Respondendo ao Leitor

Recentemente um camarada me procurou pelo Orkut, dizendo que tinha lido um comentário meu em algum site (que ele não soube dizer qual), e perguntando se poderia me fazer algumas perguntas relacionadas ao trabalho de analista de sistemas. Eu disse que poderia, sim, responder. Só que, ao invés de respondê-las diretamente, resolvi trazê-las para cá:



Há quanto tempo você se formou?
Há quase dois anos. Eu me formei em dezembro de 2006, com a colação de grau em fevereiro de 2007. A propósito, até hoje não consegui obter o meu diploma.



Como foi sua entrada no mercado profissional?
Quando eu me formei, já estava trabalhando em um cartório aqui de Cachoeiras de Macacu, fazendo tanto serviços cartorários quanto desenvolvendo pequenos aplicativos para a repartição. No final de 2007 eu fiz um concurso para a Prefeitura de Nova Friburgo, para o cargo de analista de sistemas, fui aprovado e em abril de 2008 comecei a trabalhar lá.

Como eu já tinha falado aqui antes, o trabalho lá é frustrante, porque na maior parte do tempo ou eu não faço nada (e aproveito para estudar) ou eu conserto computador ou eu ensino os outros a mexer em Word e Excel. Cheguei sim a desenvolver alguns sistemas pequenos para a secretaria onde estou deixando de trabalhar, mas a verdade é que, para meus colegas de trabalho, analista de sistemas é apenas o cara que entende de computador e sabe consertar quando dá merda.

Devido a isso, há pouco mais de um mês eu comecei a conversar com vários amigos que trabalham no Rio de Janeiro, à procura de alguma colocação. Espalhei alguns currículos e acabei recebendo uma ligação de um camarada com quem eu ainda não tinha falado. Ele disse que a empresa em que ele está trabalhando estava com uma vaga aberta e perguntou sobre meu interesse. Gostei da idéia, mandei o currículo, o chefe dele gostou e marcamos uma entrevista para o dia seguinte. Entrevista feita, o cara gostou de mim e me deu a vaga. Entre a ligação do meu colega e o OK com o novo patrão foram apenas quatro dias, e começo lá dia primeiro de setembro de 2008.



Qual é a média salarial?
Esta parte fica um pouco complicada para que eu responda, porque não tenho muita experiência nem acompanho muito isso, mas pelas reportagens que ando lendo ultimamente a média tem rodado pelos R$ 2.000,00, mais benefícios. Só fuja do interior, como a Prefeitura de Nova Friburgo, por exemplo, que tem um maravilhoso salário de R$ 800,00, sem benefícios.



Quais são as dificuldades e as vantagens da profissão?
Eu acredito que a maior dificuldade é a concorrência, porque tem muita gente boa pra demais da conta espalhada por aí, e o nível de exigência pode ser muito alto. Há alguns meses eu fiz uma prova da Petrobrás e, puta merda, acho que foi a prova mais difícil que já fiz, e saí dela tenso, com os músculos doloridos. E o esforço de nada adiantou, porque fui eliminado por pontos.

As vantagens são vantagens se você gostar da área: é muito bom poder estar sempre exercitando o raciocínio, o esforço para desenvolver novas soluções, etc. Há também o fato de que muita gente da área é maluco por natureza, então o ambiente de trabalho costuma ser divertido.



A universidade te preparou para o mercado? Explique.
Primeiro uma piada: não, não preparou. Na faculdade eu aprendi sobre orientação a objetos, banco de dados e algoritmos, e quando fui ser analista de sistemas na Prefeitura de Nova Friburgo eu vi que tinha que ter aprendido a grimpar um cabo de rede, a limpar placas de vídeo e que placas de memória DRM732 só servem em placas mãe ATVXP7500S.

