Reforma de Casa: Anote Tudo

Esta é uma daquelas lições que a gente vive lembrando de colocar em ação mas vive esquecendo, porque talvez seja um tanto quanto enfadonha. Mas, sem sombra de dúvida, é uma das melhores coisas a se fazer: anotar tudo o que você pensa em fazer na sua casa. Não estou falando aqui de anotar os gastos, o que também é importante, mas falo de algo diferente: anotar todas as decisões que você tomar.

Se você vai encomendar os granitos para colocar nas soleiras das janelas e portas, e também para os rodapés, anote detalhadamente cada medida, cada posição e cada material utilizado. Quando a entrega chegar, você vai ter uma maneira melhor de conferir o material que chegou, principalmente se for muita coisa, e vai evitar o problema de colocar pedras parecidas nos lugares errados.

Eu passei por isso aqui em casa, quando o pedreiro colocou a soleira de uma porta em outra. As pedras eram ligeiramente diferentes: uma tinha 83 de largura e a outra tinha 82. Ele colocou a pedra de 83 na porta de 82, o que ficou ok, pois só sobrou um pouquinho para cada lado. Mas na hora de colocar a pedra de 82 na porta de 83 a coisa ficou feia e a soleira ficaria com uma falha. Fui obrigado a comprar outra pedra.

Outro exemplo de necessidade: anote as cores. Se você pensou em colocar um azulejo bege e um vaso creme no banheiro, anote isso. Eu dei esse mole e acabei comprando um vaso e uma cuba brancos ao invés de creme. Não ficou feio, mas a patroa deu um pulo quando viu.

Mais exemplo: na parte elétrica, é muito importante anotar onde você pensou em colocar as tomadas da casa. Não é apenas uma questão de saber onde puxar conduítes, mas também para poder lembrar que em um canto você vai colocar uma tomada de três pinos para o computador e que em outro você vai precisar de quatro tomadas porque vai ligar a TV, o vídeo, o rádio e o telefone todos um perto do outro.

Pensa que acabou? Lá vai outro: é importante anotar coisas que você talvez tenha que voltar a usar no futuro, como misturas de rejuntes para formar uma determinada cor.

Ainda mais importante é anotar aquelas idéias interessantes que você tem: "hmm... seria bom deixar um conduíte passando por aí e saindo lá naquela parede para poder puxar um cabo da caixa de som para o banheiro". Se você não anotar, é arriscado só lembrar delas depois que é tarde demais.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas acreditem mim: nunca, jamais, confiem apenas em sua memória.

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Veja outros artigos da série Reforma de Casa

O Pecado de Todos Nós - Capítulo Dois - Parte Três

(capítulo dois, parte dois)

A terra ressequida e crestada estendia-se diante de nós e percebi nitidamente que os gramados em volta da casa não tinham grama alguma a não ser pequenos tufos amarelados. Olhei a distância para o trigal cor-de-jade, e misteriosamente senti-me confortado. Meu pai estava agora andando depressa e apressei-me para alcançá-lo. Ele parou junto dos bordos e olhou para eles. Os botões intumesciam e tornavam-se de um rosa pálido e ele tocou-os de leve. Fomos até fundo às faias brancas e ali também os brotos reluziam, gelados. Depois, ainda sem trocar uma só palavra, fomos até os olmos, cujos brotos apertados mostravam um leve traço de verde. Entramos nos pomares e pela primeira vez meu pai me falou.

- Dentro de mais três semanas, estarão em flor.

Então, de repente, ele calou-se. Segurava um nodoso galho de macieira e olhava intensamente para ele. Aproximei-me, pois ele estava rígido e seu rosto, geralmente corado, tomara uma coloração cinzenta. Sem falar, ele estendeu o galho para mim. Nele não havia brotos. Meu pai dirigiu-se à arvore seguinte, e à seguinte, e eu atrás dele, nossas sombras nos acompanhando sobre a terra marrom. Não havia broto algum em nenhuma das macieiras. Quebrei um galhinho, e seu interior estava verde. Eu não sabia que a minha garganta estava tão apertada até tentar falar. Precisei engolir algumas vezes antes de poder dizer:

- Bem, foi um inverno muito seco, mas as árvores estão vivas, e assim...

