Modernizando os Cartórios

Este texto na verdade era para se chamar "Como o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Fudeu com a Minha Vida no Cartório", mas eu achei este um título muito grande. Bem, divagações sobre títulos à parte, vamos ao que interessa.

De todo o dinheiro que entra no cartório, uma fatia de pouco mais de 30% vai para os cofres da Corregedoria e adjacências. Para facilitar o controle da fiscalização, temos que lavrar, diariamente, um livro chamado Livro Adicional, que é o relatório de tudo o que foi feito no cartório, indicando livros, folhas, registros, protocolos, etc. etc.. Até aí tudo bem, afinal de contas, quando bate fiscalização no cartório livro adicional é o meio mais fácil de saber o que foi feito.

Pois bem, até coisa de dois anos atrás o livro adicional era bem simples. Eu fazia apenas uma página por dia, arquivava e tals. Aí veio uma portaria mudando o modelo e eu passei a ter que fazer OITO páginas por dia. Muito mais trabalho, como vocês podem ver.

Quando eu achei, então, que não podia ficar pior, este mês veio a Corregedoria e, a pretexto de fazer o que está no título deste texto, fez o que está no primeiro parágrafo. Vou detalhar, calma.

Imagine, querida leitora, que você compre um carro. Você sabe que o carro tem que ter combustível para andar, mas não precisa se importar com a química dele. Você compra o combustível no posto e pronto, sai dirigindo.

A mesma coisa acontece com as tecnologias de programação. Quando você usa um programa de computador, não precisa saber como ele foi programado, nem de que forma as informações são gravadas em um banco de dados. Você usa o programa e pronto, confiando que ele sabe como fazer tudo direito.

Aí vem o meu grande problema. A pretexto de melhorar o Livro Adicional, a Corregedoria instituiu um tal de Livro Adicional Eletrônico em XML. XML é uma tecnologia para armazenamento e compartilhamento de informações. Um usuário leigo de computador não precisa nem saber que esse tipo de coisa existe, muito menos um usuário que tem mais é que saber de legislação, que é o caso do sujeito do cartório. Eu sei o que é XML porque fiz faculdade de informática. Saber esses detalhes feios é coisa do pessoal de informática, não do pessoal de cartório. O Sarcófago, por exemplo, é todo feito em XML. Não que eu tenha feito assim. É o próprio Blogger que o faz, eu nem preciso ver o lado feio da coisa.

E nós, funcionários de cartório, a partir de maio, ao invés de usarmos um programa para digitar os dados do Livro Adicional, para que este gere um arquivo no formato XML, que seria então enviado para a Corregedoria, vamos ter que criar o arquivo XML na mão, item a item, num nível de detalhamento exagerado. É algo como ter que fabricar a própria gasolina para o seu carro andar. Não é algo difícil, mas é trabalhoso pra caralho. E qualquer errinho ferra com o trabalho todo.

E como se não bastasse, o Livro Adicional agora é mais detalhado do que o anterior. Antes, no modelo antigo do Livro, bastava dizer que fizemos tantos de cada serviço, que o valor total a ser recolhido para cada um era de X, que o valor total que sobrava pro cartório de cada um era Y, que o primeiro selo usado era o A e o último era o B. Agora, ao contrário, vamos ter que dizer, individualmente, para cada serviço, quanto deve ser recolhido, quanto vai sobrar pro cartório, e qual foi o selo. Tudo muito muito muito muito detalhado. É um troço tão trabalhoso que vai gerar documentos de pelo menos 50 páginas TODOS OS DIAS. E ainda vou ter que continuar fazendo o Livro do jeito antigo.

Acho que não vai sobrar tempo pra trabalhar.

Se alguém estiver curioso para ver mais detalhes e entender o meu suplício, lá no site da Corregedoria estão disponibilizados arquivos explicando como funciona a bagaça toda.

14 comentários:

Cobalto disse...

E provavelmente vai sobrar pra mim, fazer isso também o.0

Mário Marinato disse...

Ah, então você também trabalha em cartório! De que cartório és tu? Qualquer coisa, podemos trocar umas idéias sobre esse novo maldito Livro Adicional.

Thiago disse...

só tenho uma coisa pra t dizer Mário...

se fudeu !!!!! hahahah sacanagem...

Priscila disse...

Menino, que m* hein? Putz...vc vai passar oito horas só preenchendo livro... Os membros de Corregedoria são sempre tão inteligentes....

Mário Marinato disse...

Geniais, Priscila, geniais...

Jovino disse...

E aí Mario, Blz?! :-) Já está desenvolvendo alguma coisa? :-\ Comercializa pra galera... ;-)

Mário Marinato disse...

Tô desenvolvendo sim, Jovino. Logo logo teremos novidades aqui no Sarcófago.

Anônimo disse...

Oi Mário.

Já existe umas 4 empresas que estão com a solução pronta para ja ser utilizada. Tem soluções bacanas que custam cerca de R$ 4,00 por dia e são totalmente na Internet. Se quizer saber mais, me escreva. carloscacau@hotmail.com Forte abraço.

Anônimo disse...

Fiquei sabendo que a SERVCOM de Belo Horizonte já tem uma solução sensacional para todos os cartórios do Rio de Janeiro, ao preço de um "cafezinho" por dia.

Mário Marinato disse...

Carlos, do jeito que está fazendo propaganda, você deve ser revendedor da Servcom, não é?

Anônimo disse...

Tem uma tal de Lyon Informática também de Belo Horizonte com uma solução pronta, tem até jeito de "baixar" e fazer um test-drive.
www.lyoninfo.com.br/la

Mário Marinato disse...

Eu já soube a Lyon, foi a primeira mala direta que chegou pra gente. A telinha bonita custa a facada de R$ 1.200,00 de entrada mais 12 de R$ 100,00 a título de suporte obrigatório.

Anônimo disse...

Liguei para eles, chorei, mas não consegui baixar o preço, eles me disseram que existe um plano de licença de uso que custa R$150,00/mês. Ainda não sei o que fazer...

Mário Marinato disse...

Não sabe o que fazer? Fecha comigo, oras. Tô fazendo o Lix! para o cartório onde trabalho mas vou vender pra quem quiser. Deve ficar entre R$ 300,00 e R$ 600,00 reais, com garantia de atualização em caso de erros do sistema.