Agora falando sério: em parte. Posso dizer que não porque nós não fomos muito a fundo na maioria das matérias e, como já falei antes, alguns tópicos não foram bem abordados, mas também posso dizer que sim porque a faculdade me deu uma visão geral muito importante sobre o que é qualidade de software, em todos os sentidos imagináveis, e ainda me proporcionou conhecer muitas áreas importantes que compôem o trabalho de um analista de sistemas. Sem a faculdade, eu tenho certeza de que eu demoraria muito mais tempo para acumular todo o conhecimento que tenho hoje, se é que algum dia eu chegaria a tanto.

Enfim, a faculdade não entregou o peixe de bandeja, mas tampouco me ensinou a ser um grande pescador. Entretanto, me ensinou o que é uma boa vara de pescar, os tipos de linha, os tipos de anzol, quais rios são melhores, etc.



Você precisa se atualizar? Como?
Sim, sempre. Muito embora hajam conceitos e técnicas que durem bastante tempo, sempre há uma novidade na próxima esquina: uma versão nova do programa que você mais usa, um recurso novo naquele banco de dados, uma linguagem que começa a chamar atenção, etc. Além do que, quanto mais você aprende, mais você vê que sabe muito pouco e entende ainda mais a necessidade de se atualizar.

Para aprender coisas novas eu me valho de duas fontes: primeiro eu leio muitos livros. Alguns eu compro em lojas como Submarino ou Amazon (os importados são muito mais baratos) e outros eu baixo em sites de compartilhamento de arquivo (sim, a pirataria reina aqui também, porque ninguém tem dinheiro pra comprar tudo). Estou preparando um artigo sobre a minha biblioteca que estou montando em casa.

Além disso, sempre busco informações em sites de programação ou com artigos sobre o mundo da informática, como, por exemplo, Coding Horror e The Database Programmer.



Qual é sua rotina de trabalho?
Como eu já falei aí em cima, minha rotina na Prefeitura é a de estudar nas muitas horas livres, ajudar alguém a lidar com o computador ou então consertar alguma coisa que está com problema. Nada muito excitante, pra falar a verdade. Nos cinco meses que estou lá, acho que só me senti trabalhando de verdade umas seis ou sete vezes.

No meu novo emprego vou trabalhar com desenvolvimento, colocando a mão na massa. Logo, espero que seja uma rotina mais interessante.



Se você pudesse dar uma dica para quem inicia a carreira...
Nunca esqueça de seus companheiros da faculdade. Se não fosse por eles, eu não teria conseguido o emprego onde vou começar a trabalhar agora em setembro. Mantenha contato, dê um alô, troque idéias.

Mas não mantenha amizades só pra poder ser lembrado quando uma vaga surgir: encontros e chopadas fazem parte da vida, e no fim das contas esta convivência é mais importante que qualquer emprego.



***


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7 comentários:

BLASTER disse...

Muito útil esse post!

Mário Marinato disse...

Opa, que bom que gostou!

dprogrammer disse...

Muito bom o texto.

Se liguém nas metodologias ágeis. Pratiquem bastante a programação. Não se é um bom pianista apenas lendo livros sobre piano.

Procurem montar uma equipe com amigos para desenvolver um sistema para treinar seus conhecimentos. Tipo fazer um programa para vídeo locadora, mas não para vendê-lo e sim para treinar o desenvolvimento em equipe e as metodologias, etc.


Sucesso para vcs.

Mário Marinato disse...

Taí! Belas dicas, Sr. DProgrammer. Valeu pela contribuição.

Wallace Santos disse...

Acompanhei todos os post e sinceramente adorei. Acabei há pouco tempo um curso de Montagem e Manutenção e gosto muito de tudo relacionado a informática. Tenho diploma de tecnico em informática com ênfase em programação e quero agora partir para a analise de sistemas. Espero poder contar com a ajuda de todos vocês, por favor, sei q ja passaram por toda essa etapa e seriam de grande ajuda para minha formação! Obrigado galera.

Mário Marinato disse...

Falou, Wallace! Sempre que quiser alguma dica, alguma informação, é só perguntar que estou sempre pronto a ajudar. Belê?

wallace disse...

Pow vlw, espero poder começar logo minha vida de analista, hehehe. Depois compartilhar, aqui, minhas histórias de vida. Sucesso pra todos nós! Abração.