu sabia quem era. Falei que não, mas haviam dois telefones. Ele me perguntou então se eu sabia de quem eram. Falei que não, apesar de saber que sim. Ele então admitiu que era ele, dizendo que só acessava nos horários que sabia que eu não estava em casa, tipo à noite, horário da faculdade, sendo que eu não conseguia acessar em vários horários, como sábados, domingos e de madrugada. Muita cara de pau? Calma que tem mais.

Perguntei como é que ele tinha conseguido a minha senha e ele explicou que tinha conseguido com uma pessoa, mas só iria contar quem era se eu garantisse que não iria brigar com a tal pessoa. Claro que não garanti. Depois de enrolar bastante, Flávio confessou que quem tinha dado a minha a senha a ele tinha sido meu primo Luís. Ainda assim, pediu muito para que eu não falasse nada com ele. No final das contas, tentou até mesmo me convencer de quem estava errado na história era eu, ao reagir contra eles com tanta raiva. Muita cara de pau? Calma que tem mais.

Lembra que haviam dois telefones desconhecidos que estavam conectando? Pois é, depois de algumas rápidas buscas na internet, descobri que o outro era do Luís, o mesmo que tinha dado a senha para o Cid. Não lembro se em algum momento eu dei a minha senha para o Luís para que ele pudesse resolver algum problema, mas daí a usar minha senha indiscriminadamente e, pior, cúmulo dos cúmulos, passar a coitada para outra pessoa? Pô, fala sério. Não o procurei, querendo ver se ele viria na minha casa para tirar satisfação, assim como o outro. Muita cara de pau? Calma que tem mais.

Quando eu também achava que não teria como piorar, o Cid me parou de novo na rua, dias depois, e veio perguntar se eu tinha realmente cancelado ou se tinha só trocado a senha. Caso eu tivesse só trocado, ele queria propor da gente usar junto, e cada um pagava um mês, alternando. Pode um negócio desses?

Por fim, depois de um par de semanas, o Cid me parou mais uma vez na rua para dizer que tinha se cadastrado no provedor para ter acesso à internet e me disse o login e a senha dele, para que eu pudesse usar à vontade. Ah, bem que eu podia entrar e trocar a senha só de sacanagem. Ou então divulgar ela aqui no Sarcófago...

A Coisa non-sense do Mês

Pra quem teve infância entre 86 e 90, isso aqui é uma ótima maneira de recordar os tempos de Jaspion e Daileon. Animação tosca e hilária com o herói japonês e seu robô gigante.

Mais Viviane e o Amor

Deixando de lado a discussão sobre a qualidade do texto, vamos a umas coisas curiosas sobre ele. Tenho uma colega, que volta e meia a gente se cruza e troca umas palavras. O texto Viviane e o Amor foi feito meio que "pra ela", inspirado em umas coisas que certa vez ela me falou. Quando soube disso, nem esperou para me encontrar pessoalmente e despachou um email pra minha caixa postal:

"Caaaara, que surpresa!!! Eu até imaginei, mas não esperava! Fiquei muito contente. Muito obrigada, é muito gostoso saber que a gente serviu de inspiração pra alguém, obrigada mesmo. E eu espero que o seu texto, seja mais que um lindo post, vire uma profecia...

Tem um outro seu, antigo, que eu gosto muito mas não lembro o nome, e estou sem madrugadas pra procurar, mas que expressa, explica até, o que eu ando sentindo (...) atualmente. É um que você fala que você não é o que escreve, que o os contos e os posts traduzem sim um estado de espírito mas que isso não é o que você é o tempo todo. Ele expressa e explica o meu estado de espírito hoje, porque (...) é algo que anda latente em mim, algo que por mais que eu não lembre o tempo todo, eu não consigo esquecer, e isso é muito estranho. É como se eu realmente visse o mundo cinza, mas não percebesse (ou lembrasse) disso, e aí de repente eu bato a mão na cabeça e digo, "mas ei, o mundo tá cinza!!!!!". Ao mesmo tempo, eu vejo as cores ao meu redor, mas não dentro de mim. Confuso né?. É. O meu mundo eu vejo cinza, mas sei que o mundo não é cinza, e tenho esperanças (porque fui mordida pelo bichinho do acreditar quando nasci) de que um dia tudo fique colorido e radiante.

Os amigos ajudam, e muito. Ainda mais com surpresas como esta. (...)
"

Acho que é por isso que gosto tanto deste texto. Além de ter agradado, parece que acertei na mosca em relação aos sentimentos dela. Que coisa.

Viviane e o Amor - Comentários

Apesar de eu achar que o texto Viviane e o Amor é um dos meus melhores textos, o Zack veio me falar que ele não é tão bom quanto os últimos que tenho escrito. O que cês acham?

Viviane e o Amor

Viviane abriu os olhos mas não quis se levantar, ficou deitada e viu que horas eram. Óbvio que ela já sabia, pois o relógio havia despertado na mesma hora de tantas outras vezes, mas olhou assim mesmo para se certificar que eram seis da manhã. Sim, eram seis da manhã, mas não foi isso que chamou a atenção dela. Os números do relógio, que eram vermelhos, estavam cinza. E não só os números estavam cinzas: assim também estava a capa do livro de filosofia que estava sobre o criado mudo, ao lado do relógio. A capa que tinha uma bela foto de um lago em um dia de sol estava, no todo, em tons de cinza.

Assustada, Viviane levantou num sobressalto e viu que seu cobertor, antes um mundo de cores e formas, estava restrito ao cinza. Correu para a janela para ver o mundo, e lá estava ele, todo em preto e branco. As árvores, o céu, os carros, as pessoas. Até ela mesma estava cinza.

"Estou sonhando" - pensou.

Correu para o banheiro, jogou água fria no rosto e teve certeza de que estava realmente acordada. Sem entender o que estava acontecendo, pensou logo em buscar ajuda de um especialista. Esperou o horário em que o cartório onde trabalha abria e ligou pra lá, dizendo que não poderia trabalhar, já que tinha acordado com um probleminha de saúde.

Dali, correu para um oculista, explicou o que tinha acontecido e passou por uma bateria de exames. Diagnóstico: nada, absolutamente nada. Não havia coisa alguma com seus olhos. Quase perdeu as estribeiras com o médico, querendo saber como é que poderia estar enxergando tudo cinza e tudo estar bem. Como o médico não lhe deu uma resposta agradável, saiu dali aos trancos.

Voltou pra casa e chorou, desesperada e amedrontada, o que, convenhamos, é mais do que compreensível. Imagine não ver mais cores? De qualquer maneira, Viviane teve que continuar com a sua vida em preto e branco. No dia seguinte voltou ao trabalho e aos estudos. No início, todo mundo estranhava o fato, mas com o tempo todos se acostumaram, inclusive ela, que em certas horas até gostava de não ter cores à sua frente.

Os meses se passaram desde aquele dia, até que, quando estava começando o terceiro ano da faculdade de Geografia, Viviane conheceu Ângelo, o rapaz de olhos azuis. Azuis? Sim, ela conseguia ver a cor dos olhos dele. Não sabia como, mas via, apesar de as roupas dele ainda serem cinzas. Estranhando o fato, Viviane não falou nada com ninguém. Poderia ser apenas um surto e ela não queria dar faltas esperanças para ninguém, muito menos para ela mesma.

O tempo foi passando e eles se tornaram amigos. Faziam os exercícios juntos e trocavam muitas informações sobre o que estudavam. Certa vez, então, quando Ângelo lhe emprestou um livro, Viviane viu as cores da capa do livro. Uma representação gráfica de um arquipélago explodindo em verde, azul e amarelo. Folheou o livro, e lá estavam elas, as cores que há tempos não faziam parte sua vida.

Numa dessas sextas feiras, após saírem da faculdade mais cedo, Ângelo convidou Viviane para tomar um chopp, convite que foi prontamente aceito. Sentados no bar, ele pediu dois copos, que chegaram à mesa com aquele dourado típico. Depois de bons minutos de conversa, saíram para caminhar. Ângelo levou Viviane até o ponto de ônibus e lá, na hora de se despedirem, trocaram um beijo. Quando entrou no ônibus, Viviane se despediu de um rapaz que vestia uma camisa verde, calça jeans azul e tênis preto. Tudo encabeçado por aqueles lindos olhos azuis. No caminho, viu as cores de algumas placas e cartazes, mas tudo foi esmaecendo e quando chegou em casa já não via mais a própria cor.

O semestre seguiu em frente e os dois começaram a ficar de vez em quando, sempre ocorrendo o mesmo fenômeno. Após o beijo vinham as cores, que iam sumindo quando se separavam.

Certo dia, depois de uma longa conversa à la filmes melosos, chegou em casa e se deitou tendo a certeza de que o amava. De manhã, quando o relógio despertou ela abriu os olhos e viu as horas: seis horas vermelhas. Tirou de cima de si mesma seu cobertor azul, vestiu suas sandálias amarelas, abriu radiante a janela branca e viu, lá fora, um mundo novamente colorido. Pessoas, carros, céu, sol, grama, árvores. Tudo vivo, com as cores mais brilhantes que já tinha visto.

Acrobacias com Canetas

Mais um vídeo legal para vocês assistirem. Desta vez, alguns malucos fazendo acrobacias com canetas. É incrível o que os caras conseguem fazer. Clique aqui para fazer o download de quase 10 megas. Mais uma vez, um vídeo que vale a pena esperar pra ver. E, Zack, pode vir aqui em casa pra assistir que eu não cobro ingresso.

Citroën C4

A idéia da propaganda é dizer que, com tanta tecnologia, o novo carro da Citroën está vivo. E foi muito bem dito, muito bem feito. A propaganda está um primor, muitíssimo bem feita, simplesmente uma das melhores que já vi. Clique aqui para fazer o download de cerca de 1 mega. Outro vídeo que vale a pena esperar pra ver.

Os Olhos

Negros, castanhos, verdes, azuis... Não importa a cor, os olhos, muitas vezes traduzem em apenas um simples olhar o que um gênio não seria capaz de reproduzir em palavras. Não é preciso ser um conhecedor dos grandes mistérios da vida para reconhecer a tristeza de uma pessoa pelo seu olhar: perdido no espaço, como se procurando uma resposta. Um olhar atravessado pode iniciar uma briga, enquanto os "olhos nos olhos" dispensam a palavra "sim", e iniciam um grande amor. Pelo olhar, sem o uso de palavras, expressamos nossos medos, nossas angústias e nossas alegrias. Quando eles se fecham para sempre, muitos outros se enchem de lágrimas, demonstrando saudade.

Porém, o mais bonito de todos é naquele momento onde tudo de ruim é esquecido, e, em frente a uma grande surpresa, os olhos brilham de felicidade.

Nota da Redação: este é um dos meus textos mais antigos, se não for o mais. Escrevi para colocar numa apostila de Word para um curso que eu dava aulas aqui em Cachoeiras de Macacu, mas não lembro da opinião dos alunos. Uma amiga diz que este é um dos meus melhores escritos, mas sei lá, é bem simples. O que acham?

Sobre Retornos e Súplicas

A intenção não era essa, mas a notícia de que eu estava com vontade de parar de escrever para o Sarcófago gerou um bocado de bafafá, principalmente no mundo real, com o povo dizendo que eu não tinha que parar. Daí, como vocês sabem massagear bem o ego de um escritor pífio como eu, anuncio-lhes que continuo aqui, alive'n'kickin', ou seja, firme e forte. Afinal, eu não tinha decidido parar de escrever, estava apenas pensando no assunto. Enfim, vocês já podem dizer que viram um capítulo de "a volta dos que não foram."