- E assim... - repetiu meu pai, a sua voz tremia.

Ele continuou a andar, e, de repente, pareceu-me sentir um estranho vazio na luz fria de fevereiro. Talvez devido ao rosto de meu pai, tão despido de expressão exceto pelos olhos, que espelhavam uma amarga severidade, como se só ele soubesse de algo que eu ainda não conhecia.

Ficamos calados de novo, enquanto nos dirigíamos para o pomar das cerejeiras. Examinamos árvore após árvore, sem falar. Fomos ao pomar dos pessegueiros, e ao das pereiras. Não havia um único botão de flor em qualquer das árvores, e quebrei galhinhos, repetidamente, para ver o verde vivo dentro deles.

Ali ficamos nos fitando. Meu pai disse:

- Você sabe que este ano perdemos todas as nossas bezerras e que só alguns dos bezerros machos vingaram.

- Sim - disse eu - E o mesmo aconteceu a todos os nossos vizinhos. E quase não há mais vacas leiteiras em toda a região.

- As nossas galinhas estão pondo poucos ovos, e nenhuma está choca. - Meu pai virou-se para mim e olhou-me demorada e taciturnamente. - Você ainda acha que isso é coisa local? Já foi noticiado por todo o país. “Seca”.

- O que acha o senhor, papai? - perguntei.

Mas ele limitou-se a sacudir a cabeça e olhar para o céu.

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Continua...
O início

Rock Band por Mim

Dias atrás o Tiago Frossard publicou uma parada lá no blog dele, o Nuss... E agora?!? e me chamou para participar do meme. A questão é escolher 5 álbuns que eu gastaria 15 dólares para comprar e tocar no jogo Rock Band.

Antes de dar a minha lista, preciso explicar para a minha leitora o que é este jogo, coisa que nem mesmo eu sabia antes de receber o convite. Rock Band é um jogo de última geração, disponível para os humildes Playstation 3 e Xbox 360, e nele você tem que formar a sua banda de rock e então fazer shows até alcançar o status de superstar. O divertido é que você não usa o controle comum dos consoles, mas equipamentos extras: guitarra, baixo, bateria e microfone. Você se sente, realmente, um artista.

O jogo já vem com várias músicas para você tocar, algumas desconhecidas e outras famosas, como Dani California (Red Hot Chili Peppers), Gimme Shelter (Rolling Stones), Next to You (The Police) e Tom Sawyer (Rush), e ainda permite que você faça o download de outras para incrementar ainda mais a diversão.

Basicamente é isto, e se a leitora quiser mais informações pode saber um pouco mais sobre Rock Band na Wikpedia.

Aí vem a parada do meme. Quais seriam os cinco discos que eu gostaria de ter no Rock Band para poder me acabar de tanto me perfazer de rock star? Aí vão eles, sem nenhuma ordem específica:

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Rock of the Westies, Elton John

O grande disco de rock de Elton John, esquecido por muitos, mas verdadeira pérola da sua discografia. Não é pauleira, mas dá pra bater muita cabeça. Dan Dare e Billy Bones and the White Bird são ótimas. E, só pra constar, Street Kids foi incluída na trilha sonora do jogo Grand Theft Auto IV.

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The Number of the Beast, Iron Maiden

O disco de rock que marcou minha infância, com músicas que viveram no meu subconsciente até que redescobri o disco já depois de adulto, é um dos meus favoritos da minha coleção.

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Garden of Souls, Vyrus Survivor

Completamente desconhecida do público brasileiro, esta é uma banda de heavy metal aqui de Cachoeiras de Macacu, e os caras fazem um som bom pra caralho, simplesmente muito foda, mesmo que às vezes pareçam imitar o Iron Maiden. São bons ao ponto de um amigo tê-los ouvido e ter achado que era o Deep Purple.

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Paranoid, Black Sabbath

Um dos discos fundamentais do rock, Paranoid traz três clássicos fodas: War Pigs, Paranoid e Iron Man. Não há como não pensar em um disco desse fora de um jogo como Rock Band.

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Favourite Worst Nightmare, Arctic Monkeys

Uma das bandas recentes que mais gosto. O som dos caras é muito bom e tem um baixo espetacular.

