Eu e a Religião - Parte II

Este artigo é a segunda parte de um longo ensaio sobre minha relação com a religião. No primeiro eu conto como foram minha infância e minha adolescência. Aqui eu conto como abracei o cristianismo.

Parte II - Conversão


Comecei a ler sobre religiões, vi uma identificação com o budismo, mas fui me ligando cada vez mais ao cristianismo, que era a religião mais próxima de mim. Justamente nessa época comecei a namorar uma evangélica. A princípio me recusava a ir aos cultos com ela, por conta daquele preconceito que falei antes, mas com o tempo cedi. Nestes cultos, mesmo com toda minha carga de má vontade, normalmente me emocionava e não conseguia conter as lágrimas. Não me pergunte o motivo: eis o mistério da fé.

Comprei a Bíblia e li o Novo Testamento. Por indicação de um padre durante uma missa, dei atenção maior às epístolas de João e parece que ali todas as explicações se encaixaram. Lembro claramente da satisfação de entender o significado da expressão "em nome de Jesus." Só que faltava ainda uma etapa essencial: acreditar que Jesus tinha existido e que sua história era real.

Algum tempo depois, perto de completar 25 anos, perdi meu pai e busquei consolo na religião. Como a namorada evangélica morava em outra cidade e não nos víamos nos domingos à noite, passei a frequentar a missa. Entendia cada vez mais, me fascinava e me acalmava com o ritual católico. Depois que entendi a razão de ser de cada etapa, uma missa deixou de ser um senta-e-levanta sem fim e passou a ser um ritual tocante e importante. Sempre me emocionava e desejava cada vez mais crer naquilo tudo. Ajoelhava e pedia que Deus abrisse meu coração e me fizesse entender e aceitar. Ao mesmo tempo, sempre que podia ia aos cultos na igreja da namorada. Apesar de achar estranho tanta euforia na igreja dela, tinha passado a gostar.

Foi um processo gradual, mas quando dei por mim já tinha aceitado Jesus como meu senhor e salvador, numa entrega sincera, mesmo que, no fundo, não convicta. No final das contas, foi uma questão de realmente aceitar um raciocínio na confiança de que mais tarde eu iria terminar de entender o que faltava. As incoerências que eu via nos dogmas da igreja católica eram muitas pra mim e me declarei cristão evangélico, em vez de cristão católico.

Mesmo não fazendo parte da igreja católica, participei do Encontro de Jovens com Cristo em 2006. Foi uma das experiências mais incríveis pelas quais já passei, uma montanha russa emocional que no final me deixou em frangalhos. Quando terminou, eu estava muito feliz mas emocionalmente cansado.

Um dos melhores frutos dessa decisão foi eu ter me aberto, finalmente, à música gospel. Até então, o preconceito me fazia torcer o nariz para qualquer temática religiosa. Após a conversão eu finalmente comecei a ouvir artistas como Kleber Lucas, Fernanda Brum e Diante do Trono. Um mundo de música de qualidade, o qual eu rejeitava por conta do rótulo de ser música de crente.

Com o passar do tempo comecei a duvidar da minha conversão. Quando citava a Bíblia ou falava de Jesus, sentia que estava representando um papel, fazendo algo forçado, assumindo valores que não eram os meus. Via as pessoas dando testemunhos de como Jesus tinha mudado suas vidas de uma hora pra outra e eu não sentia isso. Ainda assim, segui em frente depois que uma amiga evangélica me disse que tinha tido as mesmas dúvidas que eu e que só depois de alguns anos ela foi meio que terminando de se converter. Se tinha acontecido com ela, poderia acontecer comigo. Além do quê, como eu não tinha falado das minhas dúvidas pra ela, não tinha como ela estar tentando me convencer de nada.

Continuei na minha caminhada, esperando pelo estalo que me faria abraçar o cristianismo com a mesma paixão que abracei outras coisas que gosto.

***

A seguir, Verdade.

Um comentário:

leila marinato disse...

Vc é um monstro. .. Não gosto de novelas nem de cenas de próximo capítulo. .. Quando começa a ficar bom . Vc pára. Sacanagem