Agora vou eu fazer meus pedidos, assim como já fiz para a Fernanda: já que vocês gostam tanto assim do que eu escrevo, já que vocês acham tanto que eu tenho que escrever um livro, já que vocês têm tanto prazer em ver o jeito que eu uso as palavras, já que vocês acham meus textos engraçados, profundos, surreais e o diabo a quatro sei lá mais o que, por favor, por favor, minhas caríssimas leitoras (e leitores), façam um favor a este relapso e fatigado escriba: divulguem o Sarcófago!

Quando vocês ouvem uma música boa não falam para alguém? Quando vocês comem uma comida gostosa não indicam aos outros? Quando descobrem um bar legal não levam os amigos junto? Portanto, minha fiel meia dúzia de visitantes: contem pros outros que vocês conhecem um site legal!

Se não quiserem gravar o endereço todo, é só mandar ir no Google e digitar Sarcófago e Mário, porque o primeiro item que aparece na lista é este humilde cafofo meu.

Sacaram? Divulgação.

Nunca reclamei disso, mas vou fazer agora: tô achando o Sarcófago com poucos comentaristas... e isso me deixa triste. Não que eu esteja me desfazendo dos que tenho, gente, adoro ler seus comentários, mas é que o Sarcófago já passou por fases bem melhores.

Bem, talvez seja culpa minha, que não escrevo como antes. Mas, enfim: divulguem! Lembrem-se: propaganda, principalmente a boca-a-boca, é a chave do negócio.

Testes de Software

Povo da Estácio, meu computador deu um piripaque esta manhã e não pude colocar o arquivo no ar. Mas podem ficar tranqüilos que até o final da tarde o resumo estará disponível pra vocês. Enquanto isso podem se entreter lendo meus pequenos textos (meus textículos) aqui no Sarcófago. Pra quem não conhece, "a voz do povo" é um espaço pro pessoal deixar comentários.

Update: o arquivo já está disponível. É só clicar aqui para baixar o arquivo do Word, com 49k. Espero que ajude.

Três Rainhas Magas

Revirando os velhos emails arquivados no fundo do baú do Outlook, descobri uma apresentação de Power Point que é bem divertida e sacana - pra não dizer machista. O texto é o seguinte:

O que teria acontecido se fossem três Rainhas Magas ao invés de três Reis Magos?

- Elas teriam pedido ajuda para chegar lá.
- Teriam chegado no horário.
- Teriam ajudado no parto.
- Teriam feito uma limpeza no estábulo.
- Teriam levado presentes úteis.
- Teriam levado uma comidinha.

Mas... o que elas diriam assim que saíssem de lá?

- Vocês viram as sandálias que a Maria estava usando com 'aquela' túnica?
- Como é que ela pode deixar todos aqueles animais dentro de casa?
- Quero só ver quando ela vai devolver a panela que você levou com o macarrão.
- Me disseram que o José está desempregado...
- E o jumento que eles usaram está meio acabadinho...
- Me disseram que o José está desempregado...
- O bebê não se parece com o José.
- Virgem o caramba! Eu me lembro muito bem dela na época da faculdade.


Que pecado...

Animação em Areia

É gigantesco, tem mais de 18 megas, mas vale a pena esperar pra ver este vídeo de mais de nove minutos de duração. É uma apresentação em um festival em Seul, em 2003, onde um cara faz desenhos na areia sobre um painel luminoso. É fenomenal. Se não quiser baixar o vídeo, você pode passar aqui em casa pra ver.

Abacaxi

Receita do meu digníssimo pai para dar um destino em um abacaxi que estiver na fruteira da cozinha:

Descasque o abacaxi, reservando a casca.
Corte-o em rodelas.
Guarde as rodelas na geladeira.
Pique a casca em pedaços médios.
Ponha os pedaços de casca no liqüidificador, junto com água gelada.
Bata um pouco.
Coe bem.
Jogue o líquido coado de volta no liqüidificador, junto com umas pedras de gelo.
Coe de novo.
Acrescente uma colher bem cheia de sal.
Arrependa-se e recrimine-se.
Jogue tudo fora.
Pegue as rodelas e chupe.
Fica delicioso.

Je T'Aime Encore

Imagine um casal de namorados. Mas não imagine um casal comum. Pense num que nunca tenha brigado por nada. Dê aos dois bom humor e muita vontade de viajar pelo Brasil. Ponha nos porta-retratos deles fotos dos dois em Angra dos Reis, Ilha Grande, Foz do Iguaçu, Salvador, Jericoacoara e no Pantanal.

Coloque então no currículo deles cursos de culinária, dança de salão, fotografia e mergulho. Dê a ela cabelos longos e penteados, um sorriso de anjo e andar de dama. Dê a ele um corpo esbelto e muito cavalheirismo. Em seguida dê a eles três anos e meio de história juntos e muitas boas recordações.

Qualquer um poderia dizer com certeza que este casal era feliz por completo. Agora, para acabar com o exercício de imaginação, ponha no caminho dela uma viagem para um outro estado, para uma mudança definitiva e uma separação inevitável.

De comum acordo e baseados na sensatez que sempre lhes foi característica, terminam o namoro, pois sabem que dificilmente se verão de novo. No aeroporto, muitas lágrimas e o último beijo. Era o fim de uma linda história de amor que prometia durar pra sempre.

Viaje então cinco anos para o futuro e veja uma moça melancólica sentada na rede balançando na varanda de casa, perdida em pensamentos sobre aquela época.

É tudo isso que me vem à mente quando ouço a música Je T'Aime Encore, de um dos cds da Celine Dion. Melodia e letra se unem na voz da cantora para criar uma das músicas mais bonitas que já ouvi. Leiam a letra e digam: o que os faz pensar?

"Lá se vai o outono, trazendo de volta as chuvas frias do inverno. O velho carro está na garagem, já tentaram consertá-lo, mas foi em vão. Nasceu o primeiro dente de Elisa e o pequeno Jim está ficando forte. Tô aprendendo a tocar violão, já sei quase uma música toda.

Eu achei umas guloseimas gostosas no mercado esta manhã. Eu gostaria de morar em Roma, seria muito legal. Tentei plantar umas flores, as mesmas das outras vezes. Acho que, por hora, é tudo. Ah, sim, eu ainda te amo.

Finalmente eu cortei o cabelo, e posso até te ouvir dizer 'finalmente'. É meio estranho viver assim, mas dá pra sobreviver. Quando me convidam pra sair eu aceito, danço a noite toda e talvez até mais. Mas enquanto danço, ah, eu ainda te amo.

Mas onde está você? Longe, e não sei seu endereço. Como está sua vida? Só o tempo pode aplacar minha dor.

Eu ainda te amo, como numa daquelas canções antigas. E isso me queima a alma, fazendo tudo parecer chato. E, cada vez mais, vou vivendo na medida do possível.

Sim, sim, eu ainda te amo. Mas você não pode me ouvir."

P.S.: Antes que perguntem: não, não, eu e a Sueli não terminamos.

Niterói de Antigamente

Gente, recebi umas fotos muito legais da cidade de Niterói no início e meados do século passado e até mesmo do século retrasado. Muito legal ver as barcas, o Caio Martins e a praia de Boa Viagem no tempo dos nossos avós. Mesmo pra quem não conhece muito o lugar, como o moço aqui, é interessante. Quem quiser eu mando por email, é só deixar o endereço nos comentários.

Casamento

Há muito tempo atrás escrevi um texto sobre fé e religião. Na época, disse que em um futuro próximo falaria sobre casamento. Nunca escrevi o tal texto, mas tempos atrás encontrei o texto sobre o assunto que gostaria de ter escrito. Reproduzo-o aqui então, pois compartilho de todas as opiniões escritas por Stephen Kanitz. O texto se chama "O Contrato de Casamento" e foi publicado, se não me engano, na revista Veja. Leiam:

Na semana passada comemorei trinta anos de casamento. Recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: "Coisa rara hoje em dia". De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre. Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar. Mas isso não é um contrato. Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo "vou sempre amar você", como se fosse um prêmio de consolação. Banalizamos a frase mais importante do casamento. Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça. "Eu amarei você para sempre" deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro.

Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível. Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro. A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado. Estatisticamente, o homem ou a mulher "ideal" para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes. Isso significa que provavelmente seu "verdadeiro amor" estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par. E aí, o que fazer? Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar? O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema. Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas. As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação.

Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: "Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade. Sei que fatalmente encontrarei centenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu. É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro. Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento. Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante. Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia". Homens e mulheres que conheceram alguém "melhor" e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual cônjuge esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento.

O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre. Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre. Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho. Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família. Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros "melhores". Eles aprendem a conviver com os pais que têm. Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender. Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda, e num próximo artigo falarei sobre esse assunto. Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos. Aí, você terá certeza de tudo.

Promoção Sarcófago 2 Anos - Resultado

Como recebi bilhares de frases candidatas à promoção, duas foram selecionadas para ganhar a menção honrosa no Sarcófago (ou seja, foram selecionadas para não ganhar nada com isso). Vamos a elas:

O primeiro vencedor, Thiago, colega meu de loooonga data, mandou:

"Sarcófago... Poesia? Um quadro pintado por um artista anônimo exposto numa galeria escura? Pensamentos soltos no espaço perdidos no tempo? Reflexões sobre o óbvio e sobre as incógnitas? Uma música sem acordes definidos em compassos descompassados sem ritmo mas com muito "feeling"? Sarcófago... é só o blog do Mário mesmo, e mais nada."

A tirada da música foi realmente muito boa.

E a Priscila, minha tutora tecladista voluntária, escreveu versinhos:

"No sarcófago do Mário não há traça nem bolor,
Os textos são muito vivos,
Ora irônicos, ora musicais,
Ora cheios de sensibilidade: sempre magistrais.

De onde ele tira tanta vida,
Da poeira não deve ser,
Mas de uma coisa eu tenho certeza:
Alguém o inspira pra valer!

E pra terminar esse versinho
Que de poeta eu não tenho nada
Um pedido suplicante
Faço eu à Sueli:
Cuide do Mário bem
Para que ele não deixe de postar aqui!
"

Com magistrais ela exagerou, mas sobre o pedido Sueli falou que pra isso não precisa nem pedir.

Então é isso. Parabéns aos vencedores e meu muito obrigado aos bilhares de fãs que nos últimos dias abarrotaram minha caixa postal com contribuições. Que venha mais um ano.

Promoção Sarcófago 2 Anos - Adiamento

Graças a uma série de imbróglios que se instalaram em minha movimentada vida pessoal, o resultado da promoção ficou adiado para o final de semana. Portanto, vocês têm mais alguns dias para mandar suas frases.

Post Mortis Sentimentus

Naquele fim de tarde de domingo, quando o acidente aconteceu, Sueli e eu estávamos em casa, conversando sobre a vida, alheios a tudo. Só bem mais tarde, depois de levá-la ao ponto de ônibus, é que ouvi falar que Gabriel tinha morrido.