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Bonus Track: uma faixa que eu adoraria brincar neste jogo é Beat It, do Michael Jackson, que tem um dos solos de guitarra mais fuderosos de todos os tempos, disponível no disco Thriller.

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E você, que discos gostaria de tocar em Rock Band?

50 Semanas de Rock - Jerry Lee Lewis

Por ser um dos avós do rock and roll, eu imaginei que iria conhecer um monte de músicas de Jerry Lee Lewis, mas me enganei. Antes da semana passada, a única música dele que eu conhecia é a mais-que-conhecida Great Balls of Fire. Felizmente, o que eu descobri é excelente.

Eu baixei dois discos dele, sendo o primeiro o ao vivo Live at Star Club, Hamburg. Este é seu terceiro disco e pelo que li é considerado um dos melhores discos de rock da história. Bem, talvez eu discorde disso porque já ouvi outros melhores, mas é inegável que o disco é muito bom.

De cara, o que me impressionou foi o piano desenfreado e frenético que ele toca. Puta merda, o cara é bom demais, quase tão bom quanto Elton John. Praticamente todas as músicas têm solos fuderosos, mas eu posso destacar os de Matchbox, Mean Woman Blues, Money e as clássicas Hound Dog e Great Balls of Fire. Simplesmente genial.

O único porém deste disco é a qualidade do áudio, mas isso há de ser perdoado, afinal de constas é uma gravação ao vivo de 1964, quando as condições técnicas não eram lá essas coisas.

O outro disco que baixei é o Last Man Standing, álbum de duetos lançado em 2006. Neste disco, Jerry se juntou a grandes nomes da música, como Jimmy Page, B.B. King, Rod Stewart, Eric Clapton e Little Richard. Achei este disco um pouco irregular, embora Jerry continue tocando como nunca.

Os destaques deste disco ficam por conta de Rock and Roll (com Jimmy Page), Pink Cadillac (com Bruce Springsteen), Trouble in My Mind (com Eric Clapton), I Saw Her Standing There (com Little Richards) e uma versão alucinante de Honky Tonky Woman, dos Stones, com Kid Rock.

Uma das coisas que ajudam este disco a ser um pouco fraco são os sinais da idade de Jerry, que no alto dos seus 72 anos já não está com uma voz tão firme assim.

Jerry Lee Lewis foi, sem dúvida, uma das melhores semanas até aqui. Eu gostei bastante de ouvi-lo e suas músicas vão continuar fazendo sucesso aqui em casa durante um bom tempo. Se você tiver oportunidade, não perca.

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Veja a lista de bandas que fazem parte das 50 semanas de rock

Convite para Lançamento de Livro

Há vários meses eu li no Judão que a Editora Andross estava aceitando inscrições de crônicas e micro-contos para uma antologia. Eu mandei um texto para lá e fui selecionado. O livro terá textos de mais de 80 autores, cerca de 300 páginas e creio que vá custar entre R$ 20,00 e R$ 30,00.

Como o lançamento será no dia 31/05/2008, na Casa das Rosas, em São Paulo, das 16 às 19 horas, fica aqui o meu convite a todas as minhas leitoras que morem em Sampa ou que queiram dar um pulinho lá.

Pouco tempo depois do lançamento eu terei vinte exemplares nas minhas mãos para serem vendidos. As queridas leitoras que quiserem um, por favor me avisem para reservá-los desde já.

Histórias de Cartório: Credenciais

Uma das coisas que mais me enchiam o saco no cartório onde trabalhei eram as pessoas que chegavam mostrando o cartão de visita, dizendo que eram advogados, ou que eram primos do prefeito, ou que eram amigos do tabelião, ou que eram pastores, ou então uma combinação disso tudo. Enfim, mostrando que eram qualquer outra coisa que eles julgavam importante o suficiente para dar-lhes credenciais de serem atendidos com mais presteza ou atenção.

- Amigo, eu sou advogado, e queria uma certidão de ônus reais.

Porra, e daí que o cara é advogado? Foda-se, meu véio! Eu cheguei a ensaiar uma resposta a esta pérola, mas infelizmente ninguém apareceu mais falando assim até eu sair de lá. Eu já tinha a cena na mente:

- Amigo, eu sou advogado, e...
- Opa, eu sou analista de sistemas, prazer.
- Ahn, como assim?
- Ué, você disse sua profissão, eu disse a minha. Agora vamos ao que interessa: o que o senhor deseja?

