O Pecado de Todos Nós - Capítulo Três - Parte Cinco

(capítulo três, parte quatro)

Como um possante coro fazendo eco a suas palavras, ouviu-se o ruído do trovão da primavera e, de repente, o Sol desapareceu e a luz na sala tornou-se acizentada. Os fazendeiros levantaram-se e olharam para as janelas.

Lester Hartwick riu, feliz, e gritou:

- Olhem, vai chover, afinal! George, seu velho Jeremias, vai chover!

E choveu mesmo. De repente, as janelas tornaram-se cataratas prateadas e os relâmpagos faiscavam e o trovão sacudia o ar A rua lá fora desapareceu numa torrente; de alguma janela, parcialmente aberta, vinha o cheiro de terra molhada e a frescura da vida. Os fazendeiros soltaram gritos de alívio e de alegria, dando tapinhas nas costas do meu pai falando delirantemente em começar a semeadura dos campos.

A chuva caía e nós ficamos olhando, apinhando-nos nas janelas. Os riachos secos haveriam agora de correr e os rios subiriam. Olhei para o meu pai, mas ele não estava sorrindo. Ele disse:

- A terra não morrerá. A chuva salvará as árvores sem frutos, mas é tarde demais para as frutíferas. A sentença de morte ainda está conosco.

Ouvimos pelo rádio naquela noite, que a chuva caía como um dilúvio no mundo inteiro. E pela primeira vez soubemos que a seca tinha sido mundial.

Choveu durante muitos dias e os fazendeiros aravam a terra, alegres, cantando, e semeavam suas plantações e erguiam os rostos para os céus escuros e molhados. No mundo inteiro choveu e o Sol cruel desapareceu por muito tempo. As florestas se retemperaram e os rios se despejavam por toda parte.

Mas o trigo não nasceu e as árvores frutíferas, embora verdes com jade, não tinham flores, e a terra inundada não verdejou de capim. Continuou sem vida, a não ser pelos alqueires e mais alqueires cheios de ervas venenosas. As verduras não cresciam, embora as flores brotassem por toda parte - flores que nem os homens nem os animais podiam comer.

***


Continua...
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2 comentários:

Inês Rosa disse...

Acompanhei e testemunhei tua evolução na forma de escrever. Parabéns! Um grande escritor. Ainda não foi possível adquirir um livro de tua autoria, mas logo, logo, o farei, com certeza.Abraço, amigo e um ótimo final de semana!

Mário Marinato disse...

Valeu, Inês! Realmente, com o tempo minha redação melhorou bastante. Ainda não é nada de espetacular, mas já é alguma coisa.

Só um detalhe: este texto aqui não é meu, não, tá? É só a transcrição de um livro que não está mais sendo vendido no Brasil.