Enquanto estava no quiosque de Marcinho esperando um lanche, Marisa me contou da trágica novidade. Graças à minha incompleta falta de memória e de conhecimento de gente diferente, não consegui saber quem era o tal cara que tinha se acidentado e morrido poucas horas antes. O lanche chegou e fui-me embora, ainda intrigado, sem saber quem era o infeliz. Sabia só que era um rapaz novo, com volta de vinte anos.

No dia seguinte, segunda feira, era feriado. De manhã fui à casa de um colega e então, já de tarde, quando voltei de lá, passei em frente à capela mortuária e vi o amontoado de jovens que estava no velório. Realmente, além de ser um cara jovem, dava impressão de ser conhecido e querido por todos. Movido pela fome, contive a curiosidade e segui caminho sem parar para ver quem era.

Um par de dias depois, descobri que o enterro tinha sido esquisito, porque, a pedido do rapaz, além de um carro de som com música, muitos motoqueiros acompanharam o cortejo, acelerando suas motos para fazer barulho. Jovem, querido, conhecido e, perdoem-me, pirado.

Os dias se passaram e eu até tinha esquecido do incidente, mas tudo voltou à minha frente ao assistir televisão na hora do almoço da sexta feira. O jornal apresentou uma reportagem sobre o assunto e mostraram a foto do garoto.

A imagem me chegou como uma bomba. Puts, era o Gabriel. O Gabriel. Não um Gabriel qualquer, mas aquele que eu conhecia, o cara gente boa, o sujeito brincalhão, o meu ex-aluno de informática, com quem tenho uma foto, abraçado comigo, sorridente, feliz. Esse era o Gabriel que nos tinha deixado. Segurei as lágrimas.

A gente já não conversava tanto quanto na época do curso, cinco anos antes, mas sempre nos cumprimentávamos e eu gostava de ver como ele era um sujeito de bem com a vida. Sempre na rua, sempre na balada, sempre brincando. Passado.

A morte faz isso com a gente. A sentimento pós-morte é de que temos que aproveitar a vida, temos que dar atenção às pessoas, temos que fazer o que gostamos. É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há. Não é assim que funciona?

Sempre que perdemos alguém, acho que isso é universal, vem a sensação de que tudo o que estamos fazendo da nossa vida está sendo um desperdício de esforço e tempo, e que o importante, o realmente importante, está sendo deixado de lado: as conversas, as risadas, o conviver com as pessoas que queremos bem. E então prometemos que vamos mudar isso, que vamos dar atenção aos amigos, à família, às pessoas que não vemos há certo tempo, que vamos dar valor a cada simples bate-papo.

Mas passa. Depois que a dor diminui e a saudade começa a ceder, voltamos a comer depressa, a não visitar os amigos, a não dar valor às conversas bobas.

Poderíamos tentar, pelo menos uma vez, viver esta sensação de aproveitar a vida sem que pra isso seja necessário alguém morrer. Alguém como o Gabriel.

Os Favoritos do Mário

Andei pensando e achei que seria interessante se vocês conhecessem os sites que estão nos meus favoritos. Na barra do meu Internet Explorer há três categorias principais: o menu "Favoritos", com coisas pouco visitadas, o menu Sites e o menu Blogs. No Favoritos estão muitas coisas diferentes. Algumas merecem consideração e outras não, estando lá por pura preguiça de apagar. Nos outros dois estão os sites que visito sempre, às vezes diariamente. É deles que vamos falar. (Sim, Trinity, isso aqui é um Metablogagem versão Sarcófago. Tenho que pagar direitos autorais?).

O menu Sites começa com o Judão, que sempre traz novidades sobre filmes, revistas de mulé pelada e afins. Tudo numa linguagem fodáxima, que rulez sim senhor. Então, véi, se tu tá afins de saber as novidades mais banbanbans do cinema ou ver as gostosas do momento e o caráleo a 4, passa lá que tu vai senti a pressão.

Ao lado dele está o Edições Paulinas, site oficial da editora. Pra quem é cristão-católico é parada boa. Todo dia tem um texto bíblico novo comentado. Muito bom. Dá pra ler bastante coisa interessante. Até quem é cristão-evangélico vai gostar. Fora a parte dos santos, claro.

Fechando a pequena lista estão o site do Klutz (um puta músico bom pra demais da conta, que todo mundo deveria conhecer), a página de Martha Medeiros (grande escritora, autora de pérolas como "alguma coisa está errada na sociedade quando a gente se sente devedor por estar vivendo bem") e o site Webshots, do qual já falei aqui.

O grande menu é o blogs. Ali tem muita coisa. A maioria visito no mínimo duas vezes por semana. Nem sempre comento, mas sempre leio. Alguns são obrigação diária, tipo bate-ponto, mesmo que não sejam atualizados diariamente. Eu é que não vou me dar ao luxo de perder o bonde. Vamos em ordem alfabética.

O Anjo em Fúria se foi, é uma pena. As Infames vivem comentando situações infames. Micos, coisas nonsense, tolerância zero, tem espaço pra tudo. O Círculo Sagrado parece que morreu, mas o que ainda está lá é interessante de ler. É de um professor de religião que apareceu no Sarcófago, me mandou uma mensagem e sumiu nem responder. Vale pelo menos uma visita.

A Teruska e seu Confiteor merecem um parágrafo à parte. Devaneios loucos que fazem pensar, misturados a reclamações sobre o físico e fotos de gatinhos fofuchos tornam este blog uma visita imperdível. O povo que comenta por lá é meio que público cativo e sempre dá pra rir com as confissões da moça.

Dream On já ganhou até post aqui no Sarcófago e dispensa comentários. Cora Rónai, dO Globo, comparece de vez em quando na telinha do meu computador. Ela escreve bem, mas às vezes bate a mó tristeza ver ela falando de suas viagens pelo mundo e dos brinquedinhos eletrônicos de R$ 3.000,00 que ela compra de vez em quando. É uma vida bem diferente da minha. Em seguida temos o Interney, site do Edney, um cara super antenado com coisas da internet. Sempre encontro dicas interessantíssimas por lá, e algumas chego a trazer pra cá. Apesar de não ser atualizado com muita freqüência, continua excelente.

Liberal Libertário Libertino é um dos blogs que eu gostaria de parar pra ler tudo, mas é uma pena não poder. O rapaz parece que não faz mais nada na vida além de escrever. Ou então ele escreve muito rápido. São muitas linhas por dia. Quando dá, me divirto com o que ele escreve. Veja bem, não estou chamando o cara de vagabundo, mas que eu tenho vontade de saber como é que ele arranja tempo pra tanto, ah, isso eu tenho.

Milov é meio doidão, coloca umas fotos diferentes, uns ensaios em html e quase nunca os textos passam de três linhas. Muito legal e bem cabeça. Já a Lis é a responsável pelo Mulher de Fases. Rolam lá umas dicas de jogos, livros e um pouco da vida pessoal dela, a mesma linha do Mundo do Verde, blog do meu colega Thiago Verde, só que este é mais recheado de rock. Outro blog pessoal da lista é o Ninguém é Normal, da tia Cláudia. Este é o único blog-diário da relação. É ali que mato minhas saudades da gostosa Patos de Minas.

As viagens do Inagaki no Pensar Enlouquece, Pense Nisto são simplesmente imperdíveis. Bato ponto por lá todo dia. Não tem como não se divertir e parar pra pensar com as coisas que o cara escreve, seja o assunto música ou política, é sempre muito bom. Pirei na Batatinha é bem novato. É o blog da Cris, que andou comentando por aqui.

Ponto.de.Encontro é da Priscila, a minha nova tutora tecladista voluntária. Opiniões sobre o que acontece no mundo sempre aparecem por lá. Rocinante, o blog do Bion, volta e meia traz algo interessante, como aquele do Malaquias 3:3, que eu trouxe pra cá. O Rosa da Terra parece que foi deixado de lá pela Inês, pois está sem atualização desde agosto. Tem, mas Acabou recebe atualizações raras, mas sempre legais. Foi nele que vi uma das mais tocantes declarações de amor.

O cara do the.way.things.are parece ter o estilo de vida que eu queria pra mim: consumidor voraz de música. O cara vive falando de artistas e cds dos quais eu nunca tinha ouvido falar. Muito bom. Parece o cara do Libertário, só que ao invés de ficar escrevendo, o Teco fica ouvindo música. Quase no final da lista está um dos blogs onde mais viajo: a Tradução da Trinity. É lá que leio os devaneios de uma estudante de filosofia. Temos então o Usabilidade, site interessante sobre como fazer interfaces bem feitas e coisas afins. No rodapé do menu está o blog do Vinícius Valentim, um blog sem destino definido, mas o cara tem um humor bem sarcástico, o que leva a boas risadas.

Por fim, o novato da família é um dos melhores: Você, você e você todos VOCÊ. Isso sim é escrever sobre música. Cada texto vai direto pra categoria "puts, eu queria ter escrito isso". O cara fala de choro e Mozart com a mesma desenvoltura. E quando falou do hino Nacional então, me fez tremer - alguém pensa como eu!. Não são simplesmente críticas, são textos que têm alma, uma alma viva, forte, pulsante. Irresistível.

Bom, é isso. Para os que tiveram coragem e saco para chegar até aqui (alguém? alguém?) recomendo pelo menos uma visita a cada um dos sites. Nem que seja pra chegar à conclusão de que eu não tenho gosto pra blogs. Se gostaram, posso falar de outros sites variados que estão nos Favoritos, que não visito sempre, mas que ainda assim valem a pena serem conhecidos.

Promoção Sarcófago 2 Anos - Atualização

A pedidos da Sueli, o vencedor da promoção, ao invés de ganhar nada, vai ganhar uma menção honrosa aqui no Sarcófago.

Trocamos seis por meia dúzia.

Promoção Sarcófago 2 Anos

Como parte da comemoração do aniversário de dois anecos do Sarcófago, que tal uma promoção?

Pois bem, para participar, basta enviar, usando o formuláriozinho ali do lado, uma frase beeem criativa falando sobre o Sarcófago. Vale falar bem e também vale falar mal. Só não vale falar mal da mãe. Não precisa ser uma frase pequena, mas também não precisa ser um texto enorme. Ponha a criatividade pra funcionar e mande sua sugestão.

As frases recebidas serão julgadas por um júri escolhido especificamente para esta promoção e as inscrições serão aceitas até o dia 17 de outubro, ante-véspera do aniversário.

A ganhadora ou o ganhador levará pra casa absolutamente nada! Ou você tá achando que eu tô aqui pra dar presente pra marmanjo?

Ah, de qualquer maneira, escreve sim. Vai ser legal.

Eleições 2004 - Breve Comentário

Meu candidato a prefeito se reelegeu. Isso é bom.
Minha candidata a vereadora não. Isso é mau.
Mas, pô, Loló da Farmária e Marcelo Pinto como vereadores? Tsc...
Pelo menos Sílvia Cristina entrou.
E Alessandro Cupti saiu.

Depois eu volto ao assunto.

Frase do Dia

Estávamos nós calmamente conversando após uma terrível prova de Redes II na faculdade. No meio da conversa, eu pergunto qual é o perfume que a Suelen está usando. Espantado por eu ter sentido e identificado o cheiro, o Waldenio manda a pérola do dia: "cara, eu sou completamente cego pra cheiro de perfume."

Ah, tá...