Pura babaquice essa história do cara entrar dando credencial achando que com isso vai ganhar alguma vantagem. Teve uma vez que um advogado quis criar confusão lá no cartório e um cliente chapou na cara dele exatamente o que eu tinha vontade de falar.

Resumindo bem o caso, foi um lance que este tal advogado chegou lá e pediu para eu procurar uma coisa em um livro. Enquanto eu fui procurar e voltei ao balcão, ele tinha saído. Deixei o livro com a página aberta num canto e fui atender outra pessoa que já estava me esperando. Ele voltou e não quis nem esperar eu terminar de digitar uma lista para o segundo cara, e este segundo cara enfezou:

- Rapaz, espera o garoto terminar de digitar. Você saiu, ele veio me atender. Calma aê.
- Calma aê o que?! Eu sou advogado e tenho que...
- GRANDES MERDA VOCÊ É ADVOGADO!!! Aqui dentro você é tão cliente quanto eu.

Caceta, eu vibrei com aquele "grandes merda". Foi mais do que merecido.

Infelizmente eu não tive a oportunidade de trabalhar com Seu Luiz, o escrivão que trabalhou lá antes de mim. Todos diziam que ele era bem nervoso e que vivia dando foras neste tipo de mané. Contam que uma vez um advogado e pediu para Seu Luiz fazer um lance errado. Seu Luiz negou e o cara mandou:

- Amigo, eu sou advogado, quebra meu galho.
- Se é advogado é mais um motivo pra saber que esta merda tá errada e que não pode fazer.

Com certeza, deveria ser super divertido conviver com Seu Luiz.

Enfim, fica uma dica: se você vai em algum lugar pra ser atendido, evite ficar mostrando credencial para tentar conseguir vantagem. Não ajuda muito.

Artigos da Série Reforma de Casa

Como andei escrevendo vários artigos sobre minhas dores de cabeça com a reforma da minha casa, e como ainda há outros a vir pela frente, resolvi fazer um post para servir de índice para todos eles. Sempre que eu escrever algo novo da série eu vou colocar o link aqui, e este post será linkado ali na barra lateral. Espero que seja do agrado de vocês, queridas leitoras.

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19/12/2007 - Reforma de Casa
14/03/2008 - Pedra é Mole
25/03/2008 - Caminhão de Concreto
29/05/2008 - Anote Tudo
18/06/2008 - Entrega de Material
14/08/2008 - Sanitária Cachoeirense
04/11/2009 - Pagando a Mão de Obra
13/11/2009 - Todo Pedreiro é Burro

50 Semanas de Rock - Janis Joplin

"A Rainha do Rock", disseram uns. "A Melhor de Todas", disseram outros. Claro, lá fui eu ouvir Janis Joplin para tentar entender os motivos para tanto oba-oba em volta do nome da mulher.

Com base nas dicas que peguei numa comunidade Orkutiana, baixei dois discos: Cheap Thrills e Pearls, sendo o primeiro deles gravado ao vivo com alguns bônus de estúdio; e o segundo gravado em estúdio com alguns bônus ao vivo.

Uma coisa que não se pode negar é que a banda que acompanhava Janis era de arrebentar. Os solos de guitarra em músicas como Cry Baby, Buried Alive in the Blues, Oh Sweet Mary, Ball and Chain e Flower in the Studio são pra lá de bons, simplesmente fodas. Isso sem contar alguns blues que ela canta que vêm recheados de riffs de piano, como em Cry Baby. Esta última música, aliás, me fez lembrar, bem de leve, Como 2 e 2, de Caetano Veloso.

Mas não dá pra falar a mesma coisa da Janis. Tudo bem que ela tinha toda aquela atitude rebelde que tanto fazia sucesso, principalmente para uma mulher, mas que o jeito dela cantar não me agradou, ah, mas não agradou mesmo. O problema é que, ao invés de cantar, ela meio que grita quase que o tempo todo.

