Reforma de Casa: Sanitária Cachoeirense

Durante todo o tempo que está durando a reforma da minha casa, uma das experiências mais desagradáveis foi a compra de parte dos pisos na Sanitária Cachoeirense, vulga Loja do Claudinho.

Parêntese: Eu ainda vou escrever um texto sobre esta história de que aqui em Cachoeiras de Macacu todas as lojas têm razão social, nome fantasia e nome popular. Fecha parêntese.

Pois bem, sigamos em frente. Em março de 2007 eu e Sueli fomos à Amoedo, em Niterói, e compramos boa parte dos pisos e azulejos da casa, faltando apenas os da cozinha, pois não achamos nenhum a nosso gosto. Deixamos estes para comprar em Cachoeiras.

Chegando à Sanitária Cachoeirense, passamos um bom tempo olhando todas as opções do mostruário e escolhemos um piso, um azulejo e uma faixa decorativa. Apenas o azulejo estava em estoque, e os outros dois deveriam ser encomendados.

Parêntese: este é outro mal de Cachoeiras de Macacu: as lojas raramente têm os produtos para pronta entrega, e têm que encomendar tudo para chegar dali a duas, três, quatro semanas. O horror, o horror. Fecha parêntese.

Fizemos o pedido e encomendamos os pisos e as faixas decorativas. Prazo destes dois? Duas semanas. Os azulejos foram entregues em dois dias.

Passadas quatro semanas, fui à loja para saber do material e o vendedor, fazendo cara de surpreso, disse que não sabia que eu ainda não tinha recebido o material, ligou para o fornecedor e me informou que a encomenda já tinha saído da fábrica, e que seria entregue em minha casa na mesma semana. E realmente, o foi. Só que só os pisos, nada das faixas decorativas.

Voltei à loja, e perguntei das faixas. Procura daqui, procura dali, aparece o dono da loja, pedindo mil desculpas e dizendo que tinham esquecido de encomendar as faixas.

- Mas pode deixar que eu ligo pra lá hoje e até terça isso já está aqui [era uma sexta], pode ter certeza, eu te garanto, eu te dou minha palavra!

Passada a terça nada do material ter chegado e eu fui na loja. Pediram mais uma semana, e mais uma. Já puto da vida, e pronto para pedir o meu dinheiro de volta, o tal Claudinho, o dono da loja, vem falar comigo e diz que o material tinha saído da fábrica o dia anterior e que no dia seguinte ele entregaria na minha casa. Claro que o material não chegou e eu fui lá, para ouvir uma das desculpas mais esfarrapadas da história:

- Cara, você não imagina o que aconteceu! O caminhão parou na balança e ficou acima do peso, o motorista teve tirar as suas faixas para poder ficar no peso certo.

Vejam bem o tamanho a descaração: uma mínima caixinha, com 30 faixas daquelas de enfeitar parede, era a responsável por deixar acima do peso um caminhão que devia trazer algumas toneladas de material de construção. Piada, não é não? Por que, então, não trocaram o motorista e mandaram um mais magro para dirigir?!

Aí eu perdi de vez toda a minha paciência, que como vocês podem ver é bem grande, e falei com ele que eu não queria mais nada, que queria o meu dinheiro de volta e que ele deveria ir até a minha casa e pegar de volta todo o material que ele já tinha entregue.

Ele, desesperado, ficou inventando de ligar para o transportador para que eu conversasse com o cara, para resolver o assunto. Eu falei para ele - o dono da loja - que eu tinha fechado o negócio com ele, e não com o transportador, e que, portanto, não tinha nada que conversar com ninguém além dele próprio.

Foi a primeira vez que precisei falar alto dentro de uma loja para exigir meus direitos. Disse a ele que queria o dinheiro de volta naquele mesmo dia, e ele se negou. Ameacei arranjar um problema com ele na justiça e ele não cedeu. "Pode ir, pode ir, mas dinheiro hoje não tem".

Saí de lá botando fogo pelo nariz. Pouco mais de uma hora depois um funcionário da loja - sogro dele - foi lá em casa para perguntar o que tinha acontecido. Eu expliquei a situação e ele disse que o Claudinho tinha acabado de sair de Cachoeiras para ir até a fábrica para buscar pessoalmente as faixinhas, e que até o fim da noite ele as entregaria na minha casa.

E vejam como eu sou paciente: como foi uma outra pessoa que tinha vindo até minha casa, e não o Claudinho, eu cedi mais uma vez e disse que iria aguardar mais aquele dia antes de abrir um processo na justiça.

Enfim, naquela mesma noite, o cara deixou a pequena caixa, que não pesava mais de vinte quilos, lá em casa, com as minha faixas.

É ou não é muita dor de cabeça o que fazem estas lojas daqui de Cachoeiras?

***


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3 comentários:

wellington lyra disse...

Mário, você é o único que nos faz rir quando devíamos chorar!...

Esse problema é seríssimo mesmo; o despreparo é notório em certos estabelecimentos.

Fico eu pensando que quando o Comperj estiver a toda, e o túnel do gasoduto em Japuíba em pleno vapor, e outras coisas mais que essas obras atrairão pra Cachoeiras por causa da instalação de novas indústrias (e consequente mais pessoas para morar por aqui...) - fico eu pensando no caos que pode se estabelecer no nosso sistema de "tudo bem", "espera uma semaninha", "já vou resolver" que impera na cultura comercial da terrinha...

Esse trato "familiar" (no pior sentido da palavra) entre comerciantes e clientes, que justifica entre outras coisas o atendimento desinteressado e insatisfatório, pode prejudicar seriamente nossa economia e nos fazer perder importantes divisas para o município.

Compra Cachoeiras pode até ser, mas vamos todos fazer nossa parte também, não é?

Giselle Iokilevitc disse...

(Desculpe, mas o teclado esta desconfigurado, sem acentos graficos e cedilha)

Olha, Mario, so hoje eu fui ler os seus artigos sobre a "Reforma de Casa"...
Fiquei curiosa, pois, alem de arquiteta, tambem gosto de escrever (amadoramente, obvio!).
E posso te dizer que adorei todos os artigos porque, alem de bem escritos, traziam mesmo a admiracao e/ou indignacao perante as situacoes muitas e muitas vezes conflituosas pelas quais passamos numa reforma/construcao de qualquer coisa.
Nao sao so os clientes que ficam indignados com este tipo de coisa nao, acredite!
Nos, profissionais do ramo, tambem ficamos com cabelos brancos diante desses e de muitos outros absurdos pelos quais passamos ao longo de nossa vida profissional.
Depender de entrega de material, alem de falta de mao-de-obra especializada eh sempre problematico, mesmo em pleno seculo XXI, ainda que nao pareca, viu?
Parabens por colocar no papel e com tanta riqueza de detalhes uma coisa que quase nunca nos propomos a colocar: nossa indignacao com o cotidiano!
Nota 1000 pra voce!

Mário Marinato disse...

Oi, Giselle! Obrigado pelos elogios.

Realmente, a falta de mão de obra especializada e - principalmente - competente é um problema sério que temos aqui na minha cidade.

Há vários anos atrás, quando eu parei de trabalhar em casa fazendo trabalhos de digitação, muita gente reclamou que eu fazia falta, e até hoje tem gente que me fala que não conseguiu encontrar alguém que fizesse este tipo de trabalho com decência.

Pode aguardar que ainda vou colocar mais alguns textos da série aqui no Sarcófago.

Grande beijo.