Elton John em Senhora do Destino

No início do ano, Ray Charles andou gravando uns duetos para um cd dele que seria lançado dali a alguns tempos. Apesar de sua morte o disco será lançado. Uma das músicas do disco é Sorry Seems to be the Hardest Word, que ele gravou junto com Elton John. Esta música, descobri ontem, fará parte da trilha sonora internacional da novela Senhora do Destino.

A música é boa. Os dois são feras. Só pode ser uma maravilha que a gente vai baixar do Kazaa assim que possível.

Pais e Filhos

Antes de contar o causo principal desta história, é preciso que antes minhas digníssimas leitoras estejam a par de outros causos menores, mas que têm grande influência sobre o assunto em si.

Primeiro, deve-se saber que há uns bons anos atrás, todos os órgãos da Justiça do Estado do Rio de Janeiro estavam em greve. Os motivos disso eu não sei, mas também não vêm ao caso.

Depois, deve-se saber também que, na mesma época, correu uma história numa cidade do interior do Estado do Rio. Diziam que um fazendeiro havia raptado e queimado uma criança de mais ou menos cinco anos em rituais de macumba. Por isso, todos na região estavam revoltados e estarrecidos.

Cientes disso, podemos começar a contar a história de dois tabeliães e um amigo da dupla.

Por causa da greve da Justiça, os dois tabeliães resolveram dar um passeio de carro e chamaram o tal amigo. Saíram de carro sem destino, levando com eles o filho de um dos tabeliães, um moleque de aproximadamente cinco anos de idade.

Eles resolveram levar o garoto na viagem por que ele estava macambúzio e sorumbático pois tinha sofrido um acidente em casa e não estava podendo brincar com os amiguinhos. O acidente? Queimaduras nos braços.

Depois de várias horas de viagem, chegando na cidade de Natividade resolveram parar num restaurante para almoçar. O dono do restaurante, alerta por causa da história do fazendeiro, viu o garoto com os braços queimados e ligou para a polícia.

Minutos depois a mesa dos quatro foi cercada e eles foram interrogados. Depois de uns bons minutos explicando quem era o garoto, o que estavam fazendo, para onde iam e de onde vinham, os guardas se deram por satisfeitos e resolveram ir embora, acreditando que tudo não passava de um mal entendido. Tudo estaria resolvido se o detetive não tivesse feito uma pergunta ao garoto: "quer dizer que ele é teu pai?". E o garoto manda a pérola:

- Ih, é ruim, hein?!

Alvoroço no restaurante. Os policiais se enfezaram, a população queria linchar, e os três quase foram presos. O amigo dos tabeliães se exaltou e abriu a camisa, mostrando que já tinha operado o coração e que era um homem de bem (grande argumento!), mandando os policiais irem prender os verdadeiros bandidos ao invés de se preocupar com gente honesta.

Como o tabelião pai do garoto não tinha levado os documentos, pediu para o colega de profissão pegar os seus. Este, ao procurar na pasta, acabou descobrindo que seus documentos tinham ficado dentro do carro. Não o carro com o qual eles estavam viajando, mas sim o carro que tinha ficado em casa. Última salvação do trio, o amigo descobriu que também não tinha levado os documentos.

Na tentativa de se safar do imbróglio no qual haviam se metido, os tabeliães resolveram ligar para o fórum da sua cidade, para que alguém pudesse dar maiores explicações sobre suas identidades.

Alguém aí lembra que a Justiça estava em greve? Bem, se a Justiça estava de greve, não tinha ninguém no fórum. Se não tinha ninguém no fórum não havia como provar a identidade dos figuras. Sendo assim, o passo final era ir para o xadrez.

Já desesperados, ainda chocados com o moleque repetindo que "é ruim hein, ele não é meu pai", tentaram de tudo quanto é jeito se livrar da situação embaraçosa. Depois de muitas tentativas, conseguiram entrar em contato com um juiz conhecido deles, que finalmente convenceu os policiais de que realmente o moleque não tinha sido raptado e que tudo não passou de um engano federal.

Acreditem. Aconteceu.

A Capa do Songs From the West Coast

Conforme pedido pela Priscila, aqui está [a imagem foi perdida] a capa do disco Songs From the West Coast. É uma das capas mais bem feitas e interessantes que já vi, e não estou falando isto porque sou fã do Elton John.

A capa mesmo é a parte onde está o Elton, com o nome dele e do cd na parte de cima. E então, quando você tira o encarte e desdobra, dá de cara com uma foto impressionante em 360 graus, espalhada em praticamente um metro de papel. E olha que a capa que eu botei pra vocês verem é a capa da edição especial, que é um pouco menor. Na original mesmo, que eu não tenho mais aqui, o lado esquerdo da capa ainda tem mais uma dobra, onde a moça de grandes cabelos aparece de novo, em outra posição.

Um olhar atento vai ver na capa um total de sete dobras, ou seja, sete seções de capa. Foi preciso escanear quatro vezes para conseguir ela por inteiro. Uma de minha maiores curiosidades é saber como é que foi feito um negócio destes. Não sei se são várias câmeras ou uma só que vai girando. A única coisa que sei é que a fotógrafa penou um bocado para fazer as pombas ficarem quietas.

Outra coisa interessante sobre a capa é que ela traz alguns detalhes que se referem às músicas do disco. As pombas remetem a Birds, a faixa seis. Há o rapaz de tênis vermelho, levando a Ballad of the Boy in the Red Shoes. O casal de namorados pode levar a I Want Love ou a Original Sin. E o brilhante no dedo de Elton sugere Dark Diamond. Não sei ao certo, mas um pessoal dos Estados Unidos falou que as pessoas que estão na foto são todas ligadas ao Elton, pessoal ou profissionalmente.

Depois de uma capa destas, não é pra ficar meio decepcionado com a do disco novo? Mas, como eu já falei, pode ser que a capa nova traga alguma surpresa. Com certeza vocês vão ficar sabendo. O Songs from the West Coast foi um disco tão bom quanto sua capa. Só espero que o Peachtree Road não siga a regra e me venha por aí um disco mais ou menos.

Caminho dos Pessegueiros II

Como atualização do post anterior, foi divulgada a capa do novo cd do Elton John. Ao contrário do que pensei, não é tão espetaculosa assim. A foto tem uma tomada interessante, bonita até, mas o céu não está bonito, a fonte usada no texto não é lá essas coisas e o texto em si foi colocado de um jeito que não me agradou. A esperança que resta é que a capa traga algo a mais como foi com a do Songs From the West Coast, que se desdobrava e revelava uma gigantesca foto em 360º. Mas digam, o que vocês acham?

Caminho dos Pessegueiros

Peachtree Road é o nome do novo cd de Elton John que sai em novembro. A primeira música que saiu dele se chama Answer in the Sky, e pelo que sei já está tocando na Antena 1 FM (104,7). A próxima é All that I'm Allowed, que chega às rádios no início do mês que vem. A letra da primeira já está disponível no site oficial.

Recheado com 12 músicas inéditas, Peachtree Road vem por aí no rastro de três grandes sucessos: Songs From the West Coast, disco de 2001, a coletânea Greatest Hits 1970-2002, que já vendeu mais de 3 milhões de discos no mundo e, mais recentemente, o hit Are You Ready for Love, que alcançou o topo das paradas na Inglaterra.

Desta vez eu aprendi a lição: quando o Songs From the West Coast estava pra ser lançado, eu já tinha copiado algumas músicas do disco antes mesmo de ele ter chegado às lojas. Graças a esta besteira, a primeira vez que escutei o disco perdeu um pouco da mágica. Com Peachtree Road vai ser diferente. Apesar de uma música já estar nas rádios e de todas as outras estarem disponíveis na internet, vou fazer de tudo para não escutar nenhuma delas.

Quanto às músicas, Answer in the Sky foi elogiada pela Billboard Magazine e o editor do site oficial do Elton diz estar espantado com a qualidade das novas composições e letras. Além disso, nos shows mais recentes as músicas já vêm sendo apresentadas ao público, que está respondendo muito bem.

Uma das poucas coisas que ainda não foram divulgadas sobre o cd é a capa, que promete ser das boas, já que vai ser feita pela mesma fotógrafa que fez a capa magistral do Songs From the West Coast. Se alguém quiser ver a capa do Songs... eu posso escanear e disponibilizar aqui.

Se alguém quiser me dar o cd de presente, avise antes pra evitar que eu compre já na pré-venda, tá ok?

Que venham os pêssegos.

Absurdo da Semana

Daí que, querendo explicar que eu não poderia ficar sozinho no cartório, Omar disse a um sujeito que eu sofria de "solidão bipolar assindética remissiva".

Vê se eu posso com isso!

No dia em que...

... Jesus Cristo fez sentido, eu deixei de crer. Parece e é extremamente contraditório e paradoxal, mas é assim que aconteceu. Talvez eu não tenha exatamente deixado de crer, acho que foi mais chegar à conclusão de que não cria.

Nos últimos meses, vinha buscando muito entrar em contato com o cristianismo e entendê-lo. No domingo, na missa da manhã, o padre nos indicou a leitura da primeira epístola de João. Bíblia em punho, dezenas de minutos à vontade, a leitura correu livre e solta.

E aí, naquele amontoado de capítulos e versículos, entre uma palavra e outra, tudo fez sentido, entendi o que era o cristianismo e achei que dali para a frente passaria a crer. Mas não aconteceu nada. O silêncio parecia ainda maior que antes.

Às vezes parece que o não crer é fruto do medo das conseqüências que serão trazidas junto com a aceitação. Outras vezes, parece que é racionalismo demais, mas sinceramente, não sei.

Não sei.

Mas dói. É como estar mergulhado em uma piscina mas não se molhar. Sei que já estou imerso em toda esta maravilha divina, mas não consigo alcançá-la, tocá-la. Novamente, extremamente paradoxal. Quem disse que seria fácil?

Fui à missa. Cheguei cedo. Bem cedo. Meia hora antes. Orei. Orei. Orei. Pedi a Deus para me dar a luz, para me fazer entender, para me fazer crer. E a missa começou. Chorei. Uma, duas, três vezes. A resposta não veio. Pensei em pedir ajuda ao padre, mas a idéia não pareceu boa e a deixei largada no banco da igreja.

Agora não sei o que fazer. Resolvi escrever. Então escrevi. Mas não ajudou. Deve ser porque não escrevi tudo o que tinha pra escrever.

Acho que com o tempo se resolve. Enquanto isso a Bíblia vai ficar guardada.

Cabo Midi (ou... A Cereja do Bolo)

Em dezembro de 2003 comprei o meu tão sonhado teclado. Eu e meu primo rodamos um pouco pelas ruas estreitas do centro do Rio de Janeiro e depois de um par de horas pegamos o caminho de casa com um Yamaha PSR-292 no banco traseiro do carro.

Daquele dia para cá, já passei por diversas fases na minha relação com o teclado. De início, tocava todo dia, toda hora: empolgação de criança quando ganha brinquedo novo. Depois de uma leve caída no interesse, entrei numa aula de música. Alguns meses depois, já desmotivado graças ao estilo das aulas e à própria falta de tempo, desisti das aulas. Por fim, tentei me aprofundar em casa, sozinho mesmo.

Mas faltava algo.

Aprender datilografia é fácil até de aprender sozinho: você tem os modelos de exercícios, daí basta bater na máquina, pegar o papel e comparar com o que era pra ter sido feito pra ver se você acertou ou errou. Assim fica fácil ver onde está com problemas e pode então voltar seus esforços para resolver aquele problema específico.