Uma das suas músicas que mais ouvi falar foi Mercedes Benz, e, pra falar a verdade, não é lá essas coisas. É até interessante, porque a Janis leva a música praticamente sozinha, e tem uma levada country que tem cara de roda de acampamento em volta de fogueira. Me perdoem os fãs, mas sabe o que ela me lembrou, quando grita "everybody"? Timon cantando It's a Small World sozinho em The Lion King 3, em uma das cenas no cinema. (Depois dessa vão me chamar de herege).

Das músicas que gostei, destaco a versão deformada de Summertime, completamente diferente da original, e também Piece of My Heart, Turtle Blues e Oh Sweet Mary. Todas, coincidentemente, do Cheap Thrills.

Janis Joplin é legal sim, desde que você não preste muita atenção na voz dela. Vale a pena, com certeza.

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Veja a lista de bandas que fazem parte das 50 semanas de rock

Mito dos Cursos de Idiomas: Seu Vocabulário é Infinito

Se você, querida leitora, fala algum outro idioma fluentemente, se você já passou seis, sete anos dentro de uma sala de curso, com certeza vai reconhecer o seguinte diálogo:

- Ei, você fez inglês (ou espanhol/russo/francês), não fez?
- Sim, fiz.
- Então me diz, o que significa twaddle (ou hecha/recherchez)?
- Hm... não sei.
- [em tom de indignação] Pô, mas tu não estudou isso um tempão, cara?

Não preciso dizer que isso já aconteceu comigo trocentas vezes, certo?

Para a maioria das pessoas, o fato de ter feito um curso de qualquer língua que seja já te torna um dicionário ambulante, com obrigação de conhecer toda e qualquer palavra naquele idioma.

Minha melhor saída para a conversa é:

- Vem cá, você sabe o que significa substabelecimento?
- Não!
- Pois é, esta é uma palavra do português. Se você, que fala português o dia inteiro desde os três anos, e hoje tá com 30, não sabe, porque é que eu, que estudei seis anos, três horas por semana, deveria saber tudo de inglês?

E acaba por aí.

Conheça o Animusic

Animusic é uma turma que teve a idéia de transformar música em imagem. Mais especificamente, em instrumentos animados que tocam estas músicas. Utilizando animação 3D eles criam instrumentos imaginários que tocam, sozinhos, músicas que flutuam no eixo pop-rock.

Já com dois cds lançados, eles fazem animações muito divertidas e pra lá de interessantes. Clique nos nomes delas aí embaixo para ir ao YouTube assisti-las.

Ainda não vi todas, mas adianto que Pipe Dream é minha favorita até agora.

Animusic 1
Future Retro
Stick Figures
Aqua Harp
Drum Machine
Pipe Dream
Acoustic Curves
Harmonic Voltage

Animusic 2
Starship Groove
Pogo Sticks
Resonant Chamber
Cathedral Pictures
Pipe Dream 2
Fiber Bundles
Gyro Drums
Heavy Light

O Pecado de Todos Nós - Capítulo Dois - Parte Dois

(capítulo dois, parte um)

Meu pai tinha uma especial devoção para com as árvores. Uma árvore contra um pôr do Sol brilhante, cor-de-laranja, era, para ele, a coisa mais bela do mundo. No verão, ele caminhava em meio às árvores, tocando suas folhas e falando-lhes como se fala com um filho querido. Talvez as árvores correspondessem, pois tínhamos as melhores de todo o município, e elas nunca morriam, nem tinham doenças, e sempre cresciam e frutificavam.

Era costume de meu pai, em fins de fevereiro, visitar os pomares e algumas de suas árvores prediletas, como o enorme bosque de olmos na colina para além das campinas do sul, os bordos à beira do jardim de mamãe, as faias brancas perto do portão e o choupo da Normandia, lá longe, depois dos trigais.

Naquele dia 25 de fevereiro ele entrou em nossa cálida cozinha de tijolos, preparado para o seu primeiro e habitual passeio aos pomares. Nos anos anteriores, desde que Edward voltara cego para casa, meu pai simplesmente entrava na cozinha e indicava com um movimento de cabeça que desejava que eu o acompanhasse e eu me levantava e o acompanhava, o mais silenciosamente possível. Mas naquela manhã, meu pai, que há algum tempo parecia particularmente cansado e abatido, disse:

- Ed... Pete... vou examinar as árvores. Venham comigo.

