Crônica: Show Trocado (Versão Nacional)

Acordei certa manhã e liguei a televisão no canal de música. Ia começar a passar um show com vários artistas.

Logo de cara vi que havia alguma coisa errada. A primeira música era Brincadeira de Criança, mas quem cantava eram Zezé di Camargo e Luciano!! Apesar de estranho, a platéia vinha abaixo.

Assim que eles saíram do palco, um tamborim começou a tocar. Surgiram então Sandy e Júnior e atacaram de Coisinha do Pai. Fiquei imaginando qual dos dois seria a coisinha...

Finalizada a roda de samba, as adolescentes do início dos anos 2000 deliraram ao som de assederrê, rá, derrê... sim, Ragatanga, mas aqui os passinhos ensaiados foram executados pelos Raimundos.

Depois que toda a purpurina baixou, Beth Carvalho tomou o palco para uma versão arrebatadora de Os Sonhos de Deus, seguida por Roberto Carlos cantando A Lenda, em um dueto inusitado com Pitty.

As coisas melhoraram um pouco quando Luiz Gonzaga subiu ao palco e cantou Eu Seu Que Vou Te Amar, e mantiveram-se no mesmo bom nível quando Tom Jobim, ovacionado, fez a versão definitiva d'O Calhambeque.

Achei que as coisas continuaram neste bom nível quando vi Ludmila Ferber e Fernanda Brum subirem ao palco, mas ao ver que elas cantavam Selim, senti que as coisas poderiam piorar. E pioraram: As moçoilas do Rouge assumiram o palco em seguida e assassinaram Asa Branca.

Pra fechar aquele teatro mágico, os rapazes do Molejo pediram licença e cantaram É o Amor. Para mim foi um clímax ao contrário, mesmo que a platéia tenha cantado junto cada um dos versos apagodados deste clássico do cancioneiro sertanejo mela-cueca.

No bis todos voltaram ao palco para cantar um medley de Fuscão Preto e Jesus Cristo.

Antes da música terminar eu desliguei a televisão. Imagina se entra o Bonde do Tigrão para cantar Festa no Apê?!

(Leia a crônica "Show Trocado" original)

2 comentários:

Sampson Moreira disse...

Muito bom cara! Ri muito. Dá para imaginar diversas versões, coisas hilárias... Padre Marcelo Rossi cantando "Na boquinha da garrafa" seria algo de outro mundo.

Mário Marinato disse...

Que bom que gostou.

Realmente, dá pra fazer um set list genial misturando as idéias. Vou pensar no assunto.