No teclado não tem como você fazer isso: lá está a partitura e você toca. Mas e daí? O teclado não grava o que você tocou, logo, você não sabe se tocou certo ou não; qual a nota que você tem mais dificuldade de identificar. Pra quem tem ouvido bom fica mole, mas pra mim não é assim.

Agora eu acho que o problema está resolvido. Aproveitando que estávamos caminhando novamente pelas mesmas ruas estreitas do velho Rio de Janeiro, entre uma visita à Confeitaria Colombo e uma pechinchada num camelô, finalmente comprei o cabo midi, o bendito cabo que conecta o teclado ao computador de forma que, com o uso de um programa específico, a partitura seja gerada.

O programa eu já tinha, é o Cakewalk Home Studio 2002, que chegou ao meu computador graças ao Kazaa. Depois de instalado, já estou passando boas horas à frente dele estudando os seus tutoriais, com tudo funcionando às mil maravilhas.

Ora pois, acho que agora sim a coisa vai, porque tenho como saber se estou tocando as notas certas ou não. Não sei como é que levei tanto tempo para comprar o tal cabo, pois foi só com ele que o sonho realmente pôde engatar a primeira marcha. Realizar um sonho é troço muito bom, né não, meu povo?

Portanto, meu povo, aguardem. Logo logo teremos novas músicas disponíveis para download.

Palavras, Palavras

Limiar: entrada, começo.

Irromper: entrar com ímpeto, com violência; aparecer de repente; romper, surgir, brotar.

Compreender: perceber, entender, perceber as intenções de.

Bobagem do Dia III

Estava eu assistindo uma aula tranqüilamente lá na faculdade, quando a Ana me saca a pergunta do nada e dispara:

- Mário, como é que termina um jogo entre patos?
- Hm... não sei.
- Empatado.

Não sei o que é pior: a piada ou eu ter caído nela.

Bobagem do Dia II

Pra quem gostou, tomem lá mais nomes interessantes.

ANA LISA - Técnica de Laboratório
DÉCIO MACHADO - Guarda Florestal
EDSON FORTES - Baterista
ESTER ELISA - Enfermeira
EUDES PENTEADO - Cabeleireiro
H. RAMOS - Professor de Judô
HÉLVIO LINO - Professor de Música
INÁ LEMOS, Dra. - Pneumologista
INÁCIO FILHO, Dr. - Obstetra
JAMIL JONAS COSTA, Dr. - Urologista
OLAVO PIRES - Balconista de Lanchonete
OSCAR NEGÃO - Esteticista facial
OSCAR ROMEU - Dono de concessionária
P. LÚCIA - Fabricante de bichinhos
PINTO SOUTO - Fabricante de Cuecas
RÉGIS MELO DIAS - Maestro
SARA DORES DA COSTA, Dra. - Reumatologista

Bobagem do Dia

Vê só que besteira das boas que eu recebi por email, que me garantiu boas risadas. Uma lista de profissionais e suas respectivas especialidades:

NATAN GENTE - Curso de Geometria
ILKA BAÇO - Orientadora sexual
CESAR E ANA - Partos
EVA QUANDO - Supositórios
OSCAR A. MELO - Balas e Chocolates
DINA MIRTES - Explosivos
EUDES PEDAÇO TORRES - Terrorista
MARCOS DIAS - Calendários
CLUBE DOS MENTIROSOS - Entrada Franca
Dr. LOPES CANSADO - Clínica do Stress
DELEGACIA DE ROUBOS - Delegado Furtado
AVA DIAS - Garota de Programa
Dr. CASTRO PINTO - Troca de Sexo
H. LOPES - Curso de Equitação
JAMIRO COELHO - Aulas de Caça
Dr.PRUDENTE SOUTO - Ortodontista
Dr. K. GODÓI - Hemorróidas
ALBERTA ALCEU PINTO - Garota de Programa
SARA VAZ - Mãe de Santo
Prof. PASSOS DIAS AGUIAR - Auto-Escola
Dra. EMA THOMAS - Traumatologista
Dr. SERAFIM DAS DORES - Anestesista
Dr. MALTA AQUINO PINTO - Doenças Venéreas
Dr. SEABRA - Psiquiatra
Dra. AVA GINA - Ginecologista
Dr. TIMELLO REGO - Protologista
Dr. H. ROMEU PINTO C. BENTO - Urologista

Revista das Religiões

Lendo a edição de aniversário da já comentada revista, deparei com as opiniões de algumas pessoas importantes e resolvi compartilhar com vocês estas gotas de sabedoria:

"Não se trata apenas de tolerar, mas sim de respeitar a diversidade de expressões do encontro com o Sagrado." Monja Cohen ~ zen-budista

"A Verdade absoluta, por ser absoluta, engloba todas as formas de compreensão religiosa. Há diferentes mentalidades acerca de Deus, e Deus, por sua vez, revela-Se a todos de forma diversa." Rasananda Swami ~ movimento Hare Krishna

"Tolerância implica falta de opção: é a obrigação de tolerar o mais forte ou então a condescendência de tolerar o mais fraco." Rabino Henry I. Sobel ~ Rabino israelita

"O maior inimigo do diálogo é a ignorância em relação ao outro, o que enseja as fantasias lastimáveis que geram e sustentam o preconceito." Ariovaldo Ramos ~ missionário evangélico.

Taí. Falaram e disseram.

Flashback

Há exatamente um ano atrás, escrevi um texto chamado Plenitude. Na verdade, não era apenas um texto, mais que isso, era uma oração, onde eu agradecia a Deus por tudo o que tinha naquele momento na minha vida e por ter conhecido a Sueli. O texto foi escrito no mesmo instante em que cheguei em casa, logo após nosso primeiro encontro.

Hoje, um ano depois daquela maravilhosa noite no restaurante Della Mamma, releio minhas próprias palavras e vejo que elas continuam atualíssimas, e fazem até ainda mais sentido hoje do que quando as escrevi. Portanto, em homenagem àquele dia marcante, fica aqui republicada a oração, com a certeza de que continuo agradecendo a Deus por tudo o que tenho em minha vida e, principalmente, acima de tudo o mais, por ela.

Poderia eu hoje acrescentar à lista de agradecimentos a capacidade de amar, a dádiva de ser amado e a benção de ser amado por quem amo. Amém.

***

Plenitude

Deus, sei que você escreve certo por linhas completamente destroçadas, mas que no final das contas a gente vê que cê tava certo desde o início. Com o tempo eu aprendi isso, e há uns meses não reclamo mais de quase nada na vida, como a maioria das pessoas fazem. Desde então, desde que vi que reclamar não leva a lugar nenhum, desde que vi que tem certos momentos que não adianta praguejar, que o jeito é sentar e esperar a tempestade passar, desde então, minha vida tem sido plena.

Acho incrível como as linhas que você escreve, Deus, são incrivelmente tão distintas e ao mesmo tempo tão próximas. Às vezes uma linha desaparece, e acho que nunca mais voltarei a vê-la, quando ela simplesmente surge do nada, mostrando que teus planos estão bem armados. E há os casos em que as linhas que cruzam com a minha vão se cruzando, formando uma teia mágica que une a todos nós.

Então, Deus, eu queria agradecer. Queria não: eu quero. Primeiro agradecer por me abençoar com um anjo da guarda que está sempre ao meu lado. Sempre. Os últimos meses não poderiam ser melhores. Quando eu acho que as coisas não têm mais como melhorar, alguma coisa me acontece e alcanço um degrau mais alto na minha felicidade. Trabalho, faculdade, amigos, família, a convivência comigo mesmo. E agora ela.

Obrigado mesmo por tudo. Obrigado por minha vida. Obrigado por meus amigos. Obrigado por minha família. Obrigado por meus estudos. Obrigado por eu ter um corpo perfeito. Obrigado por não sofrer. Obrigado por estar aí. Hoje, acima de tudo, obrigado por ela.

Amém.

Fótu da Çemana

Podem até não acreditar, mas esta faixa [a imagem foi perdida] já está neste lugar há mais de mês, e se depender da dona do estabelecimento, ela não vai sair de lá tão cedo. Não consegui tirar a foto da faixa por inteiro, mas ela diz do seguinte: "De ferias para o seu bolço". São três erros em seis palavras.

Enquanto passeávamos por Papucaia, encontramos a dona da loja. Aproveitamos então para perguntar se ela não tinha visto o erro. Ela disse que tinha visto sim, "mas fazer o que...". Estupefato, ainda comentei da falta de acentos em "de ferias", e ela argumentou dizendo que "ah, em cartaz isso é comum". Não resisti, e mandei na lata que o português correto não vê se é faixa ou deixa de ser. Além de quê, como vimos depois, existe uma palavra acentuada no final da faixa. Ou seja, a falta de acento no início não é técnica estética: é incompetência mesmo.

No final das contas, não consegui decidir o que era mais ridículo de se ver: a faixa errada ou a indiferença da dona.

Imaginação Fértil

Aí que a Lis postou o seguinte lá no Mulher de Fases:

"Você deve ler e pensar numa resposta. Se possível, o que vier à sua cabeça primeiro: Conta-se que uma garota, no funeral de sua mãe, conheceu um rapaz. Ela o achou tão maravilhoso que acreditou ser o homem de sua vida. Apaixonou-se por ele e começaram um namoro que durou uma semana. Sem mais nem menos, o rapaz sumiu e nunca mais foi visto. Dias depois, ela matou a própria irmã. Questão: Qual o motivo da garota ter matado a irmã?"

Vê se a minha resposta foi extremamente criativa:

Ela matou a irmã na esperança de ter outro funeral da família, aí quem sabe o cara iria aparecer de novo. Aparecendo, ela iria cair de pau nele, armar o maior barraco no enterro da irmã, gritando escandalosamente, querendo saber o motivo do sumiço dele, quem era a lambisgóia com quem ele estava saindo, se ele tinha noção de como estava fazendo-a sofrer. No fim das contas, após várias vãs tentativas de seus parentes de acalmá-la, ela sacaria um três-oitão da bolsa de couro de jacaré das savanas da África do Sul e daria cinco tiros no bandido traidor, para se arrepender logo depois e morrer junto com ele, seu protetor. O povo iria declarar então que eles eram santos porque sabiam morrer. O nome dela, não foi essa a pergunta, mas vou dizer assim mesmo, era Mônica, ele se chamava Eduardo, a irmã Odete Roitman, e tudo aconteceu na cidade de Smallville, que fica ali, bem do ladinho de Gotham City.

Frase do Dia

Fim de aula na faculdade, dez e meia da noite, íamos eu e mais dois colegas em direção ao ônibus. Descendo uma escadaria um dos dois tira as mãos dos bolsos e manda a frase do dia: "eu não gosto de descer escada com a mão no bolso, imagina você caindo, rolando, sem poder se segurar?".

Ah, eu mereço...

Irmão Urso x Lilo & Stitch

Quando vi o trailer de Irmão Urso, o encantamento bateu de cara com On My Way, música de Phil Collins. Tentei ver no cinema mas não consegui, logo, tive que esperar pelo vídeo na locadora. Dias atrás, finalmente, assisti Irmão Urso.

Ruim não é, mas também não é um espetáculo. Irmão Urso tenta desde o início ser grandioso mas não consegue. Nem mesmo a trilha sonora que eu imaginei ser das boas, graças à participação do Phill Collins, não empolga. Só salva mesmo On My Way.

O desenho conta a história de um rapaz que é transformado em urso para aprender o valor da colaboração, da camaradagem, da irmandade, da amizade, blá, blá, blá, ao mesmo tempo que tem que se virar para fugir de um humano que tenta caçá-lo e também para, claro, se transformar em gente de novo. Para isso, conta com a ajuda de Koda, um ursinho que perdeu a mãe.

Uma das cenas que valem o filme é quando o rapaz-urso se dá conta de como a sua história e a do ursinho se juntam. Animação, diálogos, trilha sonora, tudo se encaixa muito bem, fazendo uma cena quase antológica.

De resto deu pra dar umas risadas com os alces, mas não foi nada demais. Rir mesmo só nos bônus do DVD com os erros de gravação. Parece que a Disney não quis fazer um filme muito comédia com Irmão Urso. Tem final feliz e só.

Em compensação, Lilo & Stitch é uma gozação e tanto. O monstrinho alienígena apronta muitas e ótimas numa ilha perdida no Havaí. A história é a seguinte: um cientista cria o Stitch em laboratório e é preso e condenado por isso. Stitch é também preso, mas consegue fugir e vem parar na terra, onde é adotado pela pequena Lilo.

Enquanto tenta em vão se adaptar à Terra, Stitch ainda tem que fugir dos alienígenas que foram enviados para buscá-lo, e para isso usa Lilo como escudo. No início violento e destruidor, ele vai aos poucos aprendendo com Lilo como se acalmar.

Tudo isso rende muitas risadas, e na parte de comédia a Disney acertou em cheio. Ao mesmo tempo irracional e inteligente, Stitch proporciona várias sessões de gargalhadas em frente à televisão. Como eu não poderia deixar de comentar, tudo regado à música havaiana e ao som do rei Elvis Presley, de quem a Lilo é fã. Excelente e recomendadíssimo.

Lilo & Stitch é um daqueles filmes que me fazem rebobinar o vídeo sorrindo, com vontade de sair dançando e cantando pela casa. É final feliz... feliz.

Das Profundezas do Guarda-Roupas III

Desta vez, vindo direto de um caderno das aulas de redação da quarta série, um poema sem nome. O exercício era escrever versinhos para uma namorada, então lá fui eu na minha vã tentativa. Versos abaixo da linha da pobreza, com rimas pífias ou inexistentes, mas ainda assim hilários para mim, lidos depois de quatorze anos daquele momento de ins-Piração.

Mais interessante é que as três primeiras estrofes vieram acompanhadas de desenhos que deveriam representar seus versos. Pode-se ver então, que minha habilidade artística na época estava à altura dos versos. Atente para o estilo romântico usado para representar a amada na terceira estrofe. Para ver as imagens, clique na arroba no final das estrofes. [links removidos porque as imagens foram perdidas]

Ás vezes, seus olhos brilham como a lua.
Outras, como um peixinho na água.
É só olhar para eles
que meu coração pára como uma estátua.

Não sei o que há comigo
Acho que estou apaixonado
Eu acho que é...
Glup! Estou muito envergonhado

Hoje sonhei com você,
acordei muito assustado
porque no sonho eu vi você
sonambulando pelo meu quarto

Gosto muito de você.
Sinto uma coisa no coração
Mas eu acho que este versinho
está mais do que doidão

Nas Profundezas do Guarda-Roupas II

Dando seqüência aos textos que tenho encontrado nos meus cadernos nos tempos de Ensino Fundamental, vamos nós com o texto "Eu", onde escrevo de mim mesmo. Datado de 30/05/1994, escrito como dever de casa de uma aula de redação, este texto continua mostrando uma grafia falha, enquanto passeamos pelo que fui, e que, em certos pontos, ainda sou.

Dado à sua superficial profundidade de meu próprio eu visto por mim mesmo, este texto mereceria grandes comentários acerca de cada uma de suas passagens, mas posso aqui fazer umas breves considerações: o gosto esportivo mudou e o musical ficou mais eclético, os bichos morreram, as pessoas variaram, a psicologia inverteu, exceto no interesse de descobrir a verdade. Ainda gosto da selva e de ler, as coleções acabaram e a bomba já não explode mais, como eu bem pude prever.

Vamos então ao texto.

"Primeiro, vou falar de minhas preferências. Nos esportes, eu gosto mais de basquete e handbol, pois usam mais as mãos, e gosto de usá-las; na música, gosto de rock (guns's roses, Legião urbana, DireStraits, e outros), MPB (Caetano, Clara Nunes, Milton, Chico, e outros) e gosto também de Jean Michel Jarre, as músicas dele são só em um órgão, uma das que mais gosto é "Computer Week-End"; adoro gatos (tenho 3) e pássaros (mais 3); adoro filmes de aventura e alguns de comédia, uns dos que mais gostei foi "Ben-Hur". Gosto de pessoas que gostem de tudo o que eu goste, que me escutem, que sejam inteligentes, que não sejam falsas e em que posso ter toda a minha confiança.

Em termos psicológicos eu sou: a) sensitivo = me caracterizo pelos estados emocionais e afetivos. Tenho uma excessiva vida interior, sou fechado, fortemente dominado pela sensibilidade. b) introvertido: concentro a maior porte de minha atenção em mim mesmo, desinteresso-me pelo ambiente, procurando minhas satisfações do meu mundo interior. Pouco me ligo às coisas, às pessoas, falo pouco pareco sempre estar triste. c) Teorico: meu interesse dominante é descobrir a verdade, gosto de pôr em ordem os meus conhecimentos. Gosto de ser discreto.

Gosto de passear em lugares de mata fechada, como selvas; andar de bicicleta, colecionar, estudar e ler.

Sou geralmente taxado como uma bomba, sempre prestes a explodir, mas eu acho que estou mudando e deixando de ser tão explosivo.
"

Auto Peças Divino

Quando uma certa menina estava pra nascer, há quase vinte e oito anos atrás, Deus estava lá em Sua oficina juntando as partes que fariam dela uma boa pessoa. Botava um pouco de compaixão aqui, um pouco de sorriso ali, uma impaciência acolá, e ela estava ficando pronta para nascer. Só que como até Deus está sujeito às infames leis de Murphy, uma das peças principais caiu no chão e rolou para o canto mais inacessível da oficina, impossível de ser alcançada sem que se arrastasse alguns móveis.

Como a mãe da garota já estava em trabalho de parto adiantado, não havia tempo disponível para que Deus pudesse procurar a peça, e teve que deixá-la de lado, terminando a menina sem ela. Quando colocou a última peça no lugar, a menina veio ao mundo. Os anos se passaram sem que ninguém se desse conta de que algo estava faltando nela.

Pouco mais de três anos depois, durante uma de Suas arrumações na oficina, Deus encontrou aquela peça que tinha ficado perdida desde o dia do nascimento da menina. Como já tinha muitos milagres para fazer, não queria simplesmente fazer aquela peça faltante surgir na garota, e então decidiu entregá-la de um modo diferente. Aproveitou um menino que estava para nascer em poucos dias.

Montou o menino e, bem no interior dele, escondeu a peça da garota. Escondeu tão bem que ninguém perceberia que ela estava lá. O garoto nasceu e cresceu. Para garantir que a peça chegasse ao seu destino, Deus começou a armar encontros e desencontros na vida dos dois.

Apesar de morarem em cidades diferentes, tudo na vida dos dois foi armado divinamente para que um dia, mais cedo ou mais tarde, os dois se encontrassem. Na escola, ele conheceu a irmã dela. No emprego, ela trabalhava com um vizinho dele. Amigos em comum se escondiam aqui e ali. Deus fez seus gostos ficarem parecidos. Viagens, comida, tranqüilidade, as opiniões geralmente batiam.

Até mesmo imperfeições foram dadas a eles para que as coisas dessem certo. O que um sabia de menos o outro sabia de mais. Seriam professores e alunos um do outro. Foi, realmente, uma armação perfeita de Deus.

Vinte e três anos depois do nascimento do garoto, centenas de coincidências depois, os dois finalmente se encontraram. A atração foi instantânea. Ela pareceu entender que ali estava uma parte que faltava a ela. Ele percebeu que ela era o grande quebra cabeças onde ele - uma pequena peça - precisava se encaixar para tornar-se inteiro.

Um telefonema e um encontro bastaram. Literalmente, duas pessoas haviam se tornado um ser, e as suas vidas, que até então pareciam ter um quê de vazio em si mesmas, tornaram-se plenas. Deus, vendo a realização de Seus planos, deu-se por satisfeito, abençoou aquela união e os fez ainda mais feliz do que julgavam ser.

Almas gêmeas? O que tem que ser será? Seja feita a Sua vontade? Não tente tirar uma lição de moral, por favor. Isso é só uma história de amor.

Nas Profundezas do Guarda-Roupas I

Ultimamente tenho feito uma limpeza geral no meu guarda-roupas, dando muita coisa sem uso e jogando muitas outras coisas fora. Dentre o mar de tranqueiras, encontrei alguns cadernos do meu tempo de escola, desde a primeira série até o ensino médio. Revirando suas páginas, dei de cara com meus textículos: pequenos ensaios que escrevia, os quais vou compartilhar com vocês.

O primeiro deles, entitulado "Egoísmo", escrito em algum dia do ano de 1990, revela, além de uma ortografia precária, um profundo respeito a Deus, uma grande certeza quanto à Sua justiça e, principalmente, uma forte ligação com o espiritismo e sua doutrina de reencarnação. Fruto, imagino eu, de ensinamentos de minha mãe. Leiam.

"Há pessoas que dizem que tudo é pertencente a ela, egoísmo, nada é teu, é de Deus.
Dizem: - isso é meu! Mentira, um dia você vai, e tudo fica, é tudo emprestado, você só tem sua alma, nem seu corpo, ele fica, sua alva vai, às veses voçê é ladrão, traficante, fica para voutar, quem é ruim fica, quem é bom vai. Nada é teu.
"

Andam Falando de Mim

A Trinity colocou no site dela uma explicação dos motivos para ir aos site que sempre vai. Lá estava o Sarcófago, na seção Bater Ponto:

"O Sarcófago, blog do Mário, também dos links do Anjo. Magnífico. Uma grande parte dos textos são literários. Tem historinhas, curiosidades, relatos pessoais, tudo muito bem escrito, de maneira envolvente. Com o material que tem ali, dava pra publicar um livro de contos e crônicas fácil, fácil. Tem até uma seleção dos melhores posts dele. Não sei se está lá, mas tem um em que ele escreveu o texto todo sem a letra A. É incrível!"

Devo admitir que sinto aquela pontinha de orgulho ao ler palavras como magnífico ou incrível, mas ainda assim não acho que é tanto. Ainda não me convenceram de que posso publicar um livro.

De qualquer maneira, obrigado a ela pela menção honrosa.

Retrospectivas do CCAA - Parte II de II

Dando continuidade às besteiras que anotávamos durante as aulas do CCAA, vão lá o restante das frases, lembrando que as que não têm nome no final foram ditas pela professora. Aproveitando, dêem um pulo nos comentários do primeiro post desta série. Eu contei uma história divertida sobre aqueles tempos.

Jader, faz esse negócio entrar.
Que vara é essa na minha frente?
Se eu não der speech, vou dar outra coisa.
Dá lá você.
Viu? Ele demora pra entrar.
Tem que estimular aqui, senão não entra.
Não quer entrar aqui, só aqui.
Se eu não mastigar, eu passo mal.
Eu fui descascar salsicha.
Eles estão mexendo nas coisas de Carlinda.
Eu fiquei de boca cheia.
Você chupa muito rápido
Isso, Elma, chupa tudo! Chupa tudo! (Samuara)
Toda babada, caiu no chão! Chupa agora! (Jonathan)
Enfia isso logo, rapaz.
Eu já aprendi a enfiar tudo.
Cadê o pinto do Léo? (Samuara)
Jader é uma hipérbole: tudo nele é maior.
Se o negócio é enfiar, deixa comigo.
Não posso nem pensar em me machucar, a noite hoje vai ser grande.
Você vai ver o Lulu hoje?
Você já enfiou, Jader?
Enfia aqui no buraco?
Cara, sua bunda é quente! (falando de Jader)
Você não vai começar a chupar agora.
Ah! Chupa isso sozinho!
Como é que você vai chupar e responder ao mesmo tempo?
Jader mordeu!
Hoje eu vou dar todas as partes que eu puder dar. Eu vou dar tudo.
Tira o dedo, Jader!
Onde você enfiou o dedo?
Você não aprendeu a introduzir?
Ah... eu gosto de bolas.
Vocês vão ver a natureza entrar.
O que você tá chupando aí? (Samuara)
Depois vocês vão ver por inteiro.
Eu senti esse negócio grosso.

Retrospectivas do CCAA - Parte I de II

Nos idos longínquos de 1999 estávamos cursando os nossos dois últimos semestres do curso de inglês no CCAA. A turma só tinha sacanas, éramos uns sete. Uma das diversões da turma era anotar as frases ditas durante as aulas que, tiradas de seu contexto, soavam sacanas ou pervertidas. No final do semestre revíamos tudo aquilo, era a já famosa "retrospectiva". Antes da prova, era lei rirmos um bocado com isso.

Daí que arrumando o meu guarda roupa para jogar fora coisas velhas encontrei um dos meus cadernos daquela época, e lá estavam muitas frases que anotamos. Trago então, para sua diversão e perda de tempo, divididas em dois posts, algumas das melhores que encontrei.

Como estão em ordem cronológica, pode-se notar que às vezes o assunto recai sobre um certo termo. Tudo tem origem certa: um pirulito, uma fita cassete, um computador, uma caneta... mas tudo era motivo de riso. Bons tempos.

As que não têm um nome entre parênteses ao final foram ditas pela professora Elma, nossa eterna vítima, que sofria com as nossas perseguições.

Não força, Jonathan, tá doendo. (Jader)
Este é muito fino, não dá apoio, tem que ser grosso. (Jader)
Chupa logo esse negócio, Silmar!
Silmar, abre esse negócio.
Tira isso da boca, Jeniffer! Você ainda não saiu da fase oral?
Que dor, não agüento mais essa posição.
Tem hora que esse negócio não entra.
Pegaram meu ovo, abriram meu ovo. (Jader)
Macklin tem um pintão!
Jonathan, faz esse negócio entrar pra mim, faz.
Osvaldo, você não tem língua, não?
Era imensa! Uma agulhada daquela... (Irene)
Eu dei, mas não entrou.
Eu finalmente comi com os pauzinhos. (Jader)
Esse negócio não quer entrar, Mário.
Seu cotoco tá com o Mário.
É cotoco, mas é meu. (Jader)
Passa a mão na minha coxa com vontade, Jonathan! (Jader)
Toma cuidado, Mário, vão te furar.
Seu cotoco estava embaixo dele.
Já estamos tão acostumados com pinos que nem, nem... (Jader)
Abre aí, Jonathan, pra gente poder fazer o negócio. (Silmar)
Ih, entrou!
Você quer que eu enfie isto onde?
É só botar a lingüinha aqui, tia Elma. (Jader)
Ei, desliga essa pomba.
Então eu vou introduzir, né? (Mário)
Sacanagem você vai ver depois (Teresa)

Uma Escolha Pro Resto da Vida

Depois de tanto tempo juntos, e tão bem, seria até um pecado dizer que Douglas não confiava na Beatriz. Ah, disso ninguém poderia duvidar, ninguém poderia, em momento algum, dizer que sua confiança era menor que 100%

Mas ainda assim Douglas estava apresentando sinais de medo. Tudo bem que só ele sabia da existência desses sinais, mas por isso mesmo ele tinha a mais pura convicção de que seria ele próprio o responsável pelo crescimento ou desaparecimento deste medo.

Vamos deixar claro que ele não tinha medo da Beatriz, mas sim medo de Murphy. Murphy, aquele cara que disse que se alguma coisa pudesse dar errado, daria. Era isso que estava começando a ameaçar a paz de Douglas, fazendo-o pensar que todo aquele amor que estava vivendo poderia se acabar de uma hora pra outra.

Parou então para pensar e viu que tinha duas escolhas. A primeira, que de início lhe pareceu mais sensata, era passar a viver com um pé atrás, sempre pronto para se segurar em caso de um desastre. Continuaria amando Beatriz sim, mas talvez não com toda a força que poderia ser capaz de amar, e assim estaria a salvo de ter um coração partido.

Vislumbrou então a segunda possibilidade. Se entregar de vez, por completo, de corpo e alma, sem restrições, àquele amor que nos últimos meses só sabia crescer. Seria como fazer rapel sem corda de segurança, pular de um avião sem um pára-quedas sobressalente.

Viu que, se vivesse com um pé atrás e as coisas dessem certo, ele iria ter certeza de que vivera um amor meia-boca, que poderia ter sido perfeito mas que não passou do comum. E caso se entregasse por completo, viveria o amor da forma mais intensa possível, o que o faria morrer feliz.

E então, quando teve que escolher entre se arrepender por não ter corrido riscos e sofrer a dor de uma separação, chegou à conclusão de que preferia quebrar a cara mil vezes do que apenas existir e não viver. E amou. Cada vez mais.

Seu Domingos

Seu Domingos é um senhor já na terceira idade. Não sei quando é que veio morar aqui na nossa cidade, mas sei que até poucas semanas atrás ele morava em algum lugar de São Gonçalo.

Também não sei dizer em que condições ele vivia, mas tenho certeza de que não era numa casa bem acabada. Só consigo enxergar o seu Domingos numa casa ainda com os tijolos à mostra, num quintal sem cuidados, perto de um valão, algo assim. Talvez nada muito mais luxuoso que isto.

Mas pior do que suas condições de moradia, estava seu estado de saúde: aidético. Com 65 anos e aidético. Duro de se ver. Se alguém acha que não poderia ser pior, pode sim: sua única filha não tem o menor interesse em cuidar dele. Em suas próprias palavras, estava largado às moscas em casa, até que sua sobrinha apareceu.

Quando ela foi visitá-lo, seu Domingos chorou como criança, dando graças a Deus pela chegada de sua possível salvação. E, sim, sua sobrinha foi sua salvação. Como a filha de seu Domingos não se preocupava com ele, a sobrinha o trouxe para nossa cidade, onde ele finalmente foi internado em um hospital para receber o mínimo de tratamento possível, já que o nosso hospital não é nenhum exemplo de qualidade. De qualquer maneira, estar no hospital de Cachoeiras é melhor que estar largado às moscas em um barraco de São Gonçalo.

A sobrinha dele, então, cujo nome nem me lembro mais, foi até o cartório para poder fazer uma procuração, de modo que pudesse agir as coisas para ele. Ela me passou a documentação e alguns dias depois fui com ela até o hospital para pegar a assinatura dele.

Magro, fraco, velho, doente. Bem doente. Mas ainda assim um exemplo de pessoa. A maioria das pessoas que estivesse numa situação parecida com a dele com certeza entraria em depressão, mas não é o que acontece com ele. Não sei se seu Domingos é religioso, se crê em Deus, se reza todas as noites, mas ainda assim, ele é um exemplo de perseverança que vou me lembrar pra sempre.

Seu Domingos é um grande brincalhão, que faz piada com o próprio estado. E também tem força para seguir em frente. "Eu vou chegar aos setenta, vocês vão ver". Muitas piadas depois, com o documento já assinado, voltamos ao cartório, eu e sua sobrinha. Foi aí que conheci a história dele, de onde ele tinha vindo, como tinha chegado até ali.

Seu Domingos pode até não ter chances de viver muito, mas com certeza foi salvo pela sobrinha de sofrimentos maiores se ficasse com a filha. Abençoada sobrinha que abre mão da própria vida para salvar o tio. Abençoado Domingos que não desiste de lutar.

Isto não é um conto, é uma história verídica, e dói pensar que existem muitas pessoas como ele que não são salvas. Que não têm uma sobrinha para socorrer, que têm filhos que não estendem a mão. Mas seu Domingos, com sua energia, tem um bom exemplo para mostrar. Que Deus lhe dê muitos anos de vida. Que Deus o abençoe.

Mário, Mário

Mas é preciso ter força
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca
Mário, Mário
Mistura a dor e a alegria

Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida

Cartórios - Autenticação II

O texto anterior ganha uma continuação graças a umas dúvidas da série "coisas que a Trinity sempre quis saber sobre cartórios e teve medo de perguntar". Pergunta ela:

O documento autenticado tem valor de original? Se não, pra que que serve?

Sim, o documento autenticado tem valor de original. Tanto é que muita gente anda com documentos autenticados na carteira, para se ferrar menos em caso de roubo. Mas, ainda assim, existem lugares que não aceitam cópias autenticadas.

Posso autenticar a cópia de um documento (do documento mesmo, não da cópia autenticada) apresentando uma cópia autenticada do mesmo documento?

Por incrível que pareça, isso não pode. Sim, eu sei que é absurdo, nós do cartório concordamos com isso, mas não pode. É decisão da Corregedoria Geral da Justiça, o órgão oficial que rege o funcionamento dos cartórios e saiu até no Diário Oficial. A propósito, também não pode autenticar a cópia de uma cópia autenticada.

Aproveitando o assunto de pode-não-pode, dá pra acrescentar na lista que cópias feitas em fax não podem ser autenticadas.

Cartórios - Autenticação

Antes de mais nada, vamos logo detonar com uma coisa que muita gente fala errado. Não é autentificação. Há tempos eu gostaria de saber de onde esse povo arranjou mais uma sílaba para a palavra. Gente, pensem em autêntico. Autêntico quer dizer verdadeiro. Dizer que uma coisa é verdadeira então cria a palavra autenticar, tornar autêntico. Portanto, enfiem o fi onde bem entenderem, mas nunca no meio desta palavra.

Bom, só por isso já dá pra entender o que é autenticar. É dizer que uma cópia é genuína, autêntica, verdadeira. Portanto, nunca cheguem num cartório pedindo para autenticar um documento original. Um original já é autêntico por natureza.

Outra coisa que muita gente acha que o cartório faz é tirar a cópia do documento para então autenticar. Ledo engano. Tem cartório sim que tira a cópia, mas isso não faz parte do serviço de autenticar. Autenticar é apenas "reconhecer como autêntico", e não "tirar uma cópia e reconhecer como autêntica". Portanto, antes de entrar num cartório para isso, tire a cópia antes.

Para autenticar uma cópia, esta precisa estar legível, em perfeitas condições. Não podem ser autenticadas cópias muito claras nem muito escuras, com partes ocultas ou xerox de apenas uma parte do documento. O que não falta neste mundico de Deus é gente que tira cópia só um pedaço do documento e cisma que o cartório tem que autenticar só aquele pedaço. Isso é errado. Basta, novamente, pensar que autenticar significa dizer que uma cópia é reprodução fiel de um documento. Como é que a xerox de apenas uma parte do documento pode ser uma reprodução fiel? Talvez na China. Ou na casa do Edward Mãos de Tesoura.

Outra coisa: frente e verso. Lembrem-se disso. Frente e verso. Mesmo que o verso tenha apenas uma propaganda, ou apenas um carimbo insignificante: frente e verso. Cópia fiel do original, lembram? Só não precisa se o verso estiver em branco.

Por fim, algo que pode parecer ridículo, mas a pá de gente que chega no cartório querendo isso é desconcertante: na hora de autenticar, levem o maldito original ao cartório! Como é que o funcionário vai dizer que uma xerox é cópia fiel de um original se ele não pode compará-la com o original? Não adianta chorar, dizendo que perdeu o documento, que ele está em outra cidade, que esqueceu em casa ou que está preso na polícia: se não mostrar o original, nada feito.

Por fim, quanto ao preço, ele é cobrado por documento. Se alguém tirar duzentas cópias em uma folha de cartolina, serão cobradas duzentas autenticações.

Cartórios - Reconhecimento de Firma

Para entender o que é um reconhecimento de firma, vamos dar uma olhada no dicionário. Só isso já vai bastar para explicar bem a coisa. Reconhecer significa admitir como verdadeiro, verificar. E firma, neste caso, não é sinônimo de empresa, mas sim de assinatura. Ou seja, reconhecer uma firma quer dizer verificar se uma assinatura é verdadeira.

O reconhecimento de firma é usado para assegurar que uma assinatura colocada num documento é realmente da pessoa que deveria ter assinado. Para isso, basta ir com o documento a um cartório onde a pessoa tenha aberto sua firma e pedir para reconhecê-la. O funcionário procurará a ficha da pessoa e fará a comparação. Se bater, o documento recebe um selo e uma etiqueta onde consta o nome da assinatura reconhecida, algo tipo "reconheço por semelhança a assinatura de Fulano de Tal". Se a assinatura não bater, não adianta chorar. A pessoa que assinou terá que ir ao cartório e deixar a sua nova assinatura.

Existem dois tipos de reconhecimento de firma: por semelhança e por autenticidade. No reconhecimento por semelhança, qualquer pessoa pode levar um documento ao cartório, mas quando o reconhecimento deve ser feito por autenticidade, a pessoa que assinou tem que comparecer no cartório portando identidade e CPF. Geralmente, este reconhecimento é feito em documentos mais 'sérios', como documentos do Detran e de empresas de telefone. Ao abrir a firma num cartório, a pessoa pode pedir que o reconhecimento de sua assinatura seja feito sempre por autenticidade. Fazendo assim, a pessoa assegura que ninguém vá falsificar sua assinatura.

Para abrir firma, para se dirigir a um cartório com sua carteira de identidade e CPF. Uma ficha é preenchida e você tem que assinar na dita cuja. É com ela que as assinaturas dos documentos serão comparadas.

O cartório não pode reconhecer uma assinatura que não esteja batendo porque, se ocorrer algum problema no futuro com aquele documento, como por exemplo a alegação de que a assinatura é falsa, um juiz pode intimar o cartório a apresentar a ficha da pessoa, para verificar a semelhança. Se constatar que a firma foi reconhecida sem haver semelhança entre as assinaturas, o bicho pega para o responsável do cartório.

Cartórios

Sei que o assunto não tem muito a ver com o que costumo escrever, mas resolvi compartilhar com minhas leitoras o que tenho aprendido no meu serviço lá no cartório. Sei que isso não vai melhorar a vida da gente lá no Segundo Ofício, mas pelo menos eu vou ficar com a sensação de que as pessoas vão entender melhor sobre meu trabalho.

Antes de mais nada é preciso entender que cartório é uma palavra genérica. Existem vários tipos de cartórios, e eles nem sempre entendem os serviços que os outros fazem. É tipo loja. Existe loja de roupa, loja de comida, loja de remédio, loja de eletrônicos. Não adianta chegar numa loja de remédio e perguntar se o teclado da Yamaha modelo PSR-292 tem saída MIDI digital. Portanto, não fiquem nervosos quando o atendente de um cartório não puder lhe explicar como é que se tira uma segunda via da certidão de nascimento se você entrou num cartório de registro de pessoa jurídica. Estas são duas atividades completamente diferentes.

Por muitas e muitas vezes já atendi gente no cartório que chegou perguntando quanto custava para tirar um título de eleitor (serviço de cartório eleitoral) ou então quanto custa para registrar um filho (serviço de cartório de registro civil). Aí, quando a gente diz que tem que ir em outro cartório, as pessoas ficam nervosas, alegando que "puxa, isso aqui não é um cartório?". Pra ter noção de como isso é absurdo, seria como chegar num açougue, pedir uma aspirina, e quando o cara mandar você ir a uma farmácia, você reclamar "ué, mas aqui vocês não vendem coisas pra poder ganhar dinheiro?"

Logo, existem vários tipos de cartório: cartórios de registro civil, que tratam de nascimento, casamento, emancipações, óbitos e afins; cartórios de protesto de títulos, que fazem notificações a quem está devendo e podem mandar o nome de alguém para o SPC; cartórios de registro de imóveis, que lidam com os dados relativos a quem é dono de que imóvel; cartórios de notas, responsáveis por fazer procurações, reconhecimentos de firmas, escrituras e outros; cartórios de registro de títulos e documentos, que arquivam quaisquer documentos que as pessoas queiram ter maior segurança, como contratos particulares de aluguel, contratos de compra e venda de veículos; entre alguns outros tipos de cartórios que existem por aí.

Outra coisa que muita gente pensa é que cartório entende de tudo. Ledo engano. Muitas vezes nós sabemos menos do que quem a gente atende. Um dos maiores equívocos do povo é achar que por estar reconhecendo uma firma em um documento, a gente sabe o que tem que fazer com ele depois. Por favor, não pensem isso. O cartório entende de reconhecer firma, mas não entende de INSS, Detran, banco ou qualquer outra coisa. Se a sua faculdade pediu para você autenticar seus documentos, o cartório não tem a mínima idéia se é só a identidade, ou se é a identidade, o CPF, o título de eleitor e a certidão de nascimento.

Assim como existem lojas que vendem vários tipos de coisas diferentes, existem cartórios que possuem várias atribuições, como o que eu trabalho, por exemplo: somos um cartório de notas, um cartório de registro de imóveis, um cartório de registro de títulos e documentos, um cartório de registro de pessoas jurídicas e um cartório de protesto de títulos. Por que tanta coisa junta num lugar só? É que minha cidade - Cachoeiras de Macacu, pra quem não sabe - é um lugar pequeno, do interior do Rio de Janeiro, e que, portanto, não tem capacidade para abrigar vários cartórios. Fica mais fácil para a justiça reunir tudo num só. Existe aqui também, em um dos distritos do município, um cartório que é de notas e de registro civil. Nas cidades grandes, é mais comum haverem cartórios com apenas uma atribuição. Então, entenda uma coisa antes de entrar em um cartório: pode não ser ali que seu problema será resolvido.

Antes de reclamar preços e condições para executar um serviço num cartório com o pobre coitado do atendente, é bom saber que tudo que é feito entre as suas quatro paredes é regido por um código de normas que deve ser seguido rigidamente, sob pena de multa e afastamento do serviço. Acompanhando o Diário Oficial, já encontramos casos em que cartórios receberam muitas de mais de cinco mil Reais. Logo, quem te atende e diz que não pode fazer um serviço ou cobra muito caro, não está sendo chato ou querendo te sacanear: está apenas seguindo a lei, sob pena de, não o fazendo, correr o risco de morrer numa grana e até perder o emprego. Muitas vezes nós mesmo do cartório concordamos com as pessoas que reclamam dos preços que são cobrados, mas, infelizmente, não podemos fazer nada contra isso.

Sobre pagar, muita gente acha que cartório trabalha de graça. Nem todos. Onde eu trabalho, tudo é cobrado. Tem gente que pensa que o governo repassa para nós os valores referentes ao serviços que prestamos, mas isso não acontece. Muito pelo contrário, nós é que repassamos para o Estado uma porcentagem sobre tudo o que é feito atrás do balcão.

Por fim, o cartório muitas vezes não precisa saber os seus motivos para fazer alguma coisa lá. Se a sua faculdade pediu para você reconhecer uma firma, se quem alugou seu prédio não pagou um aluguel, o cartório não precisa saber disso quando for reconhecer a firma ou quando for protestar uma nota promissória. Gente de cartório, apesar de não parecer, tem mais o que fazer, e não pode perder muito tempo com a história de todo mundo.

Bem, de início acho que é isso. Aguardem que vou iniciar uma série de textos onde vou detalhar os serviços que são feitos nos cartórios - pelo menos, os que são feitos no cartório onde eu trabalho, que são os que entendo.

O Homem Duplicado

Tertuliano Máximo Afonso nunca chamou muita atenção nem nunca fez nada demais na sua vida simples e monótona de professor de História, até que um dia, aconselhado por um colega de trabalho, aluga uma fita de vídeo e dá de cara com algo - alguém, melhor dizendo - que vira sua vida de pernas pro ar, lançando-o em uma busca que o leva a resultados surpreendentes e ao mesmo tempo inevitáveis: ele descobre que um ator de segundo escalão é igual a ele. Mais do que gêmeo. Mais do que clone. Uma cópia. Um homem duplicado.

Por vezes muito difícil de ser acompanhado, graças à linguagem rebuscadíssima de José Saramago, ainda assim é um daqueles livros que não dá vontade de parar de ler.

Por várias vezes tive que ler e reler vários trechos, até mesmo páginas inteiras, para conseguir entender aonde ele queria chegar, já que Saramago merece ganhar o título de "O Maior Enchedor de Lingüiça" da história. Não foram poucos os trechos onde ele se distancia da narrativa principal, fala de coisas que nada têm a ver com a história, para então voltar a falar dela normalmente, dando como desculpa o fato de que a personagem principal estava tomando banho enquanto falávamos de outros assuntos. Isso sim é encher lingüiça, o resto é prova de história do ensino fundamental.

Uma das coisas que mais dificultam a leitura do livro é que Saramago pediu que fosse mantida a ortografia de Portugal. Temos então uma enxurrada de palavras e grafias desconhecidas ou estranhas. "Olvidartes-te de contar-mo suas ideias". São coisas assim que a gente lê.

Mesmo assim, apesar de todas essas dificuldades de leitura, O Homem Duplicado é muito bom, tanto que devorei suas últimas 80 páginas de uma tacada só. 80 páginas essas, aliás, que deixam um pouco de lado as lingüiças e vão direto ao ponto, tornando o livro uma montanha russa de eventos que quase se atravancam um atrás do outro, fazendo com que o leitor não tenha mínima vontade de desviar os olhos das suas páginas.

A seqüência final de acontecimentos é tão surpreendente e tão bem amarrada que me levou ao inevitável questionamento: como é que alguém consegue pensar histórias assim?. Ah, como eu queria ser José Saramago por apenas um dia...

Leiam. Vale a pena.