Minha mãe voltou-se, rapidamente, no fogão, os olhos subitamente cheios de lágrimas e Lucy, mulher de Ed, soltou uma exclamação abafada.

Era um dia bonito e límpido, iluminado por um Sol pálido, muito tranqüilo. Quando Edward virou seu rosto cego para o meu pai, um raio de luz iluminou-o e pude perceber nele uma expressão de dor.

- George - disse minha mãe, com suavidade.

Os lábios de Lucy tremeram e ela olhou para meu pai com severidade.

- Desculpe. Tinha esquecido. Venha, Pete.

Não acreditei que ele tivesse esquecido, e fiquei intrigado e aborrecido. Meu pai era o homem mais bondoso e delicado, e aquele comportamento não condizia em nada com seu temperamento. Ele saiu da cozinha com suas botas pesadas e eu o acompanhei. Olhei para Edward. Permanecia sentado, as mãos sobre a mesa, a cabeça baixa, Edward era um rapaz moreno e magro, de fala mansa e maneiras delicadas. Nós nos havíamos acostumado aos óculos foscos que ele usava, mas agora, de repente, eu os via como que pela primeira vez, sentindo-me chocado até à alma. Fechei de mansinho a porta da cozinha, cheio de compaixão por meu irmão... e por meu pai.

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Continua...
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50 Semanas de Rock - James Brown

Get Up e I Feel Good: a isso se resume o que de interessante ouvi de James Brown, o nome da vez nas 50 semanas de rock. Graças à falta de tempo por causa das obras da casa e da pós graduação, mal tive tempo de baixar músicas dele e de ouvir as poucas que consegui.

Nem mesmo estas que são as mais famosas agradaram muito. Depois de cinco minutos ouvindo, enjoa.

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Veja a lista das bandas que fazem parte das 50 semanas

A Corregedoria é Linda: R$ 14,00 a Mais é Pouco

(A minha saída do cartório fez tão bem para o meu humor que acabei esquecendo da série de artigos sobre a Corregedoria: em abril não postei nada. Volto hoje com a série)

Recentemente, no dia 18/01/2008, foi publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro, Parte III, um parecer, assinado por um Juiz de Direito Auxiliar da Corregedoria do Rio de Janeiro. Neste parecer ele julga válida a idéia de distribuir todas as procurações lavradas nos cartórios do Rio de Janeiro.

Grossamente falando, distribuir significa cadastrar no fórum as procurações feitas nos cartórios. Assim, nas cidades onde há dezenas de cartórios, é possível descobrir onde uma procuração foi lavrada fazendo uma simples pesquisa no fórum, e até mesmo saber se há uma procuração feita por alguém em algum cartório.

Só que isso não é de graça, claro. E quem paga os custos extras da distribuição? O consumidor, sempre ele! Vejam então, sem tirar nem pôr, as palavras do Exmo. Sr. Dr. Juiz, retiradas da página 61 da citada edição do Diário Oficial:

"Por outro lado, a exigência da distribuição representa acréscimo de, no máximo, R$14,06 no preço final de uma procuração, o que se afigura razoável diante dos benefícios que a medida traria para a sociedade em geral. Não há que se olvidar que a medida também produz impacto positivo no Fundo Especial do Tribunal de Justiça, representando um acréscimo na receita do mesmo."

Ou seja: "oras, para a população não custa nada pagar mais R$ 14,06 por uma procuração, e pra gente é bom porque entra uma graninha extra". Lembrando que os gastos para lavrar uma procuração estão em torno de R$ 35,00, incluindo as autenticações que devem ser feitas, este acréscimo leva as procurações para o patamar dos R$ 50,00.

Ao final do parecer, o Juiz sugere o encaminhamento de projeto de lei para que a distribuição das procurações, e o eventual acréscimo de R$ 14,06, passem a ser obrigatórios.

A Corregedoria não é linda?

Se quiser conferir, clique aqui para fazer o download da página do diário

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Leia outros artigos da série A Corregedoria é Linda.

50 Semanas de Rock - Genesis

Infelizmente, esta não foi uma semana muito produtiva para mim. Embalada no feriadão dos dias 21/23, junto com o feriado do dia primeiro, só tive condições de baixar um cd do Genesis - o Nursery Crime - e não tive muito tempo para ouvir.

Do pouco que ouvi, me pareceu ser uma banda interessante. Só por ter Phil Collins na sua formação já serve para ela ganhar uns pontos a favor. Quem sabe no futuro eu venha a conhecer um pouco mais deles.

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Conheça a lista de bandas que fazem parte das 50 semanas

A Angústia da Solidão

Omar foi um dos meus melhores amigos. Nós nos conhecemos quando estudei com seu filho num curso de inglês, e acabei algum tempo depois me tornando um de seus alunos naquele mesmo curso. Mesmo depois dele ter saído do curso nós mantivemos estreitos nossos laços de amizade. Eu sempre costumava visitá-lo para ouvirmos músicas ou para simplesmente bater papo. Quis o destino que acabássemos trabalhando juntos, quando, através de uma bendita indicação dele próprio, fui ralar ao lado dele no cartório onde estive até março passado.

E ao mesmo passo em que proporcionou alguns dos momentos mais divertidos e memoráveis da minha vida, Omar tem certa responsabilidade sobre um dos meus dias de maior sofrimento, que dificilmente será superado.

Tudo começou no início de 2007, quando ele passou se sentir mal durante o trabalho no cartório e deixou de ir trabalhar durante o dia. Ele ia para lá apenas à noite, quando podia parar e descansar tranqüilamente quando não se sentisse bem. Infelizmente as coisas foram só piorando, até que chegamos àquele fatídico dia.

Assim que o cartório abriu, seu pai, que também trabalhava com a gente, recebeu uma ligação e teve que sair às pressas. Pouco tempo depois ele me ligou chorando desesperado, dizendo que Omar tinha morrido. Até hoje eu procuro o chão sob os meus pés.

Larguei o serviço como estava e consegui uma carona para o hospital. Chegando lá encontrei com o seu pai aos prantos, e descobri algo que tornava aquele dia ainda mais cruel.

- É meu aniversário hoje, Mário, eu não merecia esse presente!

Dali em diante não desgrudei dele. Fiquei ao seu lado durante o tempo em que ficamos no hospital, depois na casa de sua irmã, em seguida em sua casa, então no velório e finalmente durante o enterro. A qualquer momento, eu era sua sombra. Eu não conseguia fazer outra coisa, pois também o tenho como um dos meus grandes amigos.

Apesar de ter plena consciência de que faria tudo de novo se preciso fosse, tenho a mais absoluta certeza de que ficar ao lado dele o tempo todo foi um de meus maiores erros. Isso foi um erro porque eu não pude chorar.

Vejam bem, eu não tinha perdido apenas um colega de trabalho, com quem eu tinha convivido pouco tempo. Eu tinha perdido, como já disse, um grande Amigo, com quem eu já tinha compartilhado bons momentos e de quem eu já tinha aprendido boas lições, e daí que não poder chorar, não poder extravasar, só me fez mal.

Eu vi que tinha que manter firme, sem demonstrar minha tristeza, porque todo meu sofrimento era nada perto da dor daquele pai que tinha acabado de perder seu único filho justamente no dia do seu aniversário. Por isso engoli a seco toda a tristeza que sentia.

Já à noitinha, quando o filho de Omar me deixou em casa, depois do enterro, eu me vi, então, completamente só. A tia com quem moro estava viajando e a casa estava completamente pura, com aquele vazio denso que só os momentos tristes conseguem produzir.

Ligar para minha tia e contar a ela que Omar tinha morrido me causou uma dor física que não imaginei ser possível sentir. A angústia me dava um nó na garganta que me impedia de falar direito e até mesmo chorar. Só mesmo quando Sueli chegou é que consegui extravasar tudo o que tinha contido durante todo aquele dia negro.

Hoje, quando o calendário marca um ano de sua morte, só tenho a pedir a Deus é que Ele tire de meu caminho uma angústia como aquela.

Nerd Test!

Vi no blog do Doni e fui fazer. Acabei descobrindo que a água é molhada e fui classificado como um nerd tecnológico. Oh, que surpresa!, não?

Fiquei impressionado só com os 3% na questão da literatura/história.


NerdTests.com acha que eu sou um Nerd Tecnológico.  E você?  Descubra clicando aqui!


E vocês? Que tipo de nerds são? Cliquem na imagem aí de cima e